“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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6 anos

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as meninas

as minhas filhas nadam. a mais nova
leva nos braços bóias pequeninas,
a outra dá um salto e põe à prova
o corpo esguio, as longas pernas finas:
                                                                                                                                                                                       .
entre risadas como serpentinas,
vai como a formosinha numa trova,
salta a pés juntos, dedos nas narinas,
e emerge ao sol que o seu cabelo escova.
                                                                                                                                                                                       .
a água tem a pele azul-turquesa
e brilhos e salpicos, e mergulham
feitas pura alegria incandescente.

                                                                                                                                                                                       .

e ficam, de ternura e de surpresa,
nas toalhas de cor em que se embrulham,
ninfinhas sobre a relva, de repente.

Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos

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as minhas filhas nadam. a mais nova
leva nos braços bóias pequeninas, […]
                                                                                                                                                                                       .
a água tem a pele azul-turquesa
e brilhos e salpicos, e mergulham
feitas pura alegria incandescente.”
 ♥
Saíste de repente da piscina.
Aquelas pernas esguias não são tuas.
São aquelas rechonchudas saltitantes.
Não, não são; és a menina da frente!
Cresceste.
Sou Mãe da menina da frente.
Enrola-te no meu colo, ninfinha.
Encolhe as tuas pernas esguias.
Ilustrações: Dominique Fortin.
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Brincar

-Mãe, não queres brincar comigo?

-Só um bocadinho… agora não posso.

-Mas queres brincar comigo?

-Quero, claro!

(Ui, parece-me que menti…)

Gosto de ver filmes infantis, gosto de passear e ir ao mercado com a Beatriz, gosto de ler livros infantis, gosto de ir para a cozinha com ela e ficar com farinha no tecto, mas não gosto de brincar.

Custa-me!

“Agora tu és a Elsa e eu sou a Ana e tu lanças gelo das mãos para fazer bonecos de neve!”

“E depois… pegas no biberon e dás o jantar ao bebé.”

Socorro!

Brincar não é divertido; por algum motivo deixamos de fazê-lo aos 10 anos!

 

Nos dias em que me esforço muito, tento arranjar qualquer coisa que também seja um bocadinho menos penosa para mim e (verdade mesmo!) que entretenha e envolva a Beatriz durante algum tempo.

Fizemos um carro com muitos botões, muitas funcionalidades e cheio de pormenores laterais desenhados e colados pela Beatriz (durante largos minutos!).

carro de cartãoE que me destruiu  as costas em 10 corridas pela casa!

Construímos um teatro de dedoches.

Teatro de dedoches

dedoches

Teatro de dedoches em ação

As fotografias revelam que o investimento foi mais da Beatriz do que meu, não é?

Depois dos meus parágrafos iniciais acho que estou desculpada…


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Tranças

Há 12 anos, a minha Avó, na sua frontalidade, informou-me de que eu “já não era menina de tranças”.

Ainda insisti e, durante a gravidez, fiz duas trancinhas, mas agora, anos passados, lembro-me da frase da minha Avó.

Só nas férias ou num fim-de-semana de auto-estima em alta, consigo entrançar-me.

Felizmente, há uma cabecita disponível e que é, justamente, “menina de tranças”.

O penteado de eleição é este; numa versão com elásticos coloridos e mais simplificada.

trancas-de-india-prosecco-and-plaid

É fácil de fazer, mantém-se impecável e afasta a franja comprida dos olhos.

trancas-prosecco-and-plaid-1

trancas-tutorial-prosecco-and-plaid

trancas-tutorial-prosecco-and-plaid-2

Agora falta fazer a versão de adulto.

trancas-de-india-adulto-prosecco-and-plaid

Sabem onde arranjar elásticos transparentes?

As fotografias e a explicação do bem entrançar estão no blog Prosecco & Plaid.

O testemunho de outra avó:

“A minha avó dizia-me que, quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se podia deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.”  Paola Klung.

 


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Grande

Ir além

A minha filha está grande!

Ainda tem, por vezes, olhos de bebé… ou serão os meus olhos?

Ir além 2

– Cada vez mais bonita!

– Como a Branca de Neve! – diz ela.

– Sim, por dentro e por fora!

Acabaram as birras: uma fase terrível e difícil do nosso Amor.

E começou uma etapa em que o meu coração se ilumina ao ouvi-la usar palavras nunca pronunciadas:

“começo a recuperar memórias”

“obviamente”

“excepto…”

É… talvez o bebé dependente esteja a desaparecer, mas ando encantada com a “pessoa” que está a nascer!

Apesar dos desafios continuarem!

 

 

 


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Setembro

O Agosto passou e cumpriu as promessas!

Desliguei!

Sem notícias tristes do mundo, só com as malas de viagem, o coração cheio, música, verde, sol e mar é impossível não ser feliz.

Passei por aqui, de vez em quando e nunca abri o computador.

Como a Internet me desconcentra!

 

Andei 1 mês em viagem (nem tanto geográfica!) – talvez tenha feito escala em Estremoz durante 3 dias…

A nossa roupa ainda cheira a outra paragens!

Bilbao

S. Jean pied port

E foi mesmo retemperador passar 31 dias colada à minha grande companheira de viagens!

xadrez marciac kids

Assim mesmo non-stop!

Mãe e filha

Todas matchi-matchi!

Com tempo para apanhar flores pelos caminhos.

fada das flores dos caminhos

Com tempo para dar 100 mergulhos!

mar

Até ao pôr-do-sol!

praia cabo mondego

Com tempo para repor os abraços que os meses de trabalho nos roubaram.

beijinhos de mar 2016

E agora quem é que quer voltar à rotina?

 

 

 


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Queimar

Quando o Alentejo aquece, torna-se insuportável sair de casa.

Estremoz pelourinho

O calor limita o nosso dia-a-dia mais ainda do que o Inverno.

Ou rebolamos como a Branquinha.

Branquinha

gatinha a rebolar

Ou mergulhamos como a Peppa.

Peppa a mergulhar

Ou fazemos gelados e sorvetes.

Gelado de melancia Linda Lomelino

E ansiamos pelo momento de rumarmos para o azul do litoral ou para o verde do norte.

Já só faltam 10 dias!

 

 


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Universos

Se a cabeça de cada adulto é um mundo, com países luminosos e floridos, mas também com becos muito sombrios;

a cabeça de cada criança é mesmo outro universo.

Com planetas azuis e de muitas outras cores, feitos de algodão doce e flores de açúcar, mas geralmente sempre em rotação acelerada.

Planetas com muitos animais macios, que falam e precisam de abraços e de se alimentar com minúsculas cenouras e maçãs de plástico.

JULIA POTT

À noite, estes planetas giram mais lentamente, num céu muito estrelado.

No correr dos dias, quase me esqueço da dimensão deste universo tão diferente do meu e onde as horas e os dias não obedecem a relógios nem a lógicas racionais.

Um universo onde eu tenho o privilégio de ser convidada a entrar:

-Mãe, estás a tomar banho sozinha? Oh!

Vou buscar uns bonecos para tu brincares enquanto tomas banho: o Ruca e o pato; queres?

juliapott_bath–  ???!!! Quero, obrigada!

Ilustrações Julia Pott.


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CoSleeping

Snezhana Soosh

Entre a primeira versão do pai rechonchudo ou a segunda, opto, muitas vezes, no correr dos dias, pela primeira.

Numa altura em que filhos (e pais!) têm de ser perfeitos e encaixar nos perfis, percentis e metas e certezas esperados para a idade, cada vez tenho mais vontade de “mandar tudo às urtigas” e gritar “respeitem o ritmo de cada criança e a intuição dos pais”.

Que mundo acelerado e cheio de objectivos a cumprir!

Às vezes dou por mim com a ansiedade que imagino que seja vivida por um atleta de obstáculos… em vez de gozar cada fase da vida que nunca mais se repete.

Snezhana Soosh 2

Ora, nestes obstáculos que crianças e pais têm de ultrapassar (e há uma check list bem grande para cada idade), há um especialmente polémico: o Cosleeping.

Mais não é do que o nome pomposo (em inglês, pois claro!) do que o que se fez toda a vida e se chamou “dormir no quentinho dos pais”.

No meu caso, é uma questão de CoSurviving ou CoSerenity.

Cada família tem as suas dinâmicas, regras e afectos, mas dormir com os pais pode ser muito retemperador para os filhos (e para os pais!) que assim o desejem.

A nós, reequlibra-nos, especialmente nas ausências demasiado prolongadas dos dias agitados.

Às vezes, fico com a luz acesa a ver a imagem, em versão anjo,  que mal fixei durante o dia; outras, deixo-me embalar com a cadência da respiração pequenina; outras ainda, fico a pensar que, com a pré adolescência cada vez mais precoce, já não terei muitos anos desta doçura.

E eu quero aproveitar tudo enquanto a tenho no ninho.

Até concretizar as palavras de Rubem Alves:

“Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira… Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…!”

Durmam bem!

Ilustrações Soosh.


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Gratidão

Li no blog Eu não sou os outros uma ideia que pretendo concretizar com a Beatriz: construir um caderno de gratidão que reúna os melhores momentos da semana.

Focar o lado positivo da vida é um treino: como se sabe, nem sempre as pessoas mais felizes são aquelas que têm vidas mais fáceis.

E eu quero que a Beatriz seja Feliz!

Obrigado a todos capa

O livro Obrigado a todos que trouxemos da Biblioteca é um bom início para o exercício Be Positive!

Obrigada a todos p1

Para além de ter a ideia construtiva e verdadeira de que aprendemos com todas as pessoas que nos rodeiam!

 

Obrigada a todos p2

Obrigado a todos p3

Obrigada a todos p4

Obrigado a todos p5

Obrigado a todos p6

Salienta, de uma forma acessível, que a oportunidade de aprender é a maior bênção que devemos agradecer todos os dias!

Obrigado a todos p7

Escrito por Isabel Minhós Martins.

Ilustrado por Bernardo Carvalho.

Editado por Planeta Tangerina.

 

 


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A casa que voou

A T. desenha casas e ofereceu-nos este livro.

capa a casa que voouA Beatriz já sabe que há casas com rodas, mas não sabe que há casas que, inesperadamente, podem ganhar asas e voar.

Mas a verdade é que pode acontecer.

Têm olhado para o céu ultimamente?

a casa que voou pag 2

Muitas vezes nós voamos com elas e recomeçamos a vida noutra latitude, mas também pode acontecer a casa levantar voo sem nós.

a casa que voou pag 1

Só nos resta tentar solucionar a questão pelas vias que conhecemos e que prometem resolver todos os nossos problemas: gabinetes e repartições de apoio ao cidadão.

a casa que voou pag 4

a casa que voou pag 3

E quando não conseguimos resolver-nos pela via burocrática?

Reflectimos se não haverá um sentido no voo da casa…

Não será melhor acompanhá-la?

a casa que voou pag 5

Não poderá a casa mudar a nossa vida?

Não nos transmite mensagens que nem sempre queremos ouvir?

Davide Cali escreve um livro com duplas leituras.

A Beatriz fica a desejar que a nossa casa voe.

Eu, especialmente sensível ao tema da casa-lar, fico a pensar…

As ilustrações são da premiada ( na Feira do Livro de Bolonha, 2014) Catarina Sobral!

A editora: Planeta Tangerina.