Frasco de Memórias

“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Canção Diurna do Viandante

As flores são as formas

completas das

estrelas que a luz solar devora

Flores Yasmin

 

Vagueio entre elas

urdindo a viagem diurna

da imperfeição

Flores Yasmin

 

A primavera aberta

nas margens incandescentes

alberga a

dor das formas

ilusão do estio primitivo

como se flores, de novo,

perfeitas nos cobrissem

Gastão Cruz

Flores Yasmin

Do site florido da Yasmin.

Quem gosta de flores tem de ver no Instagram.


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Tesouros do Montinho

Passear pelo campo prepara-nos para a semana:

limpa a cabeça do ruído (literal e metafórico) e ajuda a agir com lucidez quando a insensibilidade e a cegueira se espalham de forma contagiosa.

Por todos estes motivos, faz-me bem trazer para casa testemunhos dos momentos de pureza.

Ajudam-me a focar.

O rosmaninho.

rosmaninho

As cápsulas das sementes de esteva.

cápsulas de flores de esteva

As flores silvestres.

Ramo de flores selvagens


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Alfazema francesa

-Mãe, tenho saudades da Primavera!

-Eu também!

No nosso quintal, continuam as plantinhas arrepiadas.

A única flor que nos alegra os dias é mesmo a alfazema francesa.

É uma espécie de origem selvagem, resistente a doenças, e que cresce vigorosa no Inverno rigoroso e no Verão quente: ideal para um quintal no interior do Alentejo.

Para além disso, cuida do quintal, pois afasta pragas de pulgões, carraças, moscas e escaravelhos.

ramo de alfazema francesa

Este fio descobriu-o na loja Made in Paper!


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Cravo-da-Índia

O cravo-da-Índia foi a estrela do Verão no meu quintal.

Cravos da índia ou cravos túnicos

Cumpriu na íntegra as suas funções:

-Atraiu muitos insectos; controladores de pragas e polinizadores;

-Deu cor à casa;

cravo da índia no bule

-Perfumou-me as mãos (é incrível o perfume desta flor!);

cravo da índia na jarra

-Clarificou-me os pensamentos… enquanto compunha dezenas de jarras e frascos.

A casa num caos e eu a fugir para o quintal, a cortar flores amarelas e a concentrar-me nesta obra perfeita da Natureza.

 


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Aprender

Ter uma horta é uma constante aprendizagem:

dos ciclos da Natureza;

da fragilidade/dificuldade do equilíbrio que queremos atingir na horta (e na vida)…

e de nós próprios.

Cuidar da horta é cuidar de nós, porque zelamos pela qualidade do nosso alimento e porque entretemos as mãos,

mas soltamos o pensamento para grandes conversas com as sementes e com as flores.

Durante o Verão, os meus pensamentos cheiraram a manjericão e cravo-da-Índia.

 

O que  aprendi e vou colocar em prática na próxima Primavera?

-Mais canteiros de flores;

-Mais feijão-verde anão;

feijão verde anão

-Mais beringelas;

beringela

-Mais variedades de tomates;

tomate cereja

-Menos courgettes: são muito exigentes para um quintal pequeno;

courgette

-E, por fim, mais pezinhos na horta: aproveitar e parar nos vários bancos feitos no século em que havia Tempo.

pezinhos na horta


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Sabonária

Há quatro ou cinco anos, confidenciei a um amigo uma série de transformações que estavam a processar-se em mim e que indiciavam uma crise de meia-idade.

Os hábitos da minha Mãe, que eu nunca tinha apreciado/compreendido, estavam a eclodir:

1- coleccionar sabonetes e perfumar as gavetas com eles;

2- encantar-me com as sementes a germinar;

3- enfeitar a casa com flores;

4- fixar-me nos passarinhos;

5- comprar rendas e bordados;

6- emocionar-me com a Callas ( a minha Mãe é mais com ópera mas, enfim, …);

7- deliciar-me a fazer doces e compotas.

O meu amigo não me levou a sério e disse-me que lhe parecia uma excelente mudança. Até porque sempre tinha gostado muito da minha Mãe.

E assim ficou resolvido o assunto… e o meu preconceito.

A maldição de Oscar Wilde – a desgraça das filhas é assemelharem-se, com a idade, às mães – foi ultrapassada.

Oscar Wilde não percebia nada de flores: desgraça dele…

Há umas semanas descobri este frasco.

saboaria portuguesa

E a casa cheira a roupa de cama bordada, seca ao sol, perfumada e engomada.

Melhor do que este perfume do campo da Saboaria Portugueza só mesmo os junquilhos que a Beatriz apanhou no Vale com a prima Cristina.

junquilhos

Já não me lembrava que as flores cheiravam assim.

Quem roubou o perfume das rosas e das flores que aparecem nos mercados?

Têm sido geneticamente modificadas para serem mais resistentes e mais coloridas, mas têm o cheiro de uma triste folha de papel.

Os junquilhos são originários da África do Sul e, muito em breve, vêm viver para os canteiros de uma casa alentejana.

junquilhos 2


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Parabéns bebé Jesus

Entre os canteiros de erva-cidreira, as roseiras de Inverno e uma visita ao mercado, conseguimos arranjar flores.

Para ti!

flores Natal

Vamos todos cantar os Parabéns ao bebé Jesus!

E arranjar um bolo para Ele soprar as velas!

Indicações da Beatriz que nos recordam a verdadeira celebração desta noite.

Feliz Natal!


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Colhi este poema

No meu pátio, há várias roseiras antigas plantadas pela minha Avó Rosa.

Algumas de que gosto muito, outras cujas cores não me fascinam.

Umas e outras passam parte dos seus dias em copos, frascos e jarras cá em casa.

Reconciliei-me com estas rosas pálidas quando li “Arte Poética com citação de Hölderlin“, de Nuno Júdice.

Afinal, estas rosas encerram um poema!

DSCF1458

O poema lírico nasceu de uma roseira. Não

digo que fosse a rosa de cima, aquela que todos

olham, primeiro que tudo, pensando

em cortá-la para a levarem consigo. É

a rosa nem branca nem vermelha, a rosa pálida,

vestida com a substância da terra:

a que toma a cor dos olhos de quem a fixa, por

acaso, e ela agarra, como se tivesse

mãos abstractas por dentro das suas folhas./

Colhi esse poema. Meti-o dentro de água,

como a rosa, para que flutuasse ao longo de um rio

de versos. O seu corpo, nu como o dessa mulher

que amei num sonho obscuro, bebeu a seiva

dos lagos, os veios subterrâneos das humidades

ancestrais, e abriu-se como o ventre da

própria flor. Levou atrás de si os meus olhos,

num barco tão fundo como a sua própria

morte./
Abracei esse poema. Estendi-o na areia

das margens, tapando a sua nudez com os ramos

de arbustos  fluviais. Arranquei os botões

que nasciam dos seus seios, bebendo a sua cor

verde como os charcos coalhados do outono. Pedi-lhe

que me falasse, como se ele só ainda soubesse

as últimas palavras do amor.
(Metáfora contínua de um único sentimento)

A Fonte da Vida