“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Mercearia

6 comentários

Ouvi na Antena 1 que o número de compras nos supermercados diminuiu relativamente ao ano anterior.

O moderador avançou com duas razões:

uma optimista – os portugueses passaram a almoçar mais vezes em restaurantes;

uma pessimista – há menos dinheiro e as famílias estão em contenção de gastos.

Gostava que a razão fosse mesmo a optimista e que os nossos restaurantes, por norma bons e baratos, voltassem a encher-se de sorrisos e conversas à hora das refeições.

Gostava que os nossos almoços voltassem a ser solarengos e com café na esplanada.

Gostava que regressássemos às lojas de bairro, a caminho de casa, para as nossas necessidades diárias.

Gostava que percebêssemos que todas as nossas transacções são actos políticos: escolher onde compramos e a quem entregamos o nosso dinheiro pode mudar o mundo ou, pelo menos, pode começar a mudança.

Este vídeo da Catarina Portas não é novidade, mas aponta a direção.

Se comprarmos a quem produz e vende em pequena escala, as probabilidades de obtermos um produto de qualidade aumenta significativamente.

Já para não falarmos da falta de humanidade que existe nas operações com os grandes retalhistas e da pressão que exercem sobre os produtores e distribuidores; assim como da sua capacidade aniquiladora dos mais pequenos, quer sejam produtores, distribuidores ou outros retalhistas.

Pessoalmente, cada vez gosto mais de comprar nos mercados e pequenas mercearias.

queijos Mercado de Estremoz

Para além da qualidade, do serviço ter uma cara, de se estabelecer uma relação de confiança e de cumplicidade, surpreendo-me muitas vezes com o preço dos produtos que, pensava eu, só podiam ser mais baratos nas grande superfícies.

Maria e Beatriz no mercado

Todos os sábados, vou ao mercado de Estremoz e à mercearia da D.Anabela na minha Praça.

E, sinceramente, não tenho saudades de hipermercados!

Mercado de Estremoz 2016

 

Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

6 thoughts on “Mercearia

  1. Você tem toda razão. Ás vezes deixo de ir ao varejão dos produtores que temos em nossa cidade por pura conveniência de ter um hipermercado perto do trabalho. Vou me esforçar mais e criar o hábito.
    Bjs

  2. (1) A Frasco de Memórias pode não acreditar, mas eu creio que, para algumas pessoas, a anonimidade é precisamente a principal vantagem dos hipermercados. Ou seja, você pode fazer as suas compras sem ter que falar com ninguém, sem ter que pedir nada a ninguém. Eu conheço pessoas que rejeitam liminarmente qualquer loja que não seja do tipo supermercado, porque as aborrece ter que estar a falar com um empregado.

    (2) As esplanadas são naturalmente uma coisa ótima para quem nelas está instalado, mas não tanto para os peões que passam na rua. Em Lisboa, atualmente (desde que passou a ser proibido fumar dentro dos restaurantes), há esplanadas por todo o lado, estreitando muitos passeios, obrigando os peões a desviar-se, ou a apertar-se, ou a fazerem fila para passar. As esplanadas tornaram-se, de facto, uma praga em Lisboa. (Espero que em Estremoz ainda não!)

  3. Gosto imenso de armazéns e sinto imensa saudades do tempo em que conhecia o vendedor-produtor e recebia na porta de casa o pão e o leite. Cá em São Paulo é um bocado difícil conseguir saber quem produz as coisas que compro, mas eu tento. Na feira, ao menos, é mais fácil porque se pode dar por conhecer a pessoa que lhe vende. Eu não gosto de hipermercados e tampouco das pessoas que o frequentam cá. Parecem estar sempre a comprar o mundo, antes que ele se acabe. aff

    bacio

    • Por cá também são os hipermercados que se impõem e o espírito de encher o carrinho: tanta excesso de produtos perturba-me assim como ter tantas pessoas apressadas à minha volta.
      Infelizmente, em Portugal, o comércio local e a mercearia de bairro estão a ser cilindrados… com todos os inconvenientes que esse desaparecimento acarreta!
      Bacio!

  4. “Gostava que regressássemos às lojas de bairro, a caminho de casa, para as nossas necessidades diárias.”

    Procuro, sempre que posso as lojas de comércio tradicional e de rua, não aprecio os centros comerciais, e as compras cá de casa, de legumes e frutas, são no mercado.
    Já fui adepta dos produtos marca branca, agora, procuro os produtos nacionais .
    Lamentavelmente, fecham-se retrosarias antigas, lojas de ferragens, todo este comércio de rua e simpático, porque os senhorios querem os lojistas fora da suas propriedades, vendem estas, para darem lugar a restaurantes e apartamentos para venda.
    Uma tristeza.

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