“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Transformação

Sophia de Mello Breyner, intervenção de 1975, na Assembleia Constituinte:

“Num país e num mundo onde há famílias sem casa e doentes sem tratamento e sem hospital, a questão da liberdade da criação artística e intelectual pode parecer uma questão secundária, mas sabemos que a cultura influi radicalmente a estrutura social e a estrutura política. E por isso a questão da liberdade da cultura é uma questão primordial, pois a cultura não é um luxo de privilegiados mas uma necessidade fundamental de todos os homens e de todas as comunidades.

A cultura não existe para enfeitar a vida mas sim para a transformar para que o homem possa construir e construir-se em consciência, em verdade e em liberdade e em justiça.

E se o homem é capaz de criar a revolução é exactamente porque é capaz de criar cultura.”

Moon-book-illustration-by-Xuan-loc-Xuan4

A maravilhosa intervenção de Sophia foi ouvida aqui.

A imagem é da ilustradora Xuan Loc Xuan.


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Cismar

Cismar– Pensar continuamenteimaginar com tenacidadeandar melancólico.
Foi uma cisma provocada pelo Pedro Correia.
Agora, vou passar um mês inteiro nesse estado!
Finalmente!
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Boas Férias!
ignant-photography-clara-balzary
Imagens do blog IGNANT.


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Géneros

Há tantos géneros quanto seres humanos no nosso planeta.

Seria tudo mais fácil, mas bem mais aborrecido, se apenas oscilássemos entre dois pólos.

Acredito que há uma escala entre o feminino e o masculino e cada um de nós se situa num ponto.

O mesmo se passa com a orientação sexual.

Kinsey disse que a escala é de 0 a 6 e que ninguém está verdadeiramente nas extremidades, ou seja, ninguém é, indubitavelmente, homossexual ou heterossexual.

Somos mais fluídos do que aquilo que durante séculos se definiu de forma simplista.

No ano passado, a National Geographic dedicou uma edição ao género, igualdade e fluidez de género: entrevistaram crianças de 9 anos para perceberem de que forma elas se sentem limitadas (ou mais livres) devido ao seu género.

O vídeo com as entrevistas é incrível.

2017-01-cover National Geographic

A menina da capa nasceu menino há 9 anos e a sua maior alegria, desde que se assumiu menina, é não ter mais de fingir ser menino.

Ora o que se pretende, no futuro, é que ninguém tenha de fingir num assunto tão íntimo como a identidade e a sexualidade e que os tabus dos últimos séculos se desfaçam.

Pessoalmente, não tenho dúvidas de que uma sociedade resolvida intimamente vai ser uma sociedade mais bondosa e empática.

 

 

 

 


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A ordem criminosa do mundo

Em 2008, a TVE exibiu um documentário acerca da desordem do nosso mundo, intitulado “A Ordem Criminosa do Mundo”.

Entre outros intervenientes, participaram Eduardo Galeano, escritor latino-americano (morreu em 2015), e Jean Ziegler, professor de Sociologia e antigo relator das Nações Unidas.

Dez anos depois, infelizmente, o documentário continua actual: o mundo mudou, como sabemos. Piorou.

É duro ver como estes dois homens descrevem o mundo, sobretudo porque, para além de terem um discurso que une exemplarmente a forma e o conteúdo, reflectem limpidez na análise que fazem.

Os donos do mundo

“Os verdadeiros donos do mundo hoje são invisíveis. Não estão submetidos a nenhum controlo social, sindical, parlamentar. São homens nas sombras que procuram o governo do mundo. Atrás dos Estados, atrás das organizações internacionais, há um governo oligárquico, de muito poucas pessoas, mas que exercem uma influência e um controlo social sobre a humanidade, como jamais Papa algum, Imperador ou Rei tiveram.” – Jean Ziegler

“O atual sistema universal de poder converteu o mundo num manicómio e num matadouro.” – Eduardo Galeano

A globalização

“No processo de criação do mercado globalizado, da unificação do mundo sob a lei do lucro máximo, um dos tipos de capital emancipou-se: o capital financeiro, virtual e líquido, que toma corpo nas Bolsas e que domina o capital comercial, industrial e o capital social, em todas as suas formas.” – Jean Ziegler

O capital financeiro percorre o planeta 24 horas por dia com um único objectivo: obter o lucro máximo. A globalização é uma grande mentira. Os donos do grande capital que dirigem o mecanismo da globalização dizem: Vamos criar economias unificadas pelo mundo inteiro e assim todos poderão desfrutar de riqueza e de progresso. O que existe, na verdade, é uma economia de arquipélagos [de riqueza] que a globalização criou.”Jean Ziegler

“Há três organizações muito poderosas que regulam os acontecimentos económicos: Banco Mundial, FMI e Organização Mundial do Comércio; são os bombeiros piromaníacos. Elas são, fundamentalmente, organizações mercenárias da oligarquia do capital financeiro invisível mundial.” – Jean Ziegler

“Todos os dias neste planeta, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), 100 mil pessoas morrem de fome ou por causa das suas consequências imediatas. No ano passado, a cada 5 segundos, uma criança com menos de 10 anos morria de fome. Tudo isto acontece num planeta que, segundo a FAO, poderia alimentar 12 biliões de seres humanos [somos 7 biliões], ou seja, quase o dobro da população mundial. Nesta matança quotidiana, não há fatalidade alguma.”Jean Ziegler

O dicionário

“Hoje às torturas chamam-se “procedimento legal”, à traição chama-se “realismo”, ao oportunismo chama-se “pragmatismo”, ao imperialismo chama-se “globalização” e às vítimas do imperialismo, “países em vias de desenvolvimento”. O dicionário também foi assassinado pela organização criminosa do mundo. As palavras já não dizem o que dizem, ou não sabemos o que dizem” – Eduardo Galeano

[A propósito de Guantánamo] “Não se tortura para obter informações, isso é falso. Tortura-se para semear o medo e aí temos de reconhecer que a tortura é eficaz e, por isso, a tortura é agora objecto de publicidade incessante. A máquina de semear o medo utiliza a tortura para prevenir o delito da dignidade.” – Eduardo Galeano

O medo

“Vivemos na sociedade do medo. Quem não tem medo de perder o emprego, tem medo de não encontrar emprego, o que é um medo semelhante. Espalharam-se pânicos: o pânico de viver, o pânico de ser, o pânico de mudar, o pânico dos demónios que inventam para nos assustar.” – Eduardo Galeano

A emigração

“A Organização Mundial do Comércio assegura, em nome do capital financeiro, a total liberalização de circulação de mercadorias, capitais, patentes e serviços. As pessoas não aparecem no projecto da OMC, são atiradas para as vedações de arame farpado de Ceuta e morrem no Estreito de Gibraltar.”- Jean Ziegler

“Esta invasão dos invadidos, pessoas que do Sul marcham para Norte (o Norte que tantas vezes invadiu o Sul em guerras coloniais e nas guerras que eram coloniais mas diziam que não eram), são emigrantes que deambulam numa peregrinação inútil, procurando casa, trabalho, um destino. Este êxodo trágico dos desamparados é um êxodo de pessoas que aspiram a ser tratadas como o dinheiro. Para o dinheiro não há fronteiras. Os muros altos servem para que os privilegiados possam seguir sendo a minoria que manda e os outros se resignem a ser a maioria que obedece.” – Eduardo Galeano

O que fazer?

“Se hoje eu digo que faz falta uma rebelião, uma revolução, um desmoronamento, uma mudança total desta ordem mortífera e absurda do mundo, simplesmente estou a ser fiel à tradição mais íntima, mais sagrada da nossa civilização ocidental. O nosso dever primordial hoje deve ser reconquistar a mentalidade simbólica e dizer que a ordem mundial, tal como está, é criminosa. Ela é frontalmente contrária aos direitos do homem e aos textos fundacionais das nossas civilizações ocidentais.” – Jean Ziegler

“A primeira coisa que devemos fazer é olhar para a situação de frente e não considerar como normal e natural a destruição, por exemplo, de 36 milhões de pessoas por culpa da fome e da desnutrição. Temos de rejeitar como algo normal a destruição dos nossos semelhantes. De nenhum modo, devemos permitir que as grandes organizações de comunicação nos intimidem, nem as fábricas das teorias neoliberais das grandes corporações, pois todas as corporações se ocupam, primeiro, de controlar as consciências, de controlar, como podem, a imprensa e o debate público. E tratam de ocupar o debate público, para esvaziar os cérebros.” –  Jean Ziegler

 

 


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Mais

A Lunna escreveu-me, nos votos de Ano Novo:

“Que 2018 seja menos intenso em sua correria (porque 2017 foi insano, nem agosto conseguiu detê-lo um pouco mais) e que seja mais, que sejamos mais.”

Vou tentar canalizar os esforços nesse sentido!

Ser mais: mais Mãe, mais Eu, Melhor!

Estar mais: com aqueles que amo, comigo!

Ver mais!

Respirar mais!

Pausar mais!

Sair por aí ajuda!

sobreiros

Beatriz de patins

Provavelmente, estou sugestionada, mas parece que anda uma luz nova no ar…

Oxalá!

E que traga a todos limpidez e cor!


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Jano

Janeiro provém de Jano, um dos mais antigos deuses do panteão romano.

Jano era o deus de todos os princípios, o que motivou Júlio César a escolhê-lo para designar o primeiro mês do calendário (calendário que ostentava o seu nome, o calendário juliano).

Jano é representado com dois rostos que se opõem: um olhando para a frente, outro olhando para trás.

Atribuem-se ao reinado de Jano as habituais características da Idade do Ouro: completa honestidade dos homens, abundância e paz profunda.

Terá sido Jano o inventor dos barcos.

As mais antigas moedas romanas em bronze tinham, numa das faces, a efígie de Jano e o reverso representava a proa de um barco.

(Estas e outras informações mitológicas constam deste livro maravilhoso.)

A minha proposta para 2018: vamos começar de novo!

O ideal talvez seja aproveitar esta oportunidade de recomeçar e deitar fora o lastro que, às vezes, nos prende.

Recomeçar com as aprendizagens e maturidade do Passado, mas com o olhar num Futuro límpido e venturoso!