“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Feministas

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Feminista: [aquele ou aquela] que partilha das ideias que preconizam a equiparação dos direitos das mulheres aos dos homens.

Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa

Os [ ] foram acrescentados por mim, porque nos últimos tempos tenho sentido que, se me assumo como Feminista, sou conotada como:

-“uma infeliz que tem raiva dos homens” (e tenho, de facto, de alguns misóginos);

-uma alucinada que quer gritar na rua palavras de ordem (vou, se sentir que é o momento);

-alguém com a ideia da perseguição, porque isso das mulheres não terem os mesmo direitos dos homens é de outros tempos e de outros espaços;

-uma ignorante, porque na “nossa cultura é natural que seja a mulher a assumir a maior parte das tarefas domésticas” .

Não sei de onde veio esta conotação negativa do Feminismo;

não sei se está ligado com o facto das minhas bisavós feministas terem ido gritar para a rua para eu poder hoje votar ou receber o mesmo ordenado que ganha um homem pelo desempenho da mesma função, ou poder divorciar-me ou viajar sozinha.

Não sei se está relacionado com o facto das feministas terem adoptado um discurso agressivo contra os homens que estavam no poder e a quem, durante séculos, tentaram apresentar reivindicações, delicadamente… e sem sucesso.

Estará relacionado com a recente questão americana Me to?

Será porque os homens estão a sentir-se ameaçados?

Eu, pessoalmente, não estou a conseguir situar-me bem, tendo em conta o desconforto dos homens acerca desta temática.

O Feminismo não é uma questão das mulheres; é uma questão de dignidade social.

O ponto está na igualdade e liberdade de homens e mulheres:

Igualdade de escolhas, de oportunidades, de deveres e de direitos.

No mundo como eu o vejo, todos devemos abraçar esta luta e enraivecer-nos quando um ser humano é desvalorizado ou humilhado por questões de género.

Feminista

Este texto da Paula Cosme Pinto, infelizmente, fala de números que deviam envergonhar-nos enquanto humanos.

“Março de 2017: “As mulheres são mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes” do que os homens e por isso “devem ganhar menos”, palavras ditas por um deputado em pleno Parlamento Europeu, num debate sobre a demografia. Sim, em 2017.

Junho: Uma mulher dá à luz uma criança sem vida em El Salvador. A gravidez resultara de uma violação, mas ela não teve direito a abortar. O seu atacante não foi preso pelo crime de abuso sexual, mas ela recebeu uma sentença de 30 anos de prisão pelo aborto espontâneo, uma vez que não procurou ajuda médica imediata mal teve as primeiras contrações. Tinha, alegou a acusação, intenção de matar a criança.

Setembro, interior do Brasil: Uma miúda de treze anos foi brutalmente espancada pelo pai por ter tido relações sexuais pela primeira vez. Levado a tribunal, o homem foi absolvido pelo juiz, que considerou que tudo não passou de um mero “exercício do direito de correção” do progenitor sendo ela menina. ”

Outubro, em Portugal: “O adultério da mulher é um atentado à honra do homem”, lê-se num acórdão proferido pelo Tribunal da Relação do Porto, referente a um caso de violência doméstica.

Dezembro: relatos de ONG’s no terreno revelam que as mulheres da minoria rohingya estão a ser continuamente violadas e torturadas por soldados birmaneses. Dois meses depois, sabe-se que funcionários humanitários, que operam em nome das Nações Unidas e de diversas organizações internacionais de caridade, obrigaram mulheres e meninas Sírias a trocar favores sexuais por ajuda humanitária, como comida ou boleias.

Fevereiro 2018: mais de 30 mulheres iranianas são presas por ousarem retirar o hijab em público e ficarem com os cabelos à solta. O que lhes está a acontecer às mãos da polícia ninguém sabe. […]

Bom, mas se estes exemplos, vindos de zonas tão diferentes do mundo, mesmo assim não chegam para perceberem a necessidade de ainda termos de falar especificamente de direitos das mulheres, então vamos a números:

Sabiam que 1 em cada 3 mulheres de todo o mundo é vítima de agressões físicas, psicológicas e sexuais, pelo simples facto de ser mulher?

Ou que, todos os anos, 15 milhões de meninas e adolescentes são obrigadas a casar, o que dá uma média de 28 meninas por minuto?

E têm noção de todos os anos, mais de 5 mil mulheres e raparigas são mortas nos chamados crimes de honra, regra geral cometidos pelos pais, irmãos ou maridos?

Ou que 8 mil raparigas estão em risco de sofrer mutilação genital diariamente?

Feitas as contas, são três milhões de meninas por ano, leram bem. Por cá, foram registados 80 casos entre 2016 e 2017 .

No que toca ao tráfico humano, sabiam que mais de 70% das vítimas são mulheres e meninas, sendo que 3 em cada 4 são depois alvo de exploração sexual? E que feitas a contas às mulheres assassinadas no mundo, mais de metade foram mortas por homens com quem mantinham relações de intimidade?
E para terminar, vamos falar de dinheiro, trabalho e liderança: lembram-se que o Global Gender GAP Report 2017 do FEM revelava que ainda vamos demorar 217 anos até que a igualdade laboral entre homens e mulheres seja uma realidade.”

– – –   – – –

Podemos ficar os próximos 217 anos a discutir estas questões e a tentar ultrapassá-las,

ou podemos continuar a dizer que as feministas (como eu) são uma histéricas com a mania da perseguição e, daqui a 200 anos, os nossos tetranetos ainda estarão a lidar com estes problemas, em vez de estarem preocupados em escolher líderes inteligentes, criativos e bondosos (independentemente do sexo, bem entendido).

– – –   – – –

Chimamanda Ngozi Adichie fala da importância de ser educado para o feminismo e de como homens e mulheres só têm a ganhar com a mudança, neste vídeo.

“O problema do género é que ele acaba por determinar quem devemos  ser,

em vez de reconhecer quem somos.

Sem a expectativa de género, podemos ser livres.

Somos biologicamente diferentes, mas o facto dos homens não se preocuparem com esta questão é parte do problema; estamos a falar de metade da humanidade.”

– – –   – – –

No meu dia-a-dia, há questões que embora bem menores diminuem a qualidade de vida das mulheres portuguesas e reduzem a sua disponibilidade para o ócio, para a política, para a cultura, para o trabalho, para os amigos.

As mulheres portuguesas gastam três vezes mais horas do que os homens na lida doméstica: elas despendem, por semana, vinte e seis horas, eles apenas sete, o que dá uma diferença de dezanove horas semanais, uma média superior à europeia. As portuguesas continuam a ser exploradas, como se nada se tivesse passado desde o momento, na década de 1960, em que a minha geração ergueu a bandeira da emancipação feminina.”

Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

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