“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Vidros

Sábado de manhã é dia de mercado em Estremoz; e de feira de velharias.

Há algum tempo que precisávamos de uma jarra para a água, mas não encontrava nada suficientemente bonito e prático que pudesse ser usado todos os dias.

Quer dizer, no supermercado é capaz de haver muitas jarras, mas não são tesourinhos.

Até que encontrei uns vizinhos da Marinha Grande a vender na feira de Estremoz.

Para além de ter achado graça ao facto da minha noção de vizinhança se ter alargado muito nos últimos meses da minha vida (estes senhores vivem a 70 km da Figueira da Foz), encontrei tantos vidros bonitos que foi difícil vir para casa só com a jarra.

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Um dia

Vai ficar assim, como este da Iris, do blog Snapshots of Home:

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Mas ainda está assim…

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A imagem assustadora é do móvel da minha bisavó Celeste.

Provavelmente vou manter esta cor.

Provavelmente vou admitir que não tenho tempo de uma vez por todas.

Provavelmente vou ter de contratar o Sr. Eugénio, carpinteiro.


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Bule

Na feira de velharias de Estremoz, encontrei uma memória do sótão da minha avó.

Deixei-me, novamente, levar pela surpresa do momento e trouxe-a.

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E chegou a hora de assumir: vou reunir todas as peças soltas que encontrar.

A mudança vive dentro de nós…

Sempre detestei colecções e afinal descubro que tenho qualquer coisa de coleccionadora dentro de mim.

Coleccionadora de memórias.


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Prato

A obsessão pelas velharias continua.

No sótão da minha Avó encontrei este pratinho.

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Na feira de velharias da Figueira, encontrei outros três pratos iguais.

A história podia ficar por aqui, mas fiquei impressionada com a coincidência e tive de reuni-los.

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Foram três euros que me fizeram regressar a casa com a sensação de ter recuperado qualquer coisa do passado!

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Este pano foi escolhido pela Beatriz.

É bonito e achei que, com dois anos e meio, também era importante chegar a casa com um tesourinho.

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E o envelope para o pão?

Usava-os na escola primária.

Também o trouxe.

Ando a pensar em dar-lhe outra utilidade.

Não sei ainda qual…


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The Portrait of a Lady

A imagem da mulher vende. Sempre vendeu.

Mesmo quando ainda aparecia vestida…
A forma lenta como esta imagem foi evoluindo, ao longo do século XX, surpreende-me.

Em 1921, era importante usar Palmolive para manter o marido em estado permanente de paixão.

Hoje, há uma fila de cremes, perfumes, champôs e loções que devem dar a volta ao planeta. O objectivo é, mais ou menos, o mesmo.

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Nos anos 30, era importante estar bonita, mesmo depois de um dia de trabalho intenso.

Continua a ser; o local de trabalho é que mudou. E abundam os cereais, os cremes, as vitaminas e as ampolas que nos prometem o mesmo.

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1952: quero acreditar que isto já não existe.

Pelo menos, estamos a fazer o percurso correcto: enquanto sociedade, repudiamos a violência doméstica.

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Em 1961, surpreende-me esta descontracção na divisão de tarefas: Tu cozinhas, eu como e ofereço-te a Bimby!

Na década de 60, muitas das mulheres já trabalhavam fora de casa, mas tudo continuava igual (e continuou/continua  durante muitos anos…).

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Nem todos os anúncios antigos são ternurentos e encantadores…

Tal como hoje, retratam a mentalidade de uma época, incluindo o seu lado sombrio.

Encontrei-os no DailyMail.

Os originais estão no Museu Colecção Berardo até 5 de Janeiro de 2014.


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Evolução

Encontrámos, na casa de Estremoz, o bule e o açucareiro da trisavó da Beatriz.

E a marca Vista Alegre, discreta, sem designers ou parcerias internacionais, sem produção.

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E agora experimentem carregar aqui.

Para o pior e (raras vezes) para o melhor (o caso VA), os nossos tempos não se coadunam com discrição e sobriedade.

São duas das qualidades que mais estimo.

Hoje, só é visto e ouvido quem grita mais alto e de forma mais (a)berrante.


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Midas

Estas duas peças estavam no sótão da casa da minha avó Rosa.

Não fotografei o triste estado de abandono em que as encontrei.

A minha mãe lixou-as, tratou-as, pintou-as. Horas.

O armário mosquiteiro é o armário da roupa da Beatriz.

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A arca do enxoval é a arca dos pijamas.

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