“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


Deixe um comentário

Géneros

Há tantos géneros quanto seres humanos no nosso planeta.

Seria tudo mais fácil, mas bem mais aborrecido, se apenas oscilássemos entre dois pólos.

Acredito que há uma escala entre o feminino e o masculino e cada um de nós se situa num ponto.

O mesmo se passa com a orientação sexual.

Kinsey disse que a escala é de 0 a 6 e que ninguém está verdadeiramente nas extremidades, ou seja, ninguém é, indubitavelmente, homossexual ou heterossexual.

Somos mais fluídos do que aquilo que durante séculos se definiu de forma simplista.

No ano passado, a National Geographic dedicou uma edição ao género, igualdade e fluidez de género: entrevistaram crianças de 9 anos para perceberem de que forma elas se sentem limitadas (ou mais livres) devido ao seu género.

O vídeo com as entrevistas é incrível.

2017-01-cover National Geographic

A menina da capa nasceu menino há 9 anos e a sua maior alegria, desde que se assumiu menina, é não ter mais de fingir ser menino.

Ora o que se pretende, no futuro, é que ninguém tenha de fingir num assunto tão íntimo como a identidade e a sexualidade e que os tabus dos últimos séculos se desfaçam.

Pessoalmente, não tenho dúvidas de que uma sociedade resolvida intimamente vai ser uma sociedade mais bondosa e empática.

 

 

 

 


4 comentários

Uniforme

O tempo arrefece e começa a surgir o uniforme de Inverno.

 

Uniforme que eu quero copiar; já que o cenário, infelizmente, não constará do meu Inverno…

 

Li, num site muito erudito, que a mulher que usa preto transmite serenidade (ou seria seriedade?) e poder.

Quero acreditar que sim, mas ninguém me tira da cabeça que a escolha da cor se relaciona também com um lado bem português e melancólico de viver os dias, misturado com uma procura de afinação estética, eventualmente…

 

 

Como não ando melancolicamente portuguesa todos os dias, estou a tentar sair do preto.

Ainda que vá só até ao cinzento…

Mas a tentar ir até ao bege.

E ao azul!

Ou até ao burgundy ( que palavra bonita para “cor de vinho”)!

Pelo menos nos pés!

Que ousadia!

Imagens do Pinterest e do blog Le fashion.


4 comentários

Sozinha

O sonho da maior parte das jovens que conheço não inclui viver sozinha.

Essa ideia recebe um nariz torcido e uns olhos abertos de espanto.

E eu espanto-me com esse espanto.

Não fui uma jovem muito irreverente, mas assim que comecei a ficar independente quis a minha casa.

Demorou, porque é muito mais económico partilhar.

Vivi 4 anos sozinha, em casas tão pequenas que não conseguia simular o homem de Vitrúvio, mas as mudanças foram sempre muito entusiasmantes e as noites muito, muito tranquilas.

Não me lembro de ter medo ou de sentir-me infeliz.

Lembro-me de acalmar facilmente na minha toca.

Ainda é assim muitas vezes.

Durante esse tempo, aprendi muito sobre mim, sobre as minhas qualidades, sobre como ultrapassar as minhas fraquezas e sobre as minhas limitações.

Houve dias difíceis, sobretudo devido a esses confrontos comigo, mas recordo esses anos como uma experiência de paz e luz.

Ficou-me, destes tempos, uma grande necessidade de estar em silêncio, com tempo e a sós.

Características que não são as mais esperadas numa mãe.

Valores muito difíceis de manter numa casa cheia e, felizmente, movimentada.

Hoje, numa outra fase da vida, de partilha constante e intensa, saboreio com calma e liberdade os minutos em que fujo para tomar um café…

só comigo!

Yaoyao Ma Van viveu 7 anos sozinha e recomenda, como testemunham as ilustrações.

É verdade, estou a ser pouco rigorosa: vivi sempre com dois gatinhos super-companheiros!

 

 


2 comentários

Casual

O que mais me desgasta no correr dos dias é… correr.

Sempre em velocidade, sempre atrasada e sempre com a sensação de estar em falta com alguma tarefa.

Ainda estou à espera que a rotina se interiorize.

Já sei que não vou deixar de correr, mas habituo-me a esta vertigem.

Para já, e como o Verão ainda dura, ando a namorar novo calçado para correr com estilo!

Do blog da Andy.

No próximo Verão, talvez regresse o look boneca.

Imagem do blog Devil Wears Zara

 

 

 


2 comentários

Pele

A gravidez altera profundamente a vida de uma mulher.

Torna evidente a maravilha de existir, redimensiona a mulher, assim como a tudo o que a rodeia.

Traz também pequenas mudanças apaziguadoras: a minha relação com o meu corpo pacificou-se;

o meu corpo, com imperfeições e defeitos, cumpriu a sua mais nobre missão: a criação de um ser humano.

Claro que esse corpo, que foi atingido pelo divino, nunca mais ficou igual.

Ganhei uma baguete na zona do baixo ventre e uma facilidade incrível para acumular gordura nas imediações.

É a natureza de sobreaviso, porque não quer ser apanhada novamente sem reservas!

O cabelo perdeu volume e os caracóis.

A pele, que era mista, ficou seca, manchada, e muito sensível.

Depois de anos a tentar perceber o que a apaziguava, descobri.

Deixei o tónico de há anos; fidelizei-me à água micelar e percebi que a pele do meu rosto só se sacia com óleo de rosa mosqueta: muito óleo de rosa mosqueta, de preferência de manhã e à noite, depois do creme hidratante.

Claro que quando a minha amiga Ana me sugeriu esta solução, eu duvidei.

Porquê?

Porque o óleo de rosa mosqueta é barato, é totalmente natural e não tem uma embalagem design.

Bem… a gravidez não altera tudo: continuo a manienta de sempre.

Mais humilde…

Talvez.

Ilustrações de Choi Mi Kyung ou Ensee.