Frasco de Memórias

“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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F***it…

A Teresa é minha amiga, é minha prima do coração e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Este blog seduziu-me logo através do nome F***it… Going to New York!

Há dias em que estas duas primeiras palavras me sacodem o espírito mais do que eu gostaria de admitir.

É a vida!

São os outros!

Somos nós!

F***it… Going to New York!  faz-me querer emigrar para esta cidade silenciosa e limpa, que só existe nesta plataforma.

FIGTNY Edifício branco

FIGTNY_white dress

Na minha cidade, a indumentária ainda muda de cor consoante o estado de espírito, mas nesta Nova Iorque depurada a roupa transforma-se ao ritmo da arquitectura.

FIGTNY Edifício cinza

FIGTNY_Grey dress 2018

FIGTNY_white and grey

Com cores, texturas e formas que ajudam a manter o foco!

FIGTNY Edifício branco e preto

FIGTNY_black dress

FIGTNY_ Black dress 2018

FIGTNY_bigblackdress

Todas as imagens FIGTNY.COM

 

 


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Andar

Pillery_Teesalu_Imperfect_reflection_

-Queres andar comigo?

-Quero!

Estávamos no final dos anos 80 e era o início da minha primeira história de amor.

Eu tinha 14 anos, era bem-comportada e observadora.

Ele tinha 15 anos, era um moreno bonito, meigo, repetente e já fumava.

Queríamos “andar” um com o outro e, na inocência instintiva da adolescência, éramos lúcidos.

Poucos meses depois, descobri que ainda tinha muito para observar e que não queria “andar”.

Disse-lhe, ele ficou triste, disseram-me que bebeu demais nessa tarde, como qualquer adolescente magoado dos anos 80.

Mais tarde, a adolescência ficou para trás e gritaram-me que os adultos não “andam”; isso é de quem é estouvado e imaturo. Os adultos casam.

Fim de lucidez!

Infelizmente, não há modelos pré-definidos para quem é “estouvado e imaturo”.

Tive de descobrir por mim.

Com dor, introspecção, honestidade, respeito, liberdade e rebeldia.

Até perceber que o meu Amor sufoca com convenções ou instituições.

O vínculo do meu Amor é apenas o próprio Amor.

Que seja eterno!

Ou que seja Honesto e dure enquanto houver Amor…

Pillery_Teesalu_Imperfectreflecton

O seguinte texto explica bem o que sinto.

“Entre as coisas que distinguem a vida sentimental dos seres humanos está também a modesta, mas não irrelevante, diferença entre quem tem a vocação de “andar com” e de quem tem, por sua vez, a de “estar com”. A primeira tem uma dignidade moral que supera a segunda.

“Andar com” é um eros claro e honesto, que não promete falsamente, nem a si próprio nem aos outros, uma duração, nem simula a partilha do bem e do mal da existência – como se se tratasse de um casamento ou de uma união completa, profunda e duradoura – e, precisamente por este franco desencanto, pode também transmitir ternura, afeto e amizade destinados a durar além do breve encontro.

“Estar com”, ao invés, é frequentemente a auto-enganatória paródia do casamento, significa partilhar a existência durante seis meses ou um ano, mas com todas as obrigações e as regras do casamento: fidelidade recíproca pro tempore, um casal fixo que deve ser convidado em conjunto, coabitação, laços de família a tempo determinado incluindo sogros e sogras, simulação melancólica ainda que sincera de serem uma só carne, incapacidade de viverem sozinhos. “Estar com” é bem diferente de reconstruir uma existência ou fundar uma nova união sentimental depois do falhanço ou, todavia, do fim de uma relação precedente, interrompida pela incompreensão, pela morte, pela incompatibilidade ou pelo esgotamento afetivo. “Estar com” é a programação, consciente e inconsciente, de muitos sucessivos mini-casamentos, já previstos a priori.

A minha vizinha tem um rosto terno e temerário; na sua boca não existe nem uma prega acídula gravada pela presunção agressiva, nem tampouco a repulsiva dureza muitas vezes esculpida, em certas classes, pelo hábito e sobretudo pelo desejo de sublinhar a própria pertença aos Senhores. Com aquele rosto, que se intui ser capaz de paixões e de ternura, aquela mulher merecia um verdadeiro companheiro ou o amante de uma noite, em vez de um namorado, como se costuma dizer quando se “está com”, recorrendo a uma palavra que, já como prelúdio aos casamentos de outrora, soava a qualquer coisa bastante insulsa.”

Cláudio Magris, Instantâneos

Pillery_Teesalu_Imperfect_reflection_IGNANT

Um texto lúcido e esclarecedor que a minha prima do coração me revelou do blog Delito de Opinião

Imagens com o sugestivo título “Imperfect reflection”, de Pillery Teesalu, descobertas no IGNANT.

 


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Desnorte

Ser anónimo e estar longe dos que nos conhecem desde sempre pode ser libertador mas, a longo prazo, provoca-me um desnorte, que fico extremamente sensível a imagens que me abalam e transportam, como um raio, para esse vazio chamado saudade.

A minha prima apareceu-me assim.

 

Com o cheiro a tabaco, a pastilha elástica e a perfume.

E eu fiquei nesta saudade.

” [A saudade é] caracterizada por uma duplicidade contraditória:

é uma dor da ausência e um comprazimento da presença, pela memória.

É um estar em dois tempos e em dois sítios ao mesmo tempo, que também pode ser interpretado como uma recusa a escolher:

é um não querer assumir plenamente o presente e o não querer reconhecer o passado como pretérito. […]

é um sentimento complexo, mesclado, doce-amargo, pouco propício à acção, e não deve ter contribuído pouco para que a personalidade portuguesa apareça a observadores estrangeiros como desnorteante e paradoxal.

A saudade está ligada ao apego que se criou aos sítios, aos tempos e às pessoas que ficaram distantes.

E é uma característica do amor à portuguesa, que parece comprazer-se na distanciação.”

António José Saraiva, A Cultura em Portugal: Teoria e História

 

 

 


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Cool Lemonade

Sheila é a autora do blog mais cool que conheço, o Cool Lemonade.

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O tempo aqueceu e eu só me lembro da Sheila, cheia de cor e de estilo e com um ar tão fresco e bronzeado.

yellow-dress-cool-lemonade

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cool-lemonade

No Inverno, não me identifico com o estilo dela, mas no Verão vestiria qualquer um destes outfits com todo o prazer.

E este sorriso, também.

Dou por mim, pálida, carrancuda e a suspirar vezes demais.

cool_lemonade

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Saar

Através do Instagram tenho descoberto blogs maravilhosos;

é oficial, os blogs são a minha plataforma favorita – não se publica ao “correr da pena”, há espaço para a reflexão e interação; é um espaço que respira.

Descobri o Saar Manche e fiquei super orgulhosa de apresentá-lo à melhor especialista na área que conheço, a Teresa.

É um blog para abrir e ficar.

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A minha dificuldade consiste em perceber onde terminam as fotografias e começam as ilustrações.

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São os filhos que são ilustrados ou são as ilustrações que inspiram a vida?

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Muito inspirador e retemperador numa altura de rapidez e virtuosismo sem alma.

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Vais sair assim?

– Como é viver no Alentejo?

Temos de adaptar-nos.

Um exemplo bem prosaico:

  • não se sai de casa de sapatilhas/havaianas, camisolão e cara lavada – o que exigiu adaptação por parte de quem nasceu perto da praia.

Já tentei ignorar esta premissa, mas a última vez que o fiz, só para ir ali num instante, entrei em casa a dizer:

– Tinhas razão!

O comentário espontâneo, mas pouco simpático, da vizinha ainda suportei, mas o cartão de visita que um senhor nas Finanças insistiu em dar-me ultrapassou os meus limites.

Nem que seja para ir ao pão, a alentejana sai sempre com um ar composto… quer seja à Segunda-feira, quer seja ao Domingo de manhã.

Uma excelente desculpa para ir às compras!

maxidress free people jumpsuit free people jeans levis free people chapéu free people casaco free people anel free people

all stars free people

Peças em namoro no Free People, uma loja gira gira de que a minha prima me falou!

minivestido free people

 

sapatos free people

 


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Sicerely Jules

A Teresa é minha amiga, é minha prima do coração e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Julie é muito cool.

Às vezes demasiado cool para alguém como eu que corre demais  e que passou os últimos quatro anos com manchas de papa nos vestidos e com o cabelo “como podia ser e como ele queria ser”.

blusa rosa 2015

Agora, aos poucos, há dias em que volto à Julie e lembro-me da minha prima.

flowergirl coroa de flores

E suspiro por este vestido branco!

flowergirl

E por este estilo todo!

calções 2015

marino 2015

Aparentemente tão simples mas cheio de pormenores que fazem a diferença!

chapéu de praia

E sugestões inspiradoras.

óculos de sol 2015

vernizes 2015

É mesmo cool!

 


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Design Sponge

A Teresa é minha amiga, é minha prima do coração e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Design Sponge foi um dos primeiros que partilhámos mas, com tantas mudanças de casa e com a minha mania de apontar informações importantes no primeiro pedaço de papel que me aparece pela frente, andou desaparecido durante meses.

Tem tantas rubricas diferentes que merece mesmo ser explorado com calma!

Desde dicas para mulheres que querem impulsionar o seu negócio, até DIY, ou dias inspiradores de mulheres cativantes, encontramos muita informação cuidada e realmente interessante.

chelsea-fuss- Design sponge

Pelo meu percurso de vida, que me tem obrigado/desafiado a inúmeras mudanças, tenho uma fixação pela rubrica: Before & After.

Um sótão assustador transforma-se:

sótão antigo para recuperar design sponge

Tratou-se da estrutura e aproveitou-se mobília antiga.

sótão recuperado como quarto design sponge

sótão escritório design sponge

E é sempre esse o espírito das transformações; até no quarto das crianças.

mesa velha recuperada para crianças

cozinha de criança recuperada

Um blog para explorar e um pretexto para assaltar sótãos de família e feiras de velharias.

E ainda encontramos olhos como estes e uma coleira de sardinheiras.

cão para a Teresa


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Dívidas

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

São muitos os blogs que partilhamos e, numa altura de tirania antitabágica, fui eu que lhe apresentei a Terceira Noite, do Professor Rui Bebiano.

Identificação imediata!

O Professor Rui Bebiano foi meu professor há… vinte anos (!), na Faculdade de Letras e, por isso, refiro-me ao Professor Rui Bebiano como Professor. Para sempre.

Gostei e recordo-me dos professores do Ensino Secundário, mas foi na Faculdade que nasceu, em mim, o verdadeiro deslumbramento pelo Professor.

Provavelmente, porque foi só nessa altura que tive consciência de tudo o que não sabia sei e que verdadeiramente me maravilhei com o Conhecimento.

E foram vários os professores que me mostraram a inteira dimensão do mundo que eu tenho para descobrir.

No blog, o Professor Rui Bebiano analisa os nossos dias, fala-nos de literatura, cinema, filosofia, política,… do Homem.

E eu continuo a sentar-me na mesa da frente do anfiteatro da FLUC e a escutá-lo.

Dois excertos:

blog Rui Bebiano

A leitura e o futuro

«Enquanto houver livros para ler sei que não terei um momento aborrecido na vida. Só isto basta para lhes dever muito.» Com esta frase, com a qual rematou uma crónica recente sobre livros e livrarias, José Pacheco Pereira lembrou uma atitude que, apesar de viver uma fase de recuo, continua a marcar profundamente a experiência coletiva e a de muitos de nós. Refiro-me à prática da leitura como momento de enriquecimento pessoal, enquanto fator de conhecimento e de prazer, mas também ao seu uso como instrumento de liberdade, devido à capacidade que oferece para treinar a imaginação, abrir possibilidades e ajudar a construir uma consciência crítica do mundo. […]

 

O som do silêncio

Numa crónica publicada em 2003, Manuel António Pina recordava aquela que era, para Walt Withman, a estreita relação entre o autor e quem o lê: «O leitor sabe que, quando é de noite, estamos ambos sós.» Depois de lembrar a afirmação do poeta nova-iorquino, Pina continuava com as próprias palavras: «Só nos livros são possíveis ainda a noite e a solidão, em tempos de holofotes por todos os lados. E quanto os homens precisam de solidão, de se escutar a si mesmos na numerosa voz dos livros! E, em tempos como estes, barulhentos e estridentes, de silêncio!» Pouco mais de uma década depois disto ter sido escrito, o ruído não cessou de aumentar e são cada vez menos os que compreendem a necessidade da leitura imersiva e solitária que nos faça pairar por instantes na cápsula do tempo. Permitindo, como no intervalo de uma competição desportiva ou de uma tarefa difícil, que ganhemos força para prosseguir a jornada. Para não perdermos o norte enquanto tudo em redor acelera. Para não nos deixarmos cegar frente ao excesso de luz. Para que a razão não soçobre perante a estridência, deixando à solta o pior de nós.

E agora vou desligar esta luz e vou ler.

Porque não posso perder o norte.

Porque não quero cegar.

Porque não quero deixar à solta o pior de mim.

 


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A Beautiful Mess

Este é um blog que visito regularmente.

É escrito por duas amigas, Elsie e Emma, que partilham posts sobre tudo o que as inspira.

E que se apresentam assim:

We believe in taking time each day to make something pretty.

We believe in lifelong learning.

Most of all, we believe that life doesn’t need to be perfect to be beautiful.

É o meu lema de vida.

É um blog extremamente diversificado, despretensioso e bem-humorado.

Ultimamente ando a explorar as dicas fotográficas.

dicas fotográficas

Sempre gostei de fotografia: de ver e de sentir as fotografias nas mãos.

Mas nunca tive aulas (e precisava mesmo…).

Confio no instinto, na sorte e nas manias da minha máquina. E já a vou conhecendo…

Às vezes fico zangada com ela comigo; outras vezes satisfeita.

Muitas das dicas são mesmo para quem está a iniciar a sua relação amorosa com esta arte;

a algumas já eu tinha chegado por tentativa-erro.

Mas tenho gostado muito de lê-las para comprovar que estou no bom caminho.

E para aprender outras novas!

1ª dica: não usar flash – arruína-me qualquer imagem… tira-lhe o aveludado

(aqui está um termo mesmo técnico: aveludado… humm… )

com ou sem flash

2ª dica: optar sempre pela luz natural.

Procuro sempre uma divisão com grandes janelas e a hora do dia mais bonita: a manhã ou o fim da tarde (no Verão).

Quando se é “aselha”, as fotografias nocturnas ficam tremidas… tantas!

dia ou noite

3ª dica: ter cuidado com o cenário – não convém que cause ruído sobre o que realmente queremos fotografar.

Esta dica ajuda-me a focar; tenho um carácter, por natureza, propenso à dispersão.

cuidado com o cenário

4ª dica: encontrar os nossos pormenores e trazê-los para a fotografia.

Nem sempre arrisco, mas gosto muito da partilha destes momentos de intimidade.

a importância dos pormenores

pormenores

5ª dica: não contar com programas para editar a fotografia – tentar que fique logo como idealizámos.

Este é um dos conselhos que mais tenho ouvido do meu Pai.

O outro é não usar o zoom.

Dicas de quem é da era da fotografia analógica e que se empenhava em cada fotografia que tirava.

Todas estas lições são do blog A Beautiful Mess.