“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).

Sapiens de ficção

4 comentários

A cusquice permite organizar grupos de 150 indivíduos com relativa facilidade.

Resta saber como é que passámos de tribos com uma organização rudimentar para cidades e países modernos?

Yuval Harari, no seu livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, responde a essa intrigante questão:

“Como foi possível ao homo sapiens ultrapassar o limite de 150 indivíduos?

Como é que o homo sapiens conseguiu fundar cidades com dezenas de milhares de habitantes e impérios com centenas de milhões de súbditos?

Graças à ficção!

Nunca tinha pensado nisso, mas faz muito sentido.

O segredo do nosso sucesso gregário reside na mitologia: um grande número de desconhecidos cooperam bem, se acreditarem nos mesmos mitos!

Não usamos a linguagem apenas para descrever o que se passa à nossa volta, mas também para inventar o que se passa à nossa volta. As ficções cercam-nos, nas suas formas mais saudáveis e artísticas.

Infelizmente, também nos perseguem nas suas formas mais perversas.

Quantas narrativas foram criadas por génios para nosso prazer?

Quantas narrativas foram/são inventadas para nos manipular, dominar, oprimir ou aniquilar?

São questões que continuam actuais.

“Toda a cooperação humana de larga escala depende de mitos partilhados que existem só no imaginário colectivo. Vale para uma tribo pré-histórica, uma cidade antiga, uma igreja medieval ou um estado moderno.

As ficções são instrumentos estruturantes nas religiões, nos estados ou até dos sistemas judiciais, mas é conveniente que não percamos a noção de que são meros instrumentos; não poderemos permitir que nos escravizem. Não teremos, no entanto, já passado essa linha vermelha?

Quantas vezes se confunde a realidade com as ficções que criámos?

Nem tudo é ficção, a realidade existe.

Quando alguém morre na guerra, morre realmente, mas muitas vezes em nome de uma ficção que nos venderam: a defesa de um país, de um povo, ou de um valor moral nobre propagandeado para justificar a violência armada ou opressora (democracia, liberdade, justiça, segurança, saúde,…).

“Como saber se o herói de uma história é real ou inventado?

Pergunta a ti mesmo: este herói pode sofrer?

Uma empresa, por exemplo, não sofre nem quando entra em falência: não tem uma mente, não consegue sentir dor, nem tristeza. Também uma nação não sofre, sequer quando perde uma guerra”, mas um ser humano pode morrer em nome de uma ficção que criaram para ele.

Um ser humano ferido na guerra sofre realmente.

Imagens e citações do livro Sapiens, uma Breve História da Humanidade.

Autor: Frasco de Memórias

http://frascodememorias.com

4 thoughts on “Sapiens de ficção

  1. Ameiiiii o blog. Parabéns pelo trabalho 👏👏👏👏🌹

  2. Interessante! Ainda há pouco eu lia um texto de James Wood a respeito da ficção e da relação que ele encontrou e traçou para com a crença cristã. Ele considera que deus norteia as nossas ações, nos impondo limites, apontando o certo e o errado. A ficção apenas nos lembra que existe liberdade para tudo e é mais fácil habitar o mundo que ela nos oferece.

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