“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


10 comentários

Promoção

Há um mês, lançámos uma promoção no Facebook que deu que falar e que me deu especial satisfação, porque vai ao encontro do que acredito:

-a partilha do que temos (de melhor e) excedentário;

-o regresso à tradição milenar da troca de sementes!

Oferecemos sementes de abóboras da D. Adélia a quem provou o Doce de Abóbora com Frutos Secos Nacionais ou Doce de Abóbora com Laranja e Especiarias!

Doce e sementes de abóbora

A problemática da livre circulação de sementes, bem de todos, foi abordada numa crónica de Miguel Esteves Cardoso.

Com o trabalho de Lanka Horstink, coordenadora da campanha pelas sementes livres em Portugal (que conheci através da agenda de Fernanda Botelho) fiquei especialmente sensível a esta questão.

Proibir a troca de sementes entre vizinhos é tão absurdo como proibir os empréstimos e os presentes entre pessoas que se estimam.

Claro que ainda é mais perigoso, porque o que se pretende, a longo prazo, é  a monopolização da circulação de sementes por duas ou três multinacionais.

Ou seja, a monopolização total da alimentação.

E o fim da diversidade dos alimentos tradicionais/nacionais.

As sementes são-nos emprestadas pelas flores, pelos frutos, pelos insectos, pelos pássaros.

Portanto, sempre que puder, vou partilhar com os meus amigos muitas sementes!

sementes de abóbora

Mesmo que às vezes possa parecer estranha:

-Pipas? Um saquinho de pipas?!


13 comentários

Degraus

“Mudamos tanto com a idade…”
                                                                                                                                                                                                                                         .
A minha prima costuma suspirar esta frase quando nos apercebemos das grandes mudanças que vão ocorrendo nas nossas vidas.
E são tantas…
                                                                                                                                                                                                                                         .
Eu amadureci tão tarde que só aos vinte é que comecei a gostar mesmo de poesia.
                                                                                                                                                                                                                                         .
E agora aos trinta (perto dos quarenta…) é que começo a gostar de ouvir fado… ao vivo (por enquanto).
                                                                                                                                                                                                                                          .
Camané e David-Mourão Ferreira.
Escada sem corrimão
É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.
 
Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos, nem sobressaltos
servem sequer de lição.
 
Quem tem medo não a sobe
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.
 
Sobe-se numa corrida.
Correm-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
                                                                                                                                                                                                                                                               .
                                                                                                                                                                                                                                                                 .
Gosto muito de ser Portuguesa!
.
Feliz 10 de Junho!


8 comentários

Amélia

A Amélia veio connosco da Biblioteca.

capa amélia

 

Foi criada por Tim Bowley e pelo nosso querido André Neves, o pai da Mara.

Como quase todas as crianças que conheço, esta menina quer um cão.

amélia 1

Como quase todos os pais que conheço, este pai recusa tão exigente pedido.

A expressão de Amélia comove-nos a todos, excepto ao pai.

amélia 2

Decide, então, sugerir outros companheiros de quatro patas.

amélia 3

Sem sucesso!

amélia 4

Propõe ainda companheiros sem patas…

amélia 5

Pai inflexível!

amélia 6

Até que finalmente o pai tem uma ideia genial e apaziguadora.

amélia 7

Como seria de esperar de André Neves, a ilustração arrebata-nos.

E cruza, exemplarmente, os planos do real e da fantasia.

A narrativa de Tim Bowley não tem a profundidade de Orelhas de Borboleta, mas encanta a Beatriz (e a mim): a ideia de ter uma baleia ou um elefante como animal de estimação é irresistível!

E faz-nos pensar, a nós, adultos, que muitas vezes os pedidos das crianças são razoáveis.

Nós é que crescemos e ficamos rapidamente programadas para achar qualquer proposta que saia da rotina mirabolante.

Claro que não me refiro à baleia ou ao elefante…

Que saudades que eu tinha de escrever sobre um livro infantil!


9 comentários

Caminhar

Há 45 anos, uma mulher só podia ter passaporte, se o marido autorizasse.

Há 40 anos, 70% das mulheres portuguesas eram donas de casa (e, infelizmente, nem todas por vocação).

Há 40 anos, o salário de uma mulher era, em média, 67% do salário de um homem.

Há 40 anos, só algumas mulheres com curso secundário ou superior podiam votar.

Há 40 anos, uma mulher não tinha acesso à magistratura ou à carreira diplomática (mesmo que evidenciasse especial vocação para tal).

Há 40 anos, a licença de maternidade esgotava-se em 15 dias.

Abril abriu-nos as portas.

A partir daí, muitos tiveram e têm como objectivo de vida fechá-las.

O último ponto desta lista (muito incompleta) arrepia-me.

Quinze dias após o parto, uma mulher não está apta para trabalhar: nem fisicamente, nem psicologicamente.

Cinco meses após o parto, eu não estava apta para trabalhar.

Mas fui.

Em 2011, ninguém me informou (e se perguntei…) acerca do artigo 51º “Licença parental suplementar”, a) Licença parental alargada, por três meses (do decreto de lei nº30 de 12 de Fevereiro de 2009); que possibilita que a mãe ou o pai gozem mais três meses de licença para além dos quatro ou cinco bastante divulgados.

Nessa altura, apenas se falava do 5º mês de licença, com um corte de 20% do ordenado.

A partir do momento em que li a lei, tenho partilhado com todas as grávidas que conheço esta descoberta legalizada mas tão estranhamente desconhecida. Todas, sem excepção, passaram os oito meses em casa com os seus bebés, apesar dos fortes descontos nos ordenados.

Oito meses são melhores do que quatro; quatro meses são melhores do que um (que a minha Mãe teve); um mês é melhor do que os vergonhosos quinze dias de há quarenta anos.

Mas há um longo caminho a percorrer.

Por todos os países conhecidos como civilizados.

A bem do nosso futuro.

bebé The glow

Este bebé veio do blog “The Glow” que nos presenteia com belíssimas fotografias de mães que conseguem conciliar a maternidade com extremo sucesso profissional e beleza. São, como se sabe, uma minoria.

Excelentes fotógrafos e uma equipa de profissionais à volta também ajudam ao “glamour” das sessões fotográficas.

É um blog impróprio para os dias de trabalho em que saímos a correr, sentimos que estamos a viver a grande velocidade um erro de “casting” e ainda chegamos a casa com sentimentos de culpa por termos passado o dia longe dos nossos filhos.

Às vezes, por mais estúpido que seja, acontece-me.

 

 

 

 


13 comentários

Vestido

“Sinto-me tonto, enternecido,

quando, de noite, as minhas mãos

são o teu único vestido”

David Mourão-Ferreira

vestido- dustjacket attic

vestido 2 dustjacket attic

vestido 3- dustjacket attic

 

Gosto muito, muito de vestidos.

Estes são do blog dustjacket.

Mas ainda gosto mais deste poema de David Mourão-Ferreira.

Penélope

Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.