“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Perder o Sainete

2 comentários

As expressões idiomáticas revelam a criatividade e vivacidade da língua.

O que dizer do pitoresco “armado ao pingarelho…” , “dar sainete” ou o educado “Quanto pagas, se não é indiscrição?”

Com a doentia tendência dos tempos actuais para a padronização, algumas das nossas maravilhosas pérolas estão a desaparecer.

Reencontrei duas na página de Instagram do site Comunidade Cultura e Arte.

Para além deste reencontro com o lado mais expressivo da nossa língua, há referências, nesta conta de Instagram, a pequenas grandes frases de escritores, realizadores, filósofos, intelectuais,…

Um bálsamo para a minha vista, cabeça e coração que não suportam mais o fel destilado noutras redes sociais.

Surgem-me diariamente, no Instagram, autores como Saramago, com as suas reflexões tão verdadeiras e evidentes, mas tão ignoradas.

E até apareço eu, uma vez que este é o meu estado de espírito frequente, no final do dia.

Nota: Um sainete era uma peça dramática de ópera espanhola, de um só acto, com música. Muitas vezes, era colocado no meio ou no final dos espectáculos. O estilo era vernáculo e era muito apreciado entre os séculos XVIII a XX. Mais uma razão, para não deixar o sainete sair da nossa vida!

Autor: Frasco de Memórias

https://frascodememorias.wordpress.com

2 thoughts on “Perder o Sainete

  1. Gostei do Blog. Parabéns! A propósito do assunto “expressões idiomáticas” deivxava-lhe este meu texto de há dias: “Macacos me mordam” se eu gosto da expressão “macacos me mordam”.
    Mais do que não gostar ela irrita-me. Porque na verdade a pergunta impõe-se – “Macacos me mordam” por alma de quem?
    “Por alma de quem”, aliás, é outra expressão que me aborrece…Falar de almas e espíritos sempre “me pôs os nervos em franja” (já irei a esta).
    Mas voltando atrás, para não irritar quem aguarda a explicação ( mesmo que ninguém a aguarde, faz bem ao ego pensar que sim) , qual a origem da pitoresca (mas irritante) expressão “macacos me mordam”?
    Algumas teorias afirmam que essa expressão poderá ter origem numa frase dita pelo Conde d’Eu (Se calhar primo de outro “pronome” qualquer) durante a guerra do Paraguai. Ora o Conde d’Eu foi marido de D. Isabell ( portanto, esposo d`Ela), que era princesa imperial do Brasil. Usou essa expressão para indicar qual seria a consequência caso não derrotasse o líder paraguaio . Usou o termo macacos, de forma racista e incorreta, para se referir aos soldados brasileiros que eram maioritariamente escravos negros (Uff! Que explicação irritante!).
    O que significa, então, “macacos me mordam”?
    A expressão está dicionarizada (não se irritem com o neologismo) com o sentido de aceitar que algo ruim aconteça à pessoa que a diz, caso não faça algo que se comprometeu fazer. Indica, pois, que a pessoa fará um esforço muito grande para cumprir o prometido. Eis um exemplo para melhor compreensão da expressão:
    “Macacos me mordam se eu não for ter com ele e não lhe der uma sova” (convém pensar num inimigo ou inimiga de estimação)
    Agora que entendo melhor a expressão já me irrita menos. Espero que ao leitor nem sequer o irrite.
    Mas entretanto esqueci-me da outra expressão (um facto que também me irrita é este alzheimer precoce …). Escrevi-a em cima, por isso é fácil de a relembrar. Cá está – “por alma de quem…”. Sobre esta expressão não encontro nenhuma explicação ( irritante, não é?). Logo tenho de ser eu a arriscar uma explicação.
    “Por alma de quem” tem semelhanças com ” Por que razão ou motivo”. Por exemplo: “Por alma de quem veio ele visitar-me sabendo que o quero ver pelas costas?”. Parece evidente, e muito compreensível até, mas que é uma expressão estranha e irritante, ninguém duvide.
    “Pôr os nervos em franja” é outra expressão curiosa… e irritante. Quando se tem nervos acima da média é melhor evitar de os “por em franja”. Aliás, a expressão “nervos à flor da pele” – gêmea desta – chegava e sobrava para me irritar. Nervos à flor da pele já é mau. Para quê pô-los também em franja?
    “Franja” – como sabem – é um tufo de cabelo que pende sobre a testa. Daí podermos dizer que “nervos em franja” são nervos que saem do seu estado habitual de repouso e se eriçam ou escamam com certas irritações.
    Pronto, vou acabar, antes que os nervos me fiquem em franja e os vossos “à flor da pele”.

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