“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Considerações inúteis sobre o Amor

“Abandonar a pretensão da posse, saber conviver com o risco da perda, significa aceitar a fragilidade e a precaridade do amor. Significa renunciar à ilusão de uma garantia de indissolubilidade da ligação amorosa, tendo presente que as relações humanas, com as limitações e as imperfeições que as caracterizam, não podem prescindir da opacidade, das zonas de sombra, da incerteza. É por isso que, quando se procura a total transparência e a verdade absoluta no amor, se acaba por destruí-lo, se acaba por sufocá-lo num abraço mortal.”

” A posse, em todo o caso, configura-se como como um dos piores inimigos do amor. Encerrar o amor num círculo, condenando-o a viver numa prisão eterna, não servirá para protegê-lo das mutações e das metamorfoses que caracterizam as coisas humanas.”

Nuccio Ordine, no manifesto A Utilidade do Inútil, tece estas reflexões lúcidas sobre as relações românticas.

Nota: Como é óbvio, estas e outras considerações muito sábias sobre o Amor são completamente inúteis quando nos apaixonamos. Como toda a gente sabe, se esse fosse um estado de alguma razoabilidade e sensatez, não se chamaria paixão…

Paixão deriva do latim passio, -onis: sofrimento.

Fotografias: IGNANT.


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Pessoas infelizes

Eugène Ionesco, numa conferência realizada em 1961, faz um retrato dos nossos dias:

“Vejam como as pessoas correm atarefadas pelas ruas.

Não olham para a direita nem para a esquerda, preocupadas, de olhos fixos no chão, como cães.

Caminham a direito, mas sempre sem olhar em frente, pois seguem maquinalmente um percurso já bem conhecido.

Em todas as cidades do mundo, é assim que acontece.

O homem moderno, universal, é o homem atarefado, que não tem tempo, que é escravo da necessidade, que não compreende que uma coisa possa não ser útil; que não compreende sequer que, na realidade, o útil pode ser um peso inútil, opressivo.

Se não se compreende a utilidade do inútil e a inutilidade do útil, não se compreende a arte;

e um país onde não se compreende a arte é um país de escravos ou autómatos, um país de pessoas infelizes, pessoas que não riem nem sorriem, um país sem espírito;

onde não há humorismo, não há riso, há raiva e ódio.”

Sessenta anos depois, vários choques tecnológicos e vias rápidas digitais/de betão mais tarde, e assim continuamos… não só nas grandes cidades, mas também nas pequenas cidades do interior. Basta uma distração, uma fresta aberta no autopoliciamento e embarco com facilidade na caderneta do humano atarefado.

Por ansiedade ou frenesim natural, sou permeável à alta voltagem das urgências pessoais, familiares e profissionais do dia; por autoexigência excessiva planeio 1000 tarefas impossíveis de concretizar num só dia. Resultado? Fico exausta e frustrada.

Devido à minha cordialidade natural, percebi que os outros esperam de mim um autoajuste inesgotável e só se surpreendem quando não cumpro. Também por isso, tive de aprender a observar-me e a desacelerar aos primeiros sinais de stress descontrolado.

Sei que o percurso ainda é longo. Mas imperioso.

Para além de não querer adoecer com excesso de cortisol, nem consigo conceber a ideia de me tornar um autómato e, com as opressões quotidianas, não contemplar o céu, a Primavera, a arte e as pessoas bonitas!

As cidades das máquinas: IGNANT.

Texto de Eugène Ionesco: daqui.


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Humanitas

Com a idade a avançar, também surgem boas mudanças: encontro em mim a constância e as referências que me permitem confrontar-me com o ensaio, género que nunca me cativou enquanto literatura prazerosa.

A Utilidade do Inútil é um manifesto do filósofo italiano Nuccio Ordine que nos interpela nestes tempos de decadência e escuridão. É precisamente quando a crise se agudiza que o sentido prático domina e só se salva o que é útil, ou seja, o que produz lucro.

Ordine chama a atenção para o perigo de construirmos um mundo que anseia correr, mesmo que não saiba para onde. Para contrariar esta questão, este sentido único e cego na direcção do fogo do dinheiro, o filósofo evidencia a importância de todos os filósofos, cientistas e escritores que, com os seus pensamentos e descobertas inúteis, foram dando algum sentido ao caos.

Neste excerto do livro, cita-se Kakuzo Okakura que explica como é o inútil que nos torna humanos; de facto, se pensarmos bem, nenhum outro animal coloca na sua toca um objecto decorativo ou oferece ao seu parceiro um adorno estético.

“O japonês Kakuzo Okakura atribui à descoberta do inútil o salto que assinalou a passagem da feritas à humanitas. No seu livro A Cerimónia do Chá (1906), num apaixonado capítulo dedicado às flores, alvitra que a poesia amorosa teve origem no mesmo momento que nasceu o amor pelas flores:

O homem primordial superou a sua condição de bruto ao oferecer a primeira grinalda à sua rapariga.

Elevando-se acima das necessidades naturais primitivas, tornou-se humano. Quando percebeu o uso que se podia fazer do inútil, o homem fez a sua entrada no reino da arte“.

Fotografia: IGNANT.


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A orla do sublime

As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, são um desafio para quem, como eu, é impaciente e tendencialmente dispersa. Na verdade, são um desafio para quem vive no milénio do fácil, do imediato e da acção.

Nada acontece neste livro descritivo, mas tudo pode acontecer se nos permitirmos.

Marco Polo descreve ao imperador Kublai Khan cinquenta e cinco cidades com nomes de mulher, por onde a nossa mente viaja, somente interrompida pelos comentários do imperador mongol.

Apesar de aparentemente fantasiosas, estas cidades são trágicas, porque são criações humanas.

É cada vez mais evidente a incapacidade que temos de, juntos, atingirmos a orla do sublime.

Marco Polo termina a sua descrição desta forma absurdamente atual:

O inferno dos seres vivos não é uma coisa que há-de acontecer; se ele existe, já está aqui presente, o inferno que habitamos todos os dias, que constituímos estando juntos.

Há duas maneiras de não sofrermos com isso.

A primeira torna-se fácil para muitos: aceitar o inferno e tornarmo-nos parte dele até ao ponto de já não o vermos.

A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas:

procurar e saber reconhecer quem e o quê, no meio do inferno, não é inferno, e fazê-lo durar e dar-lhe espaço.

Tenho muita dificuldade com a hipótese A, embora seja a mais cómoda.

Os “mass media” confundem-nos e é difícil discernir o que é e o que não é inferno: como digerir tanta violência, apelo ao consumismo, sensacionalismo, polarizações, dicotomias simplistas, catadupa de informação, … ?

É preciso ócio, humildade, reflexão e conhecimento para procurar a Hipótese B, valores antagónicos ao novo milénio.

É preciso coragem para caminhar (quase) sozinha.

Imagem: IGNANT.


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Horror

O horror chegou.

me angustiava quando era distante, mas agora a tragédia é à nossa porta.

Como a maioria dos portugueses, tenho vizinhos e alunos ucranianos, com quem partilho várias horas do meu dia. No entanto, até há duas semanas, pouco sabia acerca do seu país: admirava a persistência dos jovens no estudo, respeitava a sua forma digna de viver, sabia algumas curiosidades culturais, 3 ou 4 palavras e umas quantas generalidades acerca da sua História.

Foi em choque que vi como a Rússia invadiu a Ucrânia.

É com horror que vejo cidades bombardeadas, ucranianas a fugir com os filhos, ucranianos a dispararem e Zelenski, muito nobre, a suplicar por auxílio europeu, perante um massacre sanguinário.

Nada justifica uma invasão militar, nem a agressão gratuita de um povo.

Ouço os analistas que me parecem mais credíveis, falo com os ucranianos que conheço, louvo os cidadãos russos que se manifestam contra um regime opressor, mas nada faz sentido.

Tal como nos pesadelos.

Só sei que a cada dia que passa, respeito mais a resistência e a valentia da Ucrânia.

Fiquei impressionada com a bravura que manifestaram na crise de 2014, contra um presidente pró-russo que traiu as expectativas dos eleitores: prometeu-lhes uma aproximação com a União Europeia e, após as eleições, cancelou as negociações com o Ocidente e consolidou acordos com Putin.

Nessa altura, a população de Kiev manifestou-se durante 3 meses, ininterruptamente, contra bastões de ferro, gás lacrimogéneo, balas de borracha e de pólvora. O manifesto sentido de união e justiça comovem qualquer bem-aventurado que esteja, por estes dias, confortavelmente sentado no sofá.

O documentário “Winter on Fire” evidencia que o povo ucraniano não se submete, nem mesmo perante a força mais brutal. Prezam a liberdade e a indepêndencia e não abdicam de valores inquestionáveis.

Infelizmente, a História mostra que esta resistência tem sido testada pelos ditadores russos nos últimos cem anos.

Holodomor (Grande Fome) foi infligido por Estaline, em 1932 e 1933, e provocou milhões de mortes. O ditador quis submeter a Ucrânia à ideologia comunista, mas os camponeses ucranianos recusaram a colectivização. Foram-lhes retirados os cereais e bloqueadas as fronteiras, ou seja, as pessoas foram cercadas para morrer. Entretando, destruiram-se vários símbolos de identidade nacional ucraniana: língua, igreja e intelectuais. Um genocídio.

É óbvio que não me tornei especialista em geopolítica de Leste, mas nesta guerra é absolutamente claro onde está o MONSTRO.

“Winter on Fire: Ukraine´s Fight for Freedom” – 2015


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Nasceu-te um Filho

Nasceu-te um filho. Não conhecerás,
jamais, a extrema solidão da vida.
Se a não chegaste a conhecer, se a vida
ta não mostrou – já não conhecerás

a dor terrível de a saber escondida
até no puro amor. E esquecerás,
se alguma vez adivinhaste a paz
traiçoeira de estar só, a pressentida,

leve e distante imagem que ilumina
uma paisagem mais distante ainda.
Já nenhum astro te será fatal.

E quando a Sorte julgue que domina,
ou mesmo a Morte, se a alegria finda
– ri-te de ambas, que um filho é imortal.

Jorge de Sena, in Visão Perpétua

Nasceu-me uma filha.

Há 11 anos.

Nenhum astro me será fatal.

Jamais.


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Talvez alguém

Na peça “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vivente, várias almas desfilam pelo Pugatório, tentando convencer o Anjo de que são merecedoras da eternidade no Paraíso.

A personagem aparentemente mais absurda é o Parvo.

Quando se dirige ao Anjo, repetindo o percurso de todas as personagens, responde da forma mais intrigante:

Anjo: Quem és tu?

Parvo: Samica alguém (talvez alguém).

Desde a adolescência, que me pergunto que resposta daria eu ao Anjo, se me encontrasse em semelhante situação. Décadas passaram, acumulei tantas experiências, leituras, aventuras, cobardias e bravuras que continuo sem encontrar solução.

Que resposta poderá ser mais humilde, lúcida e sábia do que a do Parvo?

Tento ter presente a lição do Parvo, quando sou elogiada, quando dou por mim com tiques de arrogância, quando cedo à tentação de menosprezar alguém que ideologicamente está distante de mim ou que não se consegue expressar da forma mais fluida.

Confirmo a superioridade do Parvo, quando sou confrontada com a soberba, com o egocentrismo, com a crueldade, e com a intolerância dos outros.

Provavelmente a sobranceria é o defeito que mais abomino… também em mim.

Lembrei-me do Parvo, quando li este poema de Emily Dickinson.

Melhor do que um “Alguém” só mesmo outro “Alguém”.

Não sou Ninguém! Quem é você?
Ninguém – Também?
Então somos um par?
Não conte! Podem espalhar!

Que triste – ser –  Alguém!
Que pública – a Fama –
Dizer seu nome – como a Rã –
Para as palmas da Lama!

I’m Nobody! Who are you?
Are you – Nobody – too?
Then there’s a pair of us!
Don’t tell! they’d advertise – you know!

How dreary – to be – Somebody!
How public – like a Frog –
To tell one’s name – the livelong June –
To an admiring Bog!

DICKINSON, Emily. Não sou ninguém. Poemas.


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Coloristas

Introspecção: “observação dos fenómenos psíquicos da própria consciência”.

Passou o interminável Janeiro.

É sempre um mês de introspecção: 31 dias de observação dos fenómenos psíquicos da minha consciência é um trabalho árduo.

Fico melancólica e misantropa.

Felizmente, Fevereiro já é tempo de renascer, antecipar a Primavera e desenclausurar.

É também a altura de renovar os meus votos de parcimónia consumista e procurar conjugações com o que há no roupeiro.

Os básicos que nunca falham no dia-a-dia veloz e implacável.

E animar a monotonia com bom humor urbano?

O que se destaca destas fotografias não são só as roupas, é o ar feliz de quem anda na rua com as amigas.

São estes programas tão íntimos que, de facto, dão cor ao meu Inverno.

São estes programas tão íntimos que estão a faltar em 2022!

Imagens: Pinterest.


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Yuval Harari

Yuval Noah Harari, professor do departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, escreveu, em 2011, Sapiens: Uma Breve História da Humanidade.

Dez anos depois, escreveu Homo Deus – História Breve do Amanhã e foi entrevistado por João Céu e Silva.

Nesta entrevista, Yuval Harari não apresenta ideias absolutamente inéditas, nem geniais, mas nestas semanas de campanha alienação eleitoral (em que interiorizei o significado da expressão “vergonha alheia”), ouvir frases conscientes e lúcidas é um bálsamo precioso.

A fome na Terra resulta da ganância humana

“Ainda há milhares de milhões de pessoas pobres no mundo que sofrem de desnutrição e doenças, mas as fomes em massa estão a tornar-se raras. No passado, de tantos em tantos anos havia secas ou inundações, ou outro tipo qualquer de catástrofe natural, a produção de alimentos caía a pique e milhões de pessoas morriam à fome. Atualmente, a humanidade produz tanta comida e consegue transportá-la tão rapidamente e de forma tão barata que os desastres naturais nunca resultam, por si próprios, em fome em massa. Já não existe fome natural no mundo, há apenas fome de origem política. Se as pessoas ainda morrem de fome na Síria, no Sudão ou na Coreia do Norte é apenas porque alguns governos assim o desejam.”

A doença do mundo ocidental resulta da fartura

De facto, na maioria dos países, hoje, comer demais tornou-se um problema muito pior do que a fome.

O açúcar é a droga dos pobres

“No século XVIII, Maria Antonieta supostamente aconselhou as massas famintas a que, se ficassem sem pão, comessem bolos. Hoje, os pobres seguem este conselho à letra. Enquanto os habitantes ricos de Beverly Hills comem salada de alface e tofu cozido a vapor com quinoa, nos bairros da lata e guetos, os pobres engolem bolos industriais, pacotes de aperitivos salgados, hambúrgueres e pizzas. Em 2014, mais de 2100 milhões de pessoas tinham excesso de peso, contra 850 milhões que sofriam de desnutrição. Calcula-se que em 2030 metade da humanidade sofra de excesso de peso. Em 2010, a fome e a desnutrição combinadas mataram cerca de um milhão de pessoas, enquanto a obesidade matou três milhões. […] O açúcar é hoje mais perigoso do que a pólvora.”

O passado permite-nos ver “futuros”

Não estou certo de que o objetivo do estudo da História seja aprender lições práticas. Na minha opinião, devemos estudar a História não para aprender com o passado, mas para nos libertarmos dele. Cada um de nós nasce num mundo particular, governado por um sistema particular de normas e valores, e uma determinada ordem económica e política. Como nascemos nele, tomamos a realidade circundante como natural e inevitável, e tendemos a pensar que a maneira como as pessoas hoje vivem as suas vidas é a única possível. Raramente nos damos conta de que o mundo que conhecemos é o resultado acidental de acontecimentos históricos aleatórios que condicionam não só a nossa tecnologia, política e economia, mas até mesmo a maneira como pensamos e sonhamos. É assim que o passado nos agarra pela parte de trás da cabeça, e vira o nosso olhar para um único futuro possível. Sentimos o aperto do passado desde que nascemos, por isso nem sequer nos apercebemos dele. O estudo da História visa reduzir esse aperto e permitir-nos virar a nossa cabeça mais livremente, pensar de maneira diferente e ver muitos mais futuros possíveis.

Se não conhecermos a História, facilmente confundimos os seus acidentes com a nossa verdadeira essência.

A História permite-nos encontrar a nossa verdade

Por exemplo, pensamos em nós mesmos como pertencendo a uma determinada nação, como Israel ou a Coreia; acreditamos numa certa religião; vemo-nos como indivíduos; acreditamos que temos certos direitos naturais. […] No entanto, o nacionalismo, o individualismo, os direitos humanos e a maioria das religiões são desenvolvimentos recentes. Antes do séc. XVIII, o nacionalismo era uma força bastante fraca, e a maioria das nações de hoje não tem mais de um século de existência. O indivíduo foi criado pelo estado e pelo mercado modernos, na sua luta para quebrar o poder das famílias e comunidades tradicionais. […]

A maioria das religiões que conhecemos hoje nasceu apenas nos últimos dois ou três mil anos e sofreu profundas mudanças nos últimos séculos. O judaísmo ou o cristianismo de hoje são muito diferentes do que eram há 2000 anos. Não são verdades eternas, mas criações humanas. Algumas dessas criações podem ter sido muito benéficas, é claro, mas para conhecer a verdade sobre nós mesmos precisamos ir além de todas essas criações humanas. É por isso que a História me interessa tanto. Eu quero conhecer a História, para poder ir além dela e entender a verdade que não é o resultado de acontecimentos históricos aleatórios.

Os entretítulos são meus.

As fotografias são de Brian Oldham.


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Portrait

A propósito de sensibilidade e da ténue linha que separa a delicadeza (que nos conserva humanos) e a falta de esperança crónica (próxima dos estados depressivos), surgiu-me Anne Sexton, uma poeta norte-americana (1928-1974), que sofreu alguns colapsos psíquicos.

 Felizmente, em 1955, conheceu o médico Martin Theodore Orne, terapeuta que a encorajou a escrever poesia, como forma de mitigar a imaginação transbordante e a invulgar sensibilidade poética.

Boas prescrições médicas, por certo, mas a vida sobrecarregava-a com deveres domésticos, modelos femininos arcaicos, drogas e álcool. Reservou-lhe, finalmente, o Prémio Pulitzer, em 1967.

Este excerto do poema “Frágil Fio”, foi publicado no Instagram de Raquel Marinho.

Fico sempre espantada com a forma aparentemente simples como um poeta coloca em evidência verdades universais.

“Como já se disse:
O amor e a tosse
não podem ser disfarçados.
Nem mesmo uma pequena tosse.
Nem mesmo um pequeno amor.”

“Portrait of a heart” é um quadro do artista austríaco Christian Schloe.

Manter assim o coração é muito cansativo, mas deixá-lo apagar é trágico.