“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Bolo de iogurte marmoreado

Com as crianças ainda de férias, a alegria, as corridas, os mergulhos, as gargalhadas que só eles dão, continuam.

Continuam também os lanches junto da piscina.

Este bolo é rápido e simples de fazer.

120g de açúcar mascavado

50g de manteiga + 20 ml de azeite

4 ovos

1 iogurte natural

120g de farinha de trigo +100g de farinha integral

1 colher de chá de fermento

100g de chocolate em barra com 80% de cacau

1-Bater o açúcar com as gorduras até obter um creme liso.

2- Juntar os ovos, um a um, batendo sempre.

3- Adicionar o iogurte, a farinha e o fermento.

4- Retirar 1/3 da massa para outra tigela e envolver o chocolate derretido.

5- Colocar as duas massas (a clara e a escura) alternadamente, numa forma de bolo inglês, forrada com papel vegetal.

6- Deixar cozer 45 minutos a 180ºC e fazer o teste do palito, após esse tempo.

Não podia ser mais fácil e é sucesso garantido para um lanche entre mergulhos, com fruta ou duas colheres de iogurte grego.

No bolo da foto, decidi polvilhá-lo com sementes de cânhamo descascadas.

As sementes de cânhamo são muito ricas em proteínas e aminoácidos essenciais. Já as folhas e flores de cânhamo parecem ter outras propriedades que não aconselho…


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Nu

Joan Miró nasceu em Barcelona, em 1893, e descreve a Arte:

“O que importa é pôr a nossa alma a nu. Pintura ou poesia fazem-se como se faz amor: uma troca de sangue, um abraço total, sem nenhuma prudência, nenhuma protecção,…”

Alexandre O´Neill nasceu em Lisboa, em 1924, e creio que acreditava que só o humor nos pode salvar da mesquinhez do quotidiano. Talvez julgasse também que só o amor salva o ser humano da sua pequenez. Provavelmente, acreditava que o humor e o amor rimam muito para lá da fonética.

Em 1960, escreve “O amor é o amor”.

Descreve o sentimento de forma aparentemente infantil, mas na verdade caracteriza-o como sentimento absoluto: “o amor é o amor”. É para ser vivido em liberdade, “sem destino, sem medo, sem pudor”.

E como podemos reflectir sobre o que vem depois? Desconhecemos o futuro de um sentimento que ultrapassa o terreno humano e que toca o sonho – “Vamos ficar os dois/ a imaginar, a imaginar?…”

O amor é o amor

O amor é o amor — e depois?! 
Vamos ficar os dois 
a imaginar, a imaginar?… 

O meu peito contra o teu peito, 
cortando o mar, cortando o ar. 
Num leito 
há todo o espaço para amar! 

Na nossa carne estamos 
sem destino, sem medo, sem pudor 
e trocamos — somos um? somos dois? 
espírito e calor! 

O amor é o amor — e depois? 

Alexandre O’Neill, in Abandono Vigiado

Egon Schiele nasceu em 1890, na Áustria, e foi discípulo de Gustav Klimt. Explorou o corpo humano e, em 1917, pintou “O Abraço”.

Foi ousado e causou escândalo na sociedade vienense.

Também ele “pôs a alma a nu” ao pintar o amor.


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“A gosto”

Agosto inicia-se todos os anos vagaroso e desaparece com salto de lebre.

Não me conformo.

Desta vez, resolvi vivê-lo quase sem planos e demorei o mês inteiro para desacelerar.

No início de Setembro, prometo sempre voltar a respeitar o meu ritmo natural, mas já sei que em Outubro andarei, novamente, em alta rotação.

Desta vez, consegui estar na minha casa-ninho, na Figueira da Foz, e esquecer tarefas e outras responsabilidades por uns dias. Como parei, também sarei feridas de relações desavindas; amores desavindos com os outros e sobretudo comigo. São os que ferem mais.

Consegui focar-me, durante dias, exclusivamente na Beatriz e respirar o vento frio do Atlântico.

Consegui deitar-me no chão e olhar o céu.

Consegui passear em Coimbra com a Beatriz e mostrar-lhe a minha cidade-escola.

Fiquei muito feliz por perceber que o nosso país já não é o Portugal dos Pequenitos.

Consegui manter a calma e aceitar que o meu escritório se transformasse num famoso restaurante, por tempo indeterminado.

Consegui actualizar o álbum de retratos da Beatriz, enquanto as donas do restaurante me preparavam as mais coloridas refeições.

Não consegui que a Beatriz aceitasse o tédio e o aborrecimento como oportunidades para observar e descobrir o que a rodeia, mas não me dou por vencida.

Consegui rever amigos e jantar na Casa Havanesa, na Figueira da Foz, um lugar com muito significado para mim e onde se janta maravilhosamente.

Confirmei que a Terra Estreita é a minha praia preferida e consegui ler na toalha, pela primeira vez em oito anos.

Não estou a conseguir aceitar que o único mês “a gosto” do ano tenha terminado.

Bom reinício!