“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Amores

Shakespeare viveu entre 1564-1616 e escreveu muitos sonetos de amor.

Parece que o seu “muso” inspirador era um jovem rapaz que ele sabia que nunca seria seu.

Um dos sonetos mais famosos de Shakespeare canta a beleza e juventude do seu amado.

Soneto XVIII

“Que és um dia de verão não sei se diga.

És mais suave e tens mais formosura:

vento agreste botões frágeis fustiga

em Maio e um verão a prazo pouco dura.

O olho do céu vezes sem conta abrasa,

outras a tez dourada lhe escurece,

todo o belo do belo se desfasa,

por caso ou pelo curso a que obedece

da Natureza; mas teu eterno verão

nem murcha, nem te tira teus pertences,

nem a morte te torna assombração

quando o tempo em eternas linhas vences:

enquanto alguém respire ou possa ver

e viva isto e a ti faça viver.”

(traduzido por Vasco Graça Moura)

Quatrocentos anos depois de Shakespeare, olho para os seguintes números aterrada. São números que nos envergonham, enquanto humanos incapazes de compreender o amor e o sexo.

  • Países do mundo em que a homossexualidade é punida com pena de prisão: 72
  • Países do mundo em que a homossexualidade é punida com pena de morte: 12

ÁFRICA:
Argélia
Burundi
Camarões
Chad
Comores
Egipto
Eritreia
Eswatini (Suazilândia)
Etiópia
Gâmbia
Gana
Guiné
Libéria
Líbia
Malawi
Mauritânia (pena de morte)
Maurícia
Marrocos
Namíbia
Nigéria (pena de morte)
Quénia
Senegal
Serra Leoa
Somália (pena de morte)
Sudão (pena de morte)

Tanzânia
Togo
Tunísia
Uganda
Zâmbia
Zimbabwe

AMÉRICA:
Antígua e Barbuda
Barbados
Dominica
Grenada
Guiana
Jamaica
Saint Kitts and Nevis
Saint Lucia
Saint Vincent and the Grenadines

ÁSIA:
Afeganistão (pena de morte)

Bangladesh
Bhutan
Brunei
Indonésia
Malásia
Maldivas
Myanmar
Paquistão (pena de morte)
Singapura
Sri Lanka
Turquemenistão
Uzbequistão

MÉDIO ORIENTE:
Arábia Saudita (pena de morte)
Emirados Árabes Unidos (pena de morte)
Iémen (pena de morte)
Irão (pena de morte)

Iraque
Kuwait
Líbano
Omã
Palestina
Qatar
Síria

OCEÂNIA:
Ilhas Cook
Ilhas Salomão
Quiribati
Papua – Nova Guiné
Samoa
Tuvalu
(Copiei esta informação do Facebook de Frederico Lourenço)

Não consigo (nem quero!) compreender o que vai na cabeça de um ser humano para se julgar no direito de condenar outro ser humano, por este amar/desejar/relacionar-se sexualmente com um adulto do mesmo sexo.

Felizmente, sou europeia (que sorte – sem ironia!) e esta minha posição pública não é censurada nem condenada por cumplicidade.

Fotografias de uma das minhas fotógrafas favoritas, a sul africana Betina du Toit.


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Bolachas de aveia e nozes

As férias acabaram mas, enquanto vestirmos manga-curta, conseguimos continuá-las aos fins-de-semana.

As minhas cozinheiras queriam bolachas e decidiram colocar mãos à obra:

2 chávenas de farinha de trigo com fermento

1 chávena de flocos de aveia integral

1 chávena de farelo de aveia

1 chávena de açúcar de cana mascavado

meia chávena de café de café forte

4 ovos

1/4 de chávena de manteiga

1/4 de chávena de azeite

1 pitada de flor de sal

nozes e passas a gosto

Misturar todos os ingredientes secos numa tigela e acrescentar as gorduras. Envolver com uma colher de pau.

Acrescentar os ovos e mexer (ou amassar com as mãos!) até descolar da taça.

Fazer bolinhas, pressionar a noz e levar ao forno.

Aprovadas!


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Analfabetismo afectivo

O meu primo diz que a geração anterior à nossa sofre de analfabetismo afectivo; por falta de disponibilidade, formação, tempo e dinheiro dos progenitores, acrescento eu.

Infelizmente, o analfabetismo afectivo estendeu-se à nossa geração. Ainda fomos educados para acreditar que mostrar as emoções é mostrar vulnerabilidade e que o mais forte é o que menos parece sentir.

A única diferença entre nós e os nossos antecessores é que nós temos consciência das nossas lacunas. Enfim, a maior parte das vezes…

Eu vou tentando, na medida do que sei e consigo, conversar e reflectir com a Beatriz relativamente ao que ela faz e sente. Nem sempre é fácil e, na verdade, também tenho as minhas limitações.

O Emocionário tem-nos ajudado.

Para começar, distinguir emoção de sentimento é fundamental, uma vez que nos torna autoconscientes e ajuda a regular a nossa acção.

A psicoterapeuta Rosa Collado Carrascosa faz a distinção da seguinte forma:

“”As emoções são estados afetivos inatos e automáticos que se experimentam através de alterações fisiológicas cognitivas e comportamentais. Servem para nos adaptarmos aos ambientes que experimentamos.”

“Os sentimentos são a tomada de consciência dessas emoções. Servem para expressar, de forma mais racional, o nosso estado anímico”.

As emoções são ilustradas de forma sugestiva e são um excelente mote para abordar o que está em causa.

A timidez:

A culpa:

A Ternura:

A Tristeza:

O Remorso, uma das minhas ilustrações favoritas, do argentino Federico Combi:

Todas as emoções são, para além de ilustradas, sucintamente definidas.

É proposto um roteiro de exploração do livro, uma vez que muitas das emoções se interligam.

A definição de Entusiasmo é uma das mais expressivas:

O pássaro Entusiasmo!


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Acto de fala

Juan Vicente Piqueras nasceu, em 1960, em Espanha.

Com uma visão pouco conservadora do que é a poesia, esclarece que todos os falantes são poetas:  

“Toda a palavra é um poema. A palavra falar vem de fabulare. A palavra palavra de parabolare. O mero acto de falar é já um acto poético, uma invenção, uma fábula. O mero acto de falar é um acto sagrado ainda que o falante, para sobreviver, se veja obrigado a desconsiderá-lo”.

Este poema é acessível e bem melhor do que a maior parte dos livros de auto-ajuda. Num estilo aforístico, Piqueras vai-nos sussurando como viver melhor.

“Não fujas do que sentes

não te escondas no que dizes

não digas mentiras

sê a tua voz

faz

trabalha

não te queixes

não sofras por medo de sofrer mais

não mendigues jamais o que mereces, por exemplo o amor […]

Abre o teu coração couraçado

à união do céu com o mar

da luz com a sombra

do canto dos grilos com o das cigarras

pinta de azul a alma […]

Cozinha

convida

canta

dança

abraça

tira o pó da tua voz

rega as plantas

as dos pés também, no mar

na maré baixa […]

Não olhes para trás

não sejas a tua estátua de sal

e sai de ti, do que pensas de ti

sai desse quarto escuro onde escreves os poemas que dizem o que tens de fazer

em vez de o fazer

Põe-te a andar

faz

trabalha

não te queixes

vira a página

olha

sê atento e fica atento

não esqueças o que vives

não esqueças o que acabas de viver

não esqueças o que acaba

acaba

vai em busca de uma voz nova, longínqua

não fujas do que sentes

não permitas que a vida se perca no vazio

que a morte ao chegar encontre já feito o seu trabalho

olha o céu como quem diz adeus

como quem agradece.”

Os quadros são do israelita Gideon Rubin que se inspira em álbuns fotográficos antigos para criar as suas obras. Foi encontrado no IGNANT.


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Álbum de retratos

Quando penso nos álbuns de fotografias, vem-me sempre à memória o triste “Retrato a branco e preto” de Tom Jobim.

Comecei a fazer um álbum de retratos quando a Beatriz nasceu. Um álbum repleto de “lembranças felizes do passado para bem tratar meu coração”, ao contrário do sofredor Jobim.

Entretanto os anos passaram, mudámos de meridiano e as imagens foram-se acumulando no computador, arquivadas em frias pastas numeradas.

Sete anos mais tarde, debati-me com a dificuldade de seleccionar e acabei por imprimir 500 (!) fotografias, o que é um sinal claro dos nossos tempos excessivos. Bem… e um sinal da minha incapacidade de hierarquizar o que quer que seja relacionado com os afectos.

Reviver momentos tão felizes foi retemperador. Nestas imagens, ainda vivíamos na Figueira, a Beatriz tinha dois anos e a Branquinha tinha cauda.

Mudámo-nos, entretanto, para Estremoz e comprei, na Terrugem, um álbum consentâneo com a alteração de morada.

Por enquanto, sou eu a única entusiasmada com os álbuns, mas acredito que a Beatriz irá gostar de rever-se/nos mais tarde.

Comprei ainda outro álbum mais vulgar, o que foi uma dificuldade, pois as papelarias da cidade deixaram de vender álbuns em papel.



Acredito que, no futuro, a Beatriz irá participar na construção dos álbuns e julgo que eu, quando for velhinha, vou pedir-lhos emprestados e, durante umas belas horas, rejuvenescer.


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Risórios-de-santorini

Quando era pequena, era uma menina tímida, com covinhas na cara quando sorria e sempre agarrada à saia da Mãe. Com a idade, as covinhas foram desaparecendo e, agora, são quase imperceptíveis, como se pode ver na fotografia à direita.

Segundo o senhor Ulme, tenho razões para ficar preocupada. Já não sou tão adorável, como em criança, o que não me espanta, mas será que quando crescemos nos tornamos, infelizmente, menos humanos?

Estou seriamente preocupada com essa possibilidade.

“-Como é ela? […]

-Tem covinhas na cara.

-Os risórios-de-santorini. Saiba que é um músculo que nem todos os homens têm, um músculo devotado ao riso, só serve para isso. Quem tem covinhas tem risórios-de-santorini, quem não tem covinhas poderá ter ou não. […] estamos a falar de um músculo dedicado ao riso. Ora, como disse Samuel Lieber, o ser humano é o único animal que ri, apesar da taxa de desemprego. E se somos o único animal que ri, então os seres humanos com covinhas devem ser ainda mais humanos, e deve ser esse o motivo do fascínio que essas expressões nos provocam, esse desejo insano de nos apaixonarmos por quem tem esses acidentes na cara. “


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Bolo de iogurte marmoreado

Com as crianças ainda de férias, a alegria, as corridas, os mergulhos, as gargalhadas que só eles dão, continuam.

Continuam também os lanches junto da piscina.

Este bolo é rápido e simples de fazer.

120g de açúcar mascavado

50g de manteiga + 20 ml de azeite

4 ovos

1 iogurte natural

120g de farinha de trigo +100g de farinha integral

1 colher de chá de fermento

100g de chocolate em barra com 80% de cacau

1-Bater o açúcar com as gorduras até obter um creme liso.

2- Juntar os ovos, um a um, batendo sempre.

3- Adicionar o iogurte, a farinha e o fermento.

4- Retirar 1/3 da massa para outra tigela e envolver o chocolate derretido.

5- Colocar as duas massas (a clara e a escura) alternadamente, numa forma de bolo inglês, forrada com papel vegetal.

6- Deixar cozer 45 minutos a 180ºC e fazer o teste do palito, após esse tempo.

Não podia ser mais fácil e é sucesso garantido para um lanche entre mergulhos, com fruta ou duas colheres de iogurte grego.

No bolo da foto, decidi polvilhá-lo com sementes de cânhamo descascadas.

As sementes de cânhamo são muito ricas em proteínas e aminoácidos essenciais. Já as folhas e flores de cânhamo parecem ter outras propriedades que não aconselho…