“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Bolão de iogurte

Está frio e apetece uma boa fatia de bolo.

Este é um bolo sem presunções, muito fácil de fazer, um clássico em qualquer cozinha.

Adulterei a receita do famoso bolo de iogurte e ficou assim.

Bolo de iogurte transformado

Para um bolo de tamanho normal, é só fazer metade da receita.

2 iogurtes naturais

3 copos de iogurte de farinha de trigo + 1 copo de farelo de aveia + 2 copo de Maizena

4 copos de açúcar mascavado

2 copos de óleo Becel

8 ovos

1 colher de chá cheia de fermento

1- Separar as gemas das claras.

2- Bater as claras.

3- Misturar as gemas com o açúcar e todos os outros ingredientes, deixando a farinha para último.

4- Incorporar as claras em castelo, com muito cuidado.

5- Levar ao forno durante uma hora a 180ºC.

Ajuda a resistir ao frio, com chá ou cacau quente!

Está no limite do mais ou menos saudável e saboroso.

 


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Joy

O que dizer a um filho que sofre por amor?

“_ Lembra-te de que eu estou aqui.

Neste momento, podes não querer sentir nada.

Talvez queiras nunca ter sentido nada.

Talvez não seja comigo que queiras falar sobre estas coisas, mas é óbvio que sentiste alguma coisa.

Vocês tiveram uma amizade bela, mais do que uma amizade.

Eu invejo-te.

A maioria dos pais, no meu lugar, desejaria que o sentimento esmorecesse, para que o filho não sofresse mais, mas eu não sou esse pai.

Destruímos tanto de nós para ultrapassarmos depressa a dor que chegamos aos trinta anos e estamos totalmente esgotados.

De tal forma que temos cada vez menos para dar em cada relação que encetamos.

Mas tentar não sentir nada, para não sentir nada [de doloroso]… que desperdício!

Fui longe demais, filho?

Vou dizer mais uma coisa.

A dor vai aliviar.

Eu posso ter chegado perto, mas nunca tive o que vocês tiveram. Houve sempre algo que me reteve e me impossibilitou.

Tu é que sabes como queres viver a tua vida, mas lembra-te: só recebemos uma vez um corpo e um coração.

Quando damos por nós já não sentimos o coração.

Quanto ao corpo, chega um momento em que já ninguém olha para ele e muito menos deseja aproximar-se.

Neste momento, lamentas, sentes dor. Não a mates. É com ela que está o prazer [joy] que sentiste.”

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Este monólogo do actor Michael Stuhlbarg pertence ao filme “Chama-me pelo teu nome” de Luca Guadagnino.

Um filme sobre o primeiro amor, pleno de sensualidade, intensidade, cheiros, sabores, brisas, risos, brilhos e sombras, texturas, sussurros e arrepios… tal como na primeira paixão.

Um monólogo para interiorizar, no caso de eu ter a sorte de ser confidente do primeiro amor da minha filha.

 


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Os piores

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Tenho uma inveja danada dos que ainda acreditam.

A realidade, tal como eu a vejo, por José Miguel Silva.

-Vingar na vida partidária?

-“Só os piores conseguem […]”

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Feios, porcos e maus – Ettore Scola (1976)

Compram aos catorze a primeira gravata
com as cores do partido que melhor os ilude.
Aos quinze fazem por dar nas vistas no congresso
da jota, seguem a caravana das bases, aclamam
ou apupam pelo cenho das chefias, experimentam
o bailinho das federações de estudantes.
Sempre voluntariosos, a postos sempre,
para as tarefas da limpeza após o combate.

São os chamados anos de formação. Aí aprendem
a compor o gesto, interpretar humores,
a mentir honestamente, aí aprendem a leveza
das palavras, a escolher o vinho, a espumar
de sorriso nos dentes, o sim e o não
mais oportunos. Aos vinte já conhecem pelo faro
o carisma de uns, a menos valia
de outros, enquanto prosseguem vagos estudos
de Direito ou de Economia. Começam, depois
disso, a fazer valer o cartão de sócio: estão à vista
os primeiros cargos, há trabalho de sapa pela frente,
é preciso minar, desminar, intrigar, reunir.
Só os piores conseguem ultrapassar esta fase.

Há então quem vá pelos municípios, quem prefira
os organismos públicos – tudo depende do golpe
de vista ou dos patrocínios que se tem ou não.
Aos trinta e dois é bem o momento de começar
a integrar as listas, de preferência em lugar
elegível, pondo sempre a baixeza acima de tudo.

A partir do Parlamento, tudo pode acontecer:
director de empresa municipal, coordenador de,
assessor de ministro, ministro, comissário ou
director executivo, embaixador na Provença,
presidente da Caixa, da PT, da PQP e, mais à frente
(jubileu e corolário de solvente carreira),
o golden-share de uma cadeira ao pôr-do-sol.
No final, para os mais obstinados, pode haver
nome de rua (com ou sem estátua) e flores
de panegírico, bombardas, fanfarras de formol.

(de “Movimentos no Escuro”)

Fotografias: IGNANT