“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Desnorte

Ser anónimo e estar longe dos que nos conhecem desde sempre pode ser libertador mas, a longo prazo, provoca-me um desnorte, que fico extremamente sensível a imagens que me abalam e transportam, como um raio, para esse vazio chamado saudade.

A minha prima apareceu-me assim.

 

Com o cheiro a tabaco, a pastilha elástica e a perfume.

E eu fiquei nesta saudade.

” [A saudade é] caracterizada por uma duplicidade contraditória:

é uma dor da ausência e um comprazimento da presença, pela memória.

É um estar em dois tempos e em dois sítios ao mesmo tempo, que também pode ser interpretado como uma recusa a escolher:

é um não querer assumir plenamente o presente e o não querer reconhecer o passado como pretérito. […]

é um sentimento complexo, mesclado, doce-amargo, pouco propício à acção, e não deve ter contribuído pouco para que a personalidade portuguesa apareça a observadores estrangeiros como desnorteante e paradoxal.

A saudade está ligada ao apego que se criou aos sítios, aos tempos e às pessoas que ficaram distantes.

E é uma característica do amor à portuguesa, que parece comprazer-se na distanciação.”

António José Saraiva, A Cultura em Portugal: Teoria e História

 

 

 


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Cool Lemonade

Sheila é a autora do blog mais cool que conheço, o Cool Lemonade.

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O tempo aqueceu e eu só me lembro da Sheila, cheia de cor e de estilo e com um ar tão fresco e bronzeado.

yellow-dress-cool-lemonade

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cool-lemonade

No Inverno, não me identifico com o estilo dela, mas no Verão vestiria qualquer um destes outfits com todo o prazer.

E este sorriso, também.

Dou por mim, pálida, carrancuda e a suspirar vezes demais.

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Saar

Através do Instagram tenho descoberto blogs maravilhosos;

é oficial, os blogs são a minha plataforma favorita – não se publica ao “correr da pena”, há espaço para a reflexão e interação; é um espaço que respira.

Descobri o Saar Manche e fiquei super orgulhosa de apresentá-lo à melhor especialista na área que conheço, a Teresa.

É um blog para abrir e ficar.

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A minha dificuldade consiste em perceber onde terminam as fotografias e começam as ilustrações.

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São os filhos que são ilustrados ou são as ilustrações que inspiram a vida?

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Muito inspirador e retemperador numa altura de rapidez e virtuosismo sem alma.

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Vais sair assim?

– Como é viver no Alentejo?

Temos de adaptar-nos.

Um exemplo bem prosaico:

  • não se sai de casa de sapatilhas/havaianas, camisolão e cara lavada – o que exigiu adaptação por parte de quem nasceu perto da praia.

Já tentei ignorar esta premissa, mas a última vez que o fiz, só para ir ali num instante, entrei em casa a dizer:

– Tinhas razão!

O comentário espontâneo, mas pouco simpático, da vizinha ainda suportei, mas o cartão de visita que um senhor nas Finanças insistiu em dar-me ultrapassou os meus limites.

Nem que seja para ir ao pão, a alentejana sai sempre com um ar composto… quer seja à Segunda-feira, quer seja ao Domingo de manhã.

Uma excelente desculpa para ir às compras!

maxidress free people jumpsuit free people jeans levis free people chapéu free people casaco free people anel free people

all stars free people

Peças em namoro no Free People, uma loja gira gira de que a minha prima me falou!

minivestido free people

 

sapatos free people

 


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Sicerely Jules

A Teresa é minha amiga, é minha prima do coração e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Julie é muito cool.

Às vezes demasiado cool para alguém como eu que corre demais  e que passou os últimos quatro anos com manchas de papa nos vestidos e com o cabelo “como podia ser e como ele queria ser”.

blusa rosa 2015

Agora, aos poucos, há dias em que volto à Julie e lembro-me da minha prima.

flowergirl coroa de flores

E suspiro por este vestido branco!

flowergirl

E por este estilo todo!

calções 2015

marino 2015

Aparentemente tão simples mas cheio de pormenores que fazem a diferença!

chapéu de praia

E sugestões inspiradoras.

óculos de sol 2015

vernizes 2015

É mesmo cool!

 


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Design Sponge

A Teresa é minha amiga, é minha prima do coração e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Design Sponge foi um dos primeiros que partilhámos mas, com tantas mudanças de casa e com a minha mania de apontar informações importantes no primeiro pedaço de papel que me aparece pela frente, andou desaparecido durante meses.

Tem tantas rubricas diferentes que merece mesmo ser explorado com calma!

Desde dicas para mulheres que querem impulsionar o seu negócio, até DIY, ou dias inspiradores de mulheres cativantes, encontramos muita informação cuidada e realmente interessante.

chelsea-fuss- Design sponge

Pelo meu percurso de vida, que me tem obrigado/desafiado a inúmeras mudanças, tenho uma fixação pela rubrica: Before & After.

Um sótão assustador transforma-se:

sótão antigo para recuperar design sponge

Tratou-se da estrutura e aproveitou-se mobília antiga.

sótão recuperado como quarto design sponge

sótão escritório design sponge

E é sempre esse o espírito das transformações; até no quarto das crianças.

mesa velha recuperada para crianças

cozinha de criança recuperada

Um blog para explorar e um pretexto para assaltar sótãos de família e feiras de velharias.

E ainda encontramos olhos como estes e uma coleira de sardinheiras.

cão para a Teresa


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Dívidas

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

São muitos os blogs que partilhamos e, numa altura de tirania antitabágica, fui eu que lhe apresentei a Terceira Noite, do Professor Rui Bebiano.

Identificação imediata!

O Professor Rui Bebiano foi meu professor há… vinte anos (!), na Faculdade de Letras e, por isso, refiro-me ao Professor Rui Bebiano como Professor. Para sempre.

Gostei e recordo-me dos professores do Ensino Secundário, mas foi na Faculdade que nasceu, em mim, o verdadeiro deslumbramento pelo Professor.

Provavelmente, porque foi só nessa altura que tive consciência de tudo o que não sabia sei e que verdadeiramente me maravilhei com o Conhecimento.

E foram vários os professores que me mostraram a inteira dimensão do mundo que eu tenho para descobrir.

No blog, o Professor Rui Bebiano analisa os nossos dias, fala-nos de literatura, cinema, filosofia, política,… do Homem.

E eu continuo a sentar-me na mesa da frente do anfiteatro da FLUC e a escutá-lo.

Dois excertos:

blog Rui Bebiano

A leitura e o futuro

«Enquanto houver livros para ler sei que não terei um momento aborrecido na vida. Só isto basta para lhes dever muito.» Com esta frase, com a qual rematou uma crónica recente sobre livros e livrarias, José Pacheco Pereira lembrou uma atitude que, apesar de viver uma fase de recuo, continua a marcar profundamente a experiência coletiva e a de muitos de nós. Refiro-me à prática da leitura como momento de enriquecimento pessoal, enquanto fator de conhecimento e de prazer, mas também ao seu uso como instrumento de liberdade, devido à capacidade que oferece para treinar a imaginação, abrir possibilidades e ajudar a construir uma consciência crítica do mundo. […]

 

O som do silêncio

Numa crónica publicada em 2003, Manuel António Pina recordava aquela que era, para Walt Withman, a estreita relação entre o autor e quem o lê: «O leitor sabe que, quando é de noite, estamos ambos sós.» Depois de lembrar a afirmação do poeta nova-iorquino, Pina continuava com as próprias palavras: «Só nos livros são possíveis ainda a noite e a solidão, em tempos de holofotes por todos os lados. E quanto os homens precisam de solidão, de se escutar a si mesmos na numerosa voz dos livros! E, em tempos como estes, barulhentos e estridentes, de silêncio!» Pouco mais de uma década depois disto ter sido escrito, o ruído não cessou de aumentar e são cada vez menos os que compreendem a necessidade da leitura imersiva e solitária que nos faça pairar por instantes na cápsula do tempo. Permitindo, como no intervalo de uma competição desportiva ou de uma tarefa difícil, que ganhemos força para prosseguir a jornada. Para não perdermos o norte enquanto tudo em redor acelera. Para não nos deixarmos cegar frente ao excesso de luz. Para que a razão não soçobre perante a estridência, deixando à solta o pior de nós.

E agora vou desligar esta luz e vou ler.

Porque não posso perder o norte.

Porque não quero cegar.

Porque não quero deixar à solta o pior de mim.