“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Ivo Neto

A aliteração presente no título Ivo Neto Arquiteto incita a vontade de falar deste livro… e repetir o título muitas vezes.

Ivo Neto Capa

Foi oferecido à Beatriz pela prima arquitecta e conta a história do incrível Ivo, um pequeno prodígio da arquitectura muito incompreendido.

Construir torres com fraldas usadas é demais para a mãe mais amorosa!

Ivo Neto Arquiteto

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Na escola, tudo se complica; a professora tem um grande trauma de infância – abomina prédios e construções.

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Quem é proibido de fazer o que mais gosta só pode ser infeliz e assim anda o Ivo, com uma cara de partir o coração!

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Até que a expedita professora organiza uma visita de estudo!

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E tudo se altera!

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Um livro com percursos e aprendizagens de crianças e adultos, escrito por Andrea Beaty e ilustrado com uma leveza apenas aparente.

David Roberts apresenta na ilustração edifícios que nos remetem para construções famosas como a ponte de S. Francisco ou a Torre de Pisa.

Editora: ASA.


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Mamã

Mamã capa Mariana Johnson

Mamã é um livro sobre a maternidade visualmente irresistível.

Premiado em 2013, em Compostela, foi escrito e ilustrado pela argentina Mariana Ruiz Johnson.

Mamã livro 2

O livro consiste numa tocante tentativa de definição da palavra mãe.

A ilustração faz-me ter vontade de viver, para sempre, neste mundo de cor.

De facto, é o que acontece às mães: o nascimento de um filho mergulha-nos numa paleta de cores vibrantes e muito mais intensas do que conseguimos, alguma vez, imaginar até vivermos aquele momento violento de fronteira entre a vida e a morte – o parto.

Mamã livro

Este é um dos livros favoritos da Beatriz.

Mamã livro 3

Embora eu não perceba bem por que motivo ela me identifica tanto com a mãe elefanta.

Mamã 2019.jpg

Sinto-me mais mãe felina.

Mamã 5

Da editora Kalandraka.

No blog da autora estão fotografias do livro com muito melhor qualidade do que as minhas que não fazem jus ao trabalho da ilustradora.


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A Avó

Hoje a Avó Rosa faz anos.

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Este livro é sobre a Avó.

É que a Avó Rosa, às vezes, também parece que está um “pouco triste, surpreendida, ligeiramente preocupada. Tudo ao mesmo tempo.”.

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Quando a Beatriz fez anos, convencia-a a dar uma prenda à Avó e a ler-lhe o livro em voz alta.

A Beatriz não gosta que a ouçam ler, mas esforçou-se muito e leu para a Avó ouvir.

Este é um livro maravilhoso sobre as linhas que marcam a nossa pele; linhas que guardam os momentos que marcaram a nossa vida.

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São estas as linhas que nos orientam, quando andamos perdidos.

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É nestas linhas que ecoam todos os sorrisos da nossa vida.

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É também nestas linhas que estão registadas as nossas tragédias.

Tudo o que nos molda está na nossa expressão.

Penso que é por isso que há pessoas que se tornam ainda mais bonitas com a passagem do tempo.

É o caso da Avó!

Parabéns!

A autora é a italiana Simona Ciraolo.


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Lista

No Curso de Cultura Geral de 8 de Abril, Anabela Mota Ribeiro fez o seguinte prólogo:

“Nos últimos anos de vida, o escritor Scott Fitzgerald viveu com uma jornalista, jovem, para quem compôs um curso de cultura geral, onde estavam as obras que ele achava que ela devia conhecer. Ela, Sheilah Graham, condensou a experiência no livro College of One. Foi um curso para um, para uma, e foi uma tentativa de fixar um cânone.

A ideia é desafiadora: o que deve constar numa lista assim? Quais são as obras a partir das quais podemos dizer que uma pessoa é culta?

Outra coisa é pensar nas referências particulares, nas obras, encontros, livros, experiências que formam cada indivíduo. Isso implica um entendimento de cultura mais abrangente e menos circunscrito à erudição.

É daqui que parto para este programa. Muitas vezes há uma coincidência entre o Aristóteles ou a Capela Sistina, entre os indisputáveis do cânone, e os nomes apontados nas listas particulares. Muitas, muitas vezes, não. E as obras apontadas são, sobretudo, peças que tiveram um efeito detonador, um encontro que possibilitou uma expansão do mundo.”

Curso de Cultura Geral RTP2

Como adoro listas, uma vez que organizam e sintetizam mentes despenteadas como a minha, decidi também fazer a minha lista de 10 peças que tiveram um “efeito detonador”:

1-Contos tradicionais da Colecção Formiguinha e contos do Eça, ouvidos pela voz da minha prima Teresa, quando eu ainda não sabia ler. Foi o meu primeiro contacto com a literatura, ainda antes de ter consciência do impacto que o Eça (e a voz da minha prima!) teria em mim. De todas as vezes que ouvia “A Aia”, eu sofria e gritava para dentro: Tirem o punhal da mão da Aia! – 1981.

2-As tardes, no tempo da escola primária, com a minha avó. A Senhora Rosa era costureira e, todos os dias, as senhoras da aldeia passavam o dia lá em casa, na sala de costura. Contavam muitas histórias que eu ouvia em silêncio. De vez em quando, um acerto de um alinhavo ou uma prova obrigava à interrupção do diálogo e eu tombava abruptamente na realidade. Descobri, assim, o carácter encantatório da narrativa. – 1983

3-Ouvir, pela mão do meu irmão e das inovadoras cassetes de vídeo, músicos como Pink Floyd, Super Trump, Dire Straits, Queen, David Bowie e conhecer, só através deles, um mundo tão diferente da Figueira da Foz, na altura uma cidade demasiado pacata e pitoresca. -1988

4-Estudar Latim. Foi como se aprendesse a ler outra vez: nunca mais deixei de fazer ligações e de reflectir sobre a sua origem, significado e significante. – 1992

5-Descobrir o cinema e conhecer outros mundos: “Pulp Fiction” foi o meu primeiro: “onde é que eu estive nos últimos 100 minutos?”. “A Insustentável Leveza do Ser”. Depois, “Tudo sobre a minha mãe”, de Álmodovar e “Disponível para amar”, de Wong Kar-wai: um corte com tudo o que já tinha visto no ecrã e na vida real; perceber que podia ir mais além. 1995

Curso de Cultura Geral RTP2 Anabela Mota Ribeiro

6- Estudar na FLUC e apaixonar-me por quase todos os professores que tive, apenas porque eles sabiam tanto e o conhecimento seduzia-me mais do que nunca: Carlos Reis, Rui Bebiano, Maria Aparecida Ribeiro, Ana Paula Arnaut e Pires Laranjeira, entre outros. Uma nova percepção do que é a literatura escrita em português: Saramago, Mia Couto e Pepetela: A Gloriosa Família, Luís Bernardo Honwana, As mãos dos pretos.  Um arrebatamento por João Grosso, no teatro Paulo Quintela, na FLUC.- 1996

7-Perceber que a poesia também se canta, e muito, no Brasil. Ficar hipnotizada com as palavras de Chico Buarque, Tom Jobim, Elis Regina, Gilberto Gil, Bethânia, Caetano, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Eliane Elias, Rosa Passos, Gal Costa, … Ficar obcecada com a forma como Chico Buarque consegue cantar a palavra “escafandrista”. Essa obsessão continua. – 1998

8-Perceber que a música existe sem palavras e passar a ter férias musicais com a outra metade do meu ♥. Depois de ver/ouvir Richard Bona e Bobby Macferry, veio o fascínio pelo jazz vocal, sobretudo feminino: de Esperanza Espalding, Melody Gardot a Nina Simone.  2004.

9-Conhecer outros autores e aprender que literatura é o que nos ensinam na Faculdade, mas tanto mais! Esse percurso temos de fazê-lo sozinho, mas são preciosas as ferramentas da formação de base: autores russos, americanos, franceses e portugueses. Afonso Cruz aparece, na prosa, e continua o efeito encantatório da infância. Descoberta tardia da poesia: David Mourão-Ferreira, Sophia, Eugénio de Andrade, Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Ferreira Gullar, Nuno Júdice, Jorge de Sena, …

10-Ser mãe: a experiência mais difícil mas mais arrebatadora da minha vida: ir ao fundo de mim, ser posta à prova, aprender, descentrar e Amar. Misturou-se, entretanto, com a ilustração, a fantasia e a realidade: Planeta Tangerina, Bruaá, Pato Lógico, Orpheu Negro e OQO, e com a animação de Miyazaki.

 

 

 

 


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O Urso que não era

Este é um livro existencialista e que coloca algumas questões universais e intemporais.

Seremos nós aquilo que os outros julgam que nós somos?

Tornar-nos-emos padronizados à força da repetição do que “devemos” ser ou fazer ou parecer?

Até que ponto ficará a nossa individualidade diluída no meio de tantos convencionalismos e expectativas?

Conseguiremos salvá-la?

É bom ser “esquisito”?

Dúvidas ainda difíceis de acertar aos 40, mas que convém começar a abordar aos 6.

Com sentido de humor, recorrendo ao absurdo e… com um urso.

Um urso que sabe muito bem que. quando os gansos voam para sul. é a altura de hibernar.

Um urso que. ao acordar do seu sono retemperador. tem o azar de encontrar homens muito produtivos, muitos decididos, muito enérgicos, muito poderosos e, claro, muito imbecis.

Homens que sabem o lugar do urso: numa linha de produção de uma fábrica super tecnológica, a trabalhar 8h por dia.

Urso não, “um homem tonto que precisa de fazer a barba e usa um casaco de peles”.

São tão convincentes que o nosso urso quase que se convence de que é “um homem tonto que precisa de fazer a barba e usa um casaco de peles”.

Como “homem tonto que precisa de fazer a barba e usa um casaco de peles”, vai trabalhar.

E quase se esquece de quem é e do que realmente precisa para ser feliz.

Um livro de 1946, editado pela Bruaá em 2016, mas, como se vê, muito actual.

Para ler e reler!


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Lá Fora Cá Dentro

Uma dupla cá de casa da responsabilidade dos meus ilustradores preferidos, Bernardo Carvalho e Madalena Matoso, e da editora portuguesa do coração, Planeta Tangerina.

Num mundo feroz e veloz, educar para a contemplação e para o deslumbramento não é fácil.

É preciso, antes, educar para o silêncio e para o recolhimento.

É preciso respirar e seguir o voo da borboleta… e encantarmo-nos.

É um trabalho diário e contracorrente.

Durante o Verão já tínhamos treinado:

Por que razão é que o mar é azul? E salgado? E as marés de onde virão?

E que animais vivem na areia, nas rochas e no azul profundo?

No entanto, tão importante como olhar para fora é olhar para dentro:

Reflectir sobre as emoções, sobretudo agora, aos seis anos, que elas estão a tornar-se mais complexas e a precisar de ser entendidas e discutidas.

A infância (e não só!)  é o momento para analisar o que se sente pelos outros e para responsabilizar a criança pelas suas decisões; mesmo pelas incorretas. Que difícil que é, também para quem assiste, vê-la nas primeiras dores do crescimento!

Como adulta, renova-me esta partilha do Maravilhamento: pelo Mundo e pelo Homem, o único ser com um cérebro (e coração!) capaz de raciocínio, de nutrir sentimentos tão profundos e de criar e apreciar Arte!


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Libertar

Palavras que nos libertam:

PARA ESCREVER O POEMA

O poeta quer escrever sobre um pássaro:

e o pássaro foge-lhe do verso.

 

O poeta quer escrever sobre a maçã:

e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.

 

O poeta quer escrever sobre uma flor:

e a flor murcha no jarro da estrofe.

 

Então, o poeta faz uma gaiola de palavras

para o pássaro não fugir.

 

Então, o poeta chama pela serpente

para que ela convença Eva a morder a maçã.

 

Então, o poeta põe água na estrofe

para que a flor não murche.

 

Mas um pássaro não canta

quando o fecham na gaiola.

 

A serpente não sai da terra

porque Eva tem medo de serpentes.

 

E a água que devia manter viva a flor

escorre por entre os versos.

 

E quando o poeta pousou a caneta,

o pássaro começou a voar,

Eva correu por entre as macieiras

e todas as flores nasceram da terra.

 

O poeta voltou a pegar na caneta,

escreveu o que tinha visto,

e o poema ficou feito.

Nuno Júdice, A Matéria do Poema

Ilustração Cynthia Tedy.