“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

O Poema Ensina a Cair

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“A poesia é a distância mais curta entre duas pessoas.” – Laurence Ferlinghetti

Nestes estranhos tempos em que vivemos, quando somos facilmente contaminados pelo vírus do medo, do pânico, da desconfiança, da arrogância, das teorias conspiratórias, das ausências, o que ainda vai fazendo algum sentido na minha vida é o Amor e a Poesia.

Como diz o poeta Ferlinghetti, a Poesia e o Amor (acrescento eu) tornam-nos mais próximos, sobretudo agora que as distâncias são tão concretas e físicas e nós estamos confinados ao difícil interior das nossas paredes.

Interior

Por trás dos muros da nossa casa

Estamos tão juntos que nos tocamos:

O vento é brisa e a brisa é asa.

Por trás dos muros da nossa casa

Todos os frutos ficam nos ramos.

Vivamos, pois, dentro de nós

Deixando aos outros o gesto e a voz.

Este poema de António Manuel Couto Viana foi a escolha de Carlos Vaz Marques para integrar a saudável e salvífica iniciativa do “Poema Ensina a Cair”:

Tenho andado com estes versos a ecoar na cabeça:

“Por trás dos muros da nossa casa

Estamos tão juntos que nos tocamos:

O vento é brisa e a brisa é asa.”

Numa altura em que nos gritam palavras de ordem e em que já domino mais vocabulário epidemiológico do que gostaria, é bom encher os olhos e os ouvidos com os poetas.

Fechar os olhos e sentir o vento que corre no quintal é hoje o meu sublime prazer: “o vento é brisa/ e a brisa é asa”.

São estes raros momentos (e os braços da Beatriz) que ainda me permitem sonhar com asas, tendo em conta as gaiolas onde estamos todos fechados.

Tenho também aprendido muito com o podcast de Raquel Marinho que me transmite as ferramentas possíveis para combater esta que é a verdadeira crise.

Durante tantos anos, enganaram-nos indecorosamente: só agora estamos em crise, pois só agora estão ameaçados os únicos bens que nos interessam verdadeiramente proteger: a nossa saúde e a nossa humanidade.

Acredito que apenas o conhecimento e a bondade poderão ser as armas, as únicas estritamente humanas, que poderão lutar contra esse tal bicho-vírus.

Nunca fizeram tanto sentido os versos do poema de Luiza Neto Jorge:

“O poema ensina a cair

sobre os vários solos […] “

O dia-a-dia da nossa quarentena está aqui.

Autor: Frasco de Memórias

http://frascodememorias.com

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