Frasco de Memórias

“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Prato

A obsessão pelas velharias continua.

No sótão da minha Avó encontrei este pratinho.

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Na feira de velharias da Figueira, encontrei outros três pratos iguais.

A história podia ficar por aqui, mas fiquei impressionada com a coincidência e tive de reuni-los.

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Foram três euros que me fizeram regressar a casa com a sensação de ter recuperado qualquer coisa do passado!

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Este pano foi escolhido pela Beatriz.

É bonito e achei que, com dois anos e meio, também era importante chegar a casa com um tesourinho.

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E o envelope para o pão?

Usava-os na escola primária.

Também o trouxe.

Ando a pensar em dar-lhe outra utilidade.

Não sei ainda qual…


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The Portrait of a Lady

A imagem da mulher vende. Sempre vendeu.

Mesmo quando ainda aparecia vestida…
A forma lenta como esta imagem foi evoluindo, ao longo do século XX, surpreende-me.

Em 1921, era importante usar Palmolive para manter o marido em estado permanente de paixão.

Hoje, há uma fila de cremes, perfumes, champôs e loções que devem dar a volta ao planeta. O objectivo é, mais ou menos, o mesmo.

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Nos anos 30, era importante estar bonita, mesmo depois de um dia de trabalho intenso.

Continua a ser; o local de trabalho é que mudou. E abundam os cereais, os cremes, as vitaminas e as ampolas que nos prometem o mesmo.

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1952: quero acreditar que isto já não existe.

Pelo menos, estamos a fazer o percurso correcto: enquanto sociedade, repudiamos a violência doméstica.

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Em 1961, surpreende-me esta descontracção na divisão de tarefas: Tu cozinhas, eu como e ofereço-te a Bimby!

Na década de 60, muitas das mulheres já trabalhavam fora de casa, mas tudo continuava igual (e continuou/continua  durante muitos anos…).

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Nem todos os anúncios antigos são ternurentos e encantadores…

Tal como hoje, retratam a mentalidade de uma época, incluindo o seu lado sombrio.

Encontrei-os no DailyMail.

Os originais estão no Museu Colecção Berardo até 5 de Janeiro de 2014.


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Evolução

Encontrámos, na casa de Estremoz, o bule e o açucareiro da trisavó da Beatriz.

E a marca Vista Alegre, discreta, sem designers ou parcerias internacionais, sem produção.

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E agora experimentem carregar aqui.

Para o pior e (raras vezes) para o melhor (o caso VA), os nossos tempos não se coadunam com discrição e sobriedade.

São duas das qualidades que mais estimo.

Hoje, só é visto e ouvido quem grita mais alto e de forma mais (a)berrante.


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Midas

Estas duas peças estavam no sótão da casa da minha avó Rosa.

Não fotografei o triste estado de abandono em que as encontrei.

A minha mãe lixou-as, tratou-as, pintou-as. Horas.

O armário mosquiteiro é o armário da roupa da Beatriz.

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A arca do enxoval é a arca dos pijamas.

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Concha

Já há muito tempo que precisava de uma concha para verter o doce para os frascos.

Entre os garfos de prata da Beatriz estava esta concha.

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Não é de prata e tem de ser muito bem limpa. Mesmo assim, não sei se terei coragem de usá-la.

Tem ar de quem já cumpriu a sua missão.

Talvez ainda sonhe com uma nova vida.

Talvez esteja indecisa…


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De outro tempo

Gosto muito de feiras de velharias.

Frequento-as como quem vai em busca de tesouros enterrados.

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A primeira vez que encontrei alguém que também partilha este prazer da descoberta foi a Constança do blog Saídos da Concha.

Este blog há-de ter um post especial.

A Constança enumerou algumas das razões que a levam a frequentar locais que vendem velharias e objectos em segunda mão.

Identifiquei-me com as razões apresentadas, fixei-as (de memória) e misturo-as com as minhas.

– Sou nostálgica e guardo, como preciosidades, as minhas recordações, o que inclui os objectos que fazem parte delas. Não significa que seja revivalista ou que considere que tudo o que pertence ao passado seja perfeito. Ainda bem que as mentalidades evoluíram em muitos aspectos.

-Não obstante, considero que perdemos alguma coisa com esta evolução; por exemplo, deixámos de prezar e cuidar o que temos. E o consumo deixou de ser parcimonioso.

-No tempo em que o fabrico não era em série, cada objecto era único e tinha a marca das mãos que o criavam. Para além disso, era feito para durar várias gerações.

-Os objectos desse tempo têm uma história bem mais interessante do que a viagem obscura que os de hoje fazem desde a China.

-E agrada-me esta estética do passado, mais sóbria ou mais romântica, mas sempre cuidada e com qualidade.

Há duas semanas, quando chegámos a Estremoz, precisámos de garfos pequenos para a Beatriz.

E a Beatriz escolheu estes dois na feira de velharias que acontece todos os Sábados no Rossio!