“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

O Sentido da Vida

2 comentários

Uma apresentação que se intitula “Há mais na vida do que ser feliz” já é suficientemente provocatória, sobretudo quando vivemos numa época em que proliferam livros de autoajuda, artigos e lista com promessas de felicidade empacotada.

Mas se alcançar a felicidade fosse só seguir uma “to do list”, não seríamos hoje um dos países da União Europeia que mais toma antidepressivos e ansiolíticos.

A falha, a meu ver, começa quando se liga felicidade a sucesso e se traduz sucesso por: ter casa própria, carro novo, namorado boneco e dinheiro para pequenos (ou grandes) luxos.

Todos conhecemos  pessoas que reúnem todos (ou quase todos) estes requisitos e continuam ansiosas, dependentes de Lexotan e com um vazio inexplicável.

Emily Smith propõe-nos uma reflexão sobre o sentido da vida humana, mais do que vivermos como toupeiras à procura de uma felicidade que, inevitavelmente, chega, foge e se esconde.

Como dar sentido à vida?

1- Alimentar o sentimento de pertença:

Estabelecer relações em que se é valorizado/se valoriza pelo que se é e em que se dá, de facto, atenção ao outro: quer seja o senhor que nos vende o café, um familiar, um vizinho, um amigo.

Ultimamente, reparo que é raro alguém focar-se no outro: há o telemóvel, há a vida exterior (e interior) e muitos dos diálogos são estranhos, porque já não se responde à deixa do outro, monologa-se.

2- Estabelecer objectivos de vida:

Ter objectivos de vida que vão para além do “tirar um curso e arranjar um bom emprego “.

Garantir a sobrevivência imediata é importante, mas Emily Smith fala em objectivos que passem por “dar” aos outros.

Numa sociedade tão pouco filantrópica, como aquela em que aterrámos, e tão defensora da esperteza e desenrascanço nacional (ainda que isso prejudique o próximo), fica evidente que temos um longo caminho a percorrer nesta área.

Salvar-nos-á, talvez, o espírito forte de família: amar os filhos é uma forma sublime de “dar-se”.

Emily defende que muitos de nós vêem o trabalho como uma forma de contribuir para algo maior e, por isso mesmo, o desemprego é mais do que um problema económico, é uma questão existencial. Bem visto!

3-Praticar a transcendência:

Encontrar uma forma de abstrair das minudências quotidianas.

Há quem o faça através da Fé, da Arte ou da criação: fazer algo que nos melhore enquanto seres humanos e que nos faça perder a noção de tempo e de espaço.

4- Encontrar a melhor versão da nossa história:

A nossa vida é narrada a nós próprios (e aos outros) centenas de vezes ao longo dos anos.

Devemos construir uma narrativa de redenção, crescimento e amor para nós próprios e não de autocomiseração e amargura.

Há quem precise de psicólogo para encontrar a melhor versão da sua história, há quem o faça sozinho, ao longo do tempo, através de muita introespeção.

Precisei de sintetizar as reflexões da Emily, porque por vezes esqueço-me de que são estes 4 pilares que seguram a minha casa. Na verdade, só uma casa com uma arquiteta bem lúcida e bem ciente do sentido da vida consegue ultrapassar serenamente os momentos felizes e menos felizes que fazem parte da vida humana.

Afinal, como bem disse Emily, a Felicidade joga connosco ao “toca e foge” e nós temos de viver todos os dias!

 

 

 

 

Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

2 thoughts on “O Sentido da Vida

  1. Muito interessante! Dá o que pensar…

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