“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Bolachas de passas e aveia

Voltámos a fazer bolachas, a fim de evitarmos os ataques disparatados às bolachas de pacote.

Ingredientes:

200g de flocos de aveia triturados como farinha

100g de farinha de trigo

100g de farinha de trigo integral

2 colheres de chá de fermento em pó

100g de amêndoas trituradas como farinha

160g de açúcar mascavado

120g de passas (80g trituradas e 40g inteiras)

1 colher de sopa de essência de baunilha

6 colheres de sopa de azeite ou de óleo de coco

1- Juntar as farinhas (de aveia, trigo e amêndoa), o açúcar e o fermento.

2- Adicionar o puré de passas, a baunilha e o azeite.

3- Envolver até ter uma massa moldável e adicionar as passas inteiras.

4- Esticar com o rolo da massa e cortar as formas pretendidas.

5-Dispor num tabuleiro forrado com papel vegetal.

6-Levar a forno quente a 180ºC, durante 20 minutos.

As bolachas da imagem foram feitas para a minha Mãe.

Como não são muito doces, polvilhei-as com Canderel para ficarem com um aspecto mais apetitoso e enganarem uma Avó gulosa!


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Bolo de laranja com cacau

A Beatriz continua a fazer os bolos cá em casa.

Entrámos agora no perigoso mundo dos recheios e coberturas.

Este bolo de laranja é mesmo maravilhoso.

Ingredientes:

4 ovos

2 laranjas grandes (sumo, polpa e raspa)

2 chávenas de farinha de trigo com fermento

1 chávena de açúcar amarelo

Este bolo tem poucos ingredientes e não exige balança, duas vantagens muito práticas que permitem que uma criança o faça quase sozinha. A única dificuldade é separar as gemas das claras: a Beatriz ainda não é exímia nessa operação.

Preparação:

1- Bater quatro gemas com o açúcar;

2- Juntar o sumo, a polpa e a raspa das laranjas, intercalando com a farinha.

3- Envolver as claras (batidas em castelo) ao preparado anterior e colocar numa forma coberta com papel vegetal untado com manteiga.

4- Levar ao forno aquecido a 180ºC, durante 25 minutos ou até o bolo estar cozido.

A cobertura resultou de uma invenção inspirada nos brigadeiros, mas ficou muito boa.

4 colheres de sopa de leite condensado

6 colheres de sopa de cacau puro

1 colher de sopa de manteiga

4 quadrados de chocolate de leite (impulso do último momento e que é opcional)

Derreti a manteiga e misturei o cacau em pó; de seguida, misturei o leite condensado, envolvi bem todos os ingredientes e coloquei em lume muito brando até começar a ferver. Nunca parei de mexer, pois pega-se com facilidade. No final, juntei o chocolate que acaba por derreter na mistura.


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Renascer

2020 constará dos livros de História.

Espero que escrevam que fomos resilientes, corajosos e solidários.

Neste lento e prudente desconfinamento, parece que já nem sei como vestir-me.

Sonhava com um Verão com aquele cheiro doce a dunas e saturado de cores solares.

Mas este Verão vai ser diferente.

Enquanto a Natureza rejubila com os dias mais longos, o sentimento geral dos humanos é de apreensão.

Por aqui, talvez venha a ser a roupa sóbria a vestir esta estação.

Pode ser que ainda vá a um cetim mais festivo, se entretanto o mood do universo mudar e o tal do “bicho” nos der uma trégua.

De outra forma, venha o algodão e o linho.

Ou venha um top assim de uma só manga, mas de outra cor que ficará a matar com qualquer saia de linho.

O básico vestido preto vai, certamente, passear a uma esplanada. De facto, para manter a minha estabilidade mental, faz-me muita falta a esplanada. Andei instável, durante estas semanas de toupeira.

Passo tranquilamente o dia em casa, se puder ir beber café e apanhar 10 minutos de sol.

As esplanadas, como são ao ar livre, parecem-me uma opção muito segura para apanhar ar entre horas de confinamento.

Havemos de celebrar, em breve, despidos de máscaras. Os modelitos já estão escolhidos e têm interferências de várias estações, para se adaptarem melhor ao momento em que finalmente o Covid 19 seja apenas uma triste memória da nossa história individual e colectiva.

Como não me apetece andar a passear pelas colecções de Verão, fui ao Pinterest. Desconfio que vou andar muito contida nos meus impulsos consumistas…


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Repensar a casa

Ao passar tanto tempo confinada, apercebo-me de que a casa precisa de muita atenção e de modificações.

Tenho alguns projetos de carpintaria adiados, porque em Estremoz os carpinteiros são um caso sério; parece impossível, mas estou há mais de três anos à espera de um carpinteiro. O segundo carpinteiro que contactei veio cá, depois de um ano de insistência, e palpita-me que agora vai desaparecer mais dois anos.

Para além disso, tenho uma grande dificuldade de visão de conjunto, portanto, os espaços grandes assustam-me e não consigo torná-los acolhedores. Será porque sou uma pessoa fisicamente pequena?

Quando vivíamos na casa pequenina, a decoração foi tão fácil. Em poucos meses, ficou uma casinha de bonecas mimosa e acolhedora.

Nesta casa grande, é tudo mais difícil.

O blog Forma Plural, da muito inspiradora Helka, dá-me muitas ideias e foi através dos seus posts que fui até ao site Domino.

Confirmei algumas ideias:

Faltam-me mais prateleiras nas paredes da cozinha.

Queria fazer uma prateleira de memórias passadas (e futuras) ligadas ao vinho: garrafas vazias que ficaram na minha história e outras garrafas, cheias, que construirão a minha memória futura.

O meu escritório-biblioteca está tão a meio que parece uma sala multiusos. E é! Aqui acontece de tudo, mas está na hora de dar-lhe uma orientação.

A secretária já está feita (pelo carpinteiro que entretanto desapareceu), assim como algumas prateleiras, mas ainda não as pintei de branco.

A zona de lazer continua a meio.

Falta ainda decorar um dos quartos da casa.

É um closet com cama, para dizer a verdade, mas tem de ficar mais bonitinho para acolher os nossos hóspedes.

O patamar também precisa de ficar bem mais acolhedor.

Todas as imagens foram retiradas do blog Forma Plural e do blog Domino.


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Bolo de cacau puro

A Beatriz autonomizou-se como pasteleira e eu sou uma cobaia cada vez mais feliz.

Este bolo de cacau é pouco elaborado e o resultado é garantido: é o bolo ideal para uma criança fazer quase sozinha.

A receita que se segue resulta da adaptação de uma receita velhinha da Avó Silvana que fazia muito sucesso nos almoços de família.

Ingredientes:

350g de farinha de trigo com fermento

300g de açúcar

2dl de óleo vegetal

150g de cacau puro (a Avó Silvana usava Suchard Express)

5 ovos médios

1 chávena de água quente para misturar no final

1- Batem-se os ovos com o açúcar, o óleo e o chocolate até a mistura estar homogénea.

2- Junta-se a farinha, mas sem bater em excesso.

3- Lentamente, acrescenta-se a água quente.

4- Coloca-se numa forma untada e vai a forno quente, 180ºC, durante 40 minutos.

Para nós a receita termina aqui, mas a Avó Silvana ainda colocava a seguinte calda bem quente por cima do bolo. De facto, faz a diferença entre um bolo bom e um bolo extraordinário, mas eu não me permito fazê-la.

Não consigo abstrair-me das calorias que sobrecarregam assim o bolo e que iriam sobrecarregar-me para sempre o sobrolho, no momento em que saltasse para cima da balança, …

Ingredientes para a calda:

1 colher de sopa de manteiga;

2 colheres de sopa de chocolate em pó;

6 colheres de sopa de açúcar;

6 colheres de sopa de leite

Dissolvem-se e fervem-se estes ingredientes, antes de colocar a gulosa calda por cima do bolo ainda quente.

Claro que, antes de saber como se fazia o famoso bolo de chocolate da Avó Silvana, procurava as partes humedecidas do bolo, para assim me deliciar.

Moral da história: há sobremesas que é preferível desconhecermos como se fazem, sob pena de não conseguirmos reproduzi-las com a mesma leveza.


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Depois do beijo

Miki Rofu, poeta simbolista, nasceu em 1889, no Japão.

Escreveu este poema:

Depois do beijo

“Adormeceste?”

“Não”, dizes.

Flores em Maio

Florindo ao meio-dia.

Na relva junto ao lago,

Ao sol,

“Podia fechar os meus olhos

E morrer aqui”, dizes.

Em 2020, a alemã Ezgi Polat escreve, filma e fotografa o Amor.

O Amor íntimo e cúmplice, mas também com contradições e perdões.

As mais belas fotografias são aquelas que contam histórias e eu fiquei com uma vontade danada de ouvir os segredos que estes dois trocam enquanto fumam um cigarro:

“Podia fechar os meus olhos

E morrer aqui”, dizem.


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Pão doce

Durante o confinamento, não me rendi à pãodemia da Filipa Gomes, embora prometa sempre que vou experimentar o pão da panela, quando vejo este vídeo.

A verdade é que o o pão alentejano é tão bom que não senti necessidade de colocar as mãos na massa.

Enfim, também sou mais bolos e, por isso, contribuí, de outra forma, para o fim das reservas do fermento granulado nas lojas: optei pelos pães doces.

Fi-los na Páscoa e repeti, porque são os melhores pães de leite que já comi.

220g de leite

11g de fermento granulado

60g de açúcar amarelo

60g de manteiga

500g de farinha de trigo

1 ovo grande

1 colher de chá de sal

(Decoração: 1 ovo e 20g de leite)

1- Misturar, numa taça, o leite (apenas morno) com o fermento e mexer durante dois minutos.

2- Acrescentar, aos poucos, a farinha, o ovo, a manteiga, o açúcar amarelo e o sal e misturar bem.

3- Tapar com um pano e deixar fermentar num local agradável (sem correntes de ar), durante uma hora.

4- Numa superfície enfarinhada, cortar a massa em pedaços iguais e formar rolos.

5- Enroscar os rolos em forma de caracol (ou outra à escolha) e colocar num tabuleiro de forno, forrado com papel vegetal.

6- Para a decoração, misturar a gema de um ovo com 20g de leite e pincelar os pães no tabuleiro.

7- Deixar levedar durante mais 45 minutos e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC, durante 20 minutos.

Adaptei a receita daqui por sugestão da minha mãe que sabe que tem duas formiguinhas que nunca dizem que não a um desafio que envolva ovos e açúcar. Demora o seu tempo a concretizar mas, depois de comer estes pãezinhos, vai ser muito difícil voltar a comer um pão de leite de padaria.


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Louco

valter hugo mãe chama-me sempre à razão, mesmo quando eu estou cheia de mim como, por exemplo, no caso da eutanásia ou do discurso de Ramalho Eanes, ou quando hesito e estou sem saber bem o que pensar.

No caso deste texto, estamos em total sintonia.

poema sobre o amor eterno

inventaram um amor eterno. trouxeram-no em braços para o meio das pessoas e ali ficou, à espera que lhe falassem. mas ninguém entendeu a necessidade de sedução. pouco a pouco, as pessoas voltaram a casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no chão. não estava desesperado, nada do que é eterno tem pressa, estava só surpreso. um dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas e, por ocupar muito espaço, o amor eterno deslizou para fora da praça. ficou muito discreto, algo sujo. foi como um louco o viu e acreditou nas suas intenções. carregou-o para dentro do seu coração, fugindo no exacto momento em que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar

valter hugo mãe, in ‘contabilidade’

Fotografia da polaca Sonia Szostak.


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Canção dos adultos

22:00h

Criança -Vamos conversar sobre quê?

Adulta – Sobre o João Pestana. Já está nas portas da cidade.

Criança – Não me enganas! Vamos falar! Então, quando é que aprendeste a ser adulta?

Adulta – Adulta?! Eu? Hum! Deixa ver… talvez blablabla… viver sozinha… blablabla… estudar fora… resolver situações difíceis… blabla…

Zzzzzz!

Insónia- Olá, Adulta!

Esta fé nos adultos é a maior fantasia que perpetuamos na imaginação das crianças; bem mais ilusória do que o Pai Natal ou o Coelhinho da Páscoa.

Não temos alternativa, seria insuportável surgir neste planeta pequeno e vulnerável e saber a verdade: estamos cercados por criancinhas com mais de 1,50m e muitos deles dirigem o mundo! Criancinhas que erram e estragam, mas cujos atos provocam consequências bem mais graves do que partir um carrinho, espremer o gato num abraço ou mentir à mãe.

Manuel António Pina respondeu com mais sinceridade do que eu à questão “Quando é que aprendeste a ser sdulta?”, em 1983, no livro O pássaro na cabeça.

“Parece que crescemos mas não,
somos ainda do mesmo tamanho.

As coisas que à nossa volta estão

é que mudam de tamanho.


Parece que crescemos mas não crescemos,

foram as coisas grandes que há,

o amor que há, a esperança que há,

que ficaram mais pequenos.


Estão agora tão distantes

que às vezes já mal as vemos.

Por isso parece que crescemos

e somos maiores que antes.


Mas somos ainda como dantes,

talvez até mais pequenos

quando o amor e o resto estão distantes

que nem vemos como estão distantes.


Julgamos então que somos grandes

e já nem isso compreendemos!”

A fotografia é da madrilena Elena del Palacio.


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A saudade rói os ossos

A escritora brasileira Líria Porto descreve o que estamos todos a sentir: saudade.

durante a tua ausência
deitei-me do outro lado
dormi de rosto colado
com a tua fronha

a saudade é uma doninha
a saudade é uma toupeira
ela rói dentro e fora
rói os ossos rói o peito
o corpo os sentimentos
a saudade rói os sonhos

e mostra os dentes

Não é nada fácil resistir a este bichinho roedor, embora saibamos que os valores que nos motivam ao autoisolamento voluntário são os mais nobres.

A Páscoa chegou num tempo fora do calendário.

Estamos adiados.

Pela Beatriz, esforço-me por assinalar alguma excepcionalidade nos fins-de-semana e datas célebres.

Pela Beatriz, desenhámos coelhos, fizemos bolos e organizámos uma caça aos ovos.

Mas a tristeza está na cara dos poucos que passam na rua e a saudade dos que amamos e que estão tão longe “rói os ossos ” e “rói o peito”.

Gritou-me o meu vizinho da janela: “Temos de estar arrecadados!”.

Oxalá aprendamos a nunca adiar os verdadeiros encontros quando tivermos de novo oportunidade; oxalá nunca mais permitamos que as urgênciazinhas do dia-a-dia se sobreponham aos abraços que ficamos a dever aos nossos amigos e família.

É o meu desejo de Páscoa.

Em sintonia com a celebração cada vez mais oportuna do homem que se superou, renovou e renasceu, há mais de 2000 anos.

Uma Páscoa Feliz!