“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Chama

Prometeu, primo de Zeus e benfeitor dos humanos, deu-nos o Fogo.

Antes disso, éramos apenas bonecos moldados em barro.

Prometeu “roubou algumas sementes de fogo à roda do Sol e levou-as para Terra, escondidas num caule de férula.

Zeus puniu os mortais e o seu benfeitor.

Aos primeiros, enviou-lhes uma criatura por ele expressamente forjada para o efeito – Pandora.

Quanto a Prometeu, prendeu-o com grilhões de aço no cimo do Cáucaso e determinou que uma águia lhe fosse comendo o fígado, que se ia renovando  incessantemente.

Jurou ainda pelo Estige que jamais libertaria o traidor.”

(Do Dicionário de Pierre Grimal) 

Tanto sofrimento para nos dar a chama da vida e, na maior parte dos dias, nem a vejo.

Autómatos, anestesiados, deslizamos pela vida.

Hoje é porque está frio, amanhã é porque temos pressa, para a semana é porque a filha está constipada, no final do mês, é porque não recebemos… no final do ano, é porque temos medo e sempre nos disseram para “evitar sarilhos”.

Assim, vivemos, sem grandes aborrecimentos, com a consciência adormecida… mas sem calor no coração.

Já que não podemos devolver a Pandora, podíamos, pelo menos, fazer alguma coisa com o Fogo.

Taiyo Matsumoto.


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Ginnie Hsu

chuna animação

 

Ginnie é ilustradora americana, do Mississipi.

Tocou em cheio no meu gosto pelos pormenores maravilhosos do dia-a-dia.

Uma vez, li numa crónica do saudoso Pedro Rolo Duarte uma reflexão sobre a importância das nossas pequenas rotinas. Mesmo as enervantes e que quase nos enlouquecem, como o hábito terrível que ele tem deixar cair migalhas no chão ou a irritante mania que ela tem de deixar as luzes acesas.

Quando há uma separação, são essas irritações que nós recordamos com saudade.

http://www.helloginniehsu.com/

Ginnie retrata os momentos que aparentemente não têm história mas que, de facto, fazem a nossa história.

Este blog nasceu como resultado dessa vontade de celebrar aquilo que também faz a minha história.

breakfast-Morning-Ginnie Hsu

bike-walking Ginnie Hsu


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7

Foi há 7 anos que uma menina do Céu me caiu nos braços!

7 anos que me revelaram a dimensão do Amor.

7 anos que dão significado a todos os outros.

7 anos em que fui agraciada pela Felicidade da forma mais pura: à noite, sigo o seu respirar sereno.

Tudo faz sentido e a rotação da Terra está justificada.

Parabéns, filha!

A Beatriz a soprar as velas veio daqui!

 


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Beginner

“I don´t know where I´m going from here, but I promise it won´t be boring!”

David Bowie

davidbowie

A vida gira de tal maneira que só reajo verdadeiramente aos acontecimentos (bons e maus) quando tenho tempo, ou seja, meses ou anos mais tarde!

O David Bowie morreu há dois anos?! A sério?!

Testemunhou a parte mais bonita da minha adolescência:

O deslumbramento pela música e pela poesia, o espanto pela diferença, a noção de que as pessoas verdadeiramente livres fazem tudo o que querem, sem complexos, com autenticidade e com as incoerências e mutações que lhe dão o cognome de “camaleónicas”.

Lembro-me de quase recear Bowie, porque não conseguia catalogá-lo:

ele colocava em causa todos os meus estereótipos e distinções (até de género!), mas exercia sobre mim um tal magnetismo que vi dezenas de vezes o filme Absolute Beginners.

Ontem, senti o luto quando ouvi e vi este vídeo, sozinha e com a Beatriz!

Fiquei com a certeza de que devo ao Bowie a recuperação da irreverência que se foi diluindo com o passar dos anos!

Como é que eu me esqueci de que sou “Absolute Begginer”?

“I’ve nothing much to offer
There’s nothing much to take
I’m an absolute beginner
But I’m absolutely sane
As long as we’re together
The rest can go to hell
I absolutely love you
But we’re absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
There’s no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true

Nothing much could happen
Nothing we can’t shake
Oh, we’re absolute beginners
With nothing much at stake
As long as you’re still smiling
There’s nothing more I need
I absolutely love you
But we’re absolute beginners
But if my love is your love
We’re certain to succeed

If our love song
Could fly over mountains
Sail over heartaches
Just like the films
If there’s reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true”

(Written by Paul John Weller )

 

 

 


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Sopa da panela

Adivinha-se uma noite gelada…

Como é que se aquece no Alentejo?

Com a braseira na camilha (ou camila!) e com Sopa da Panela.

sopa da panela

É tão fácil de fazer que reproduzimos a iguaria na Figueira da Foz.

Cozemos a galinha caseira da Avó Rosa, com o chouriço alentejano, a cebola e o sal.

Retirámos os ossos à galinha e cortámos o chouriço.

Em cada prato, colocámos pão alentejano cortado e hortelã e vertemos o caldo da galinha (bem quente), com um pouco de carne e uma rodela de chouriço!

A Avó Silvana disse que nos faltou a carne de porco gorda.

Eu achei que não fez falta.

Esta sopa costuma ser o almoço do Dia de Natal, mas acho que fica muito bem em qualquer dia de frio, quando precisamos de recuperar forças e disposição!