“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Montinho

Há fins-de-semana tão produtivos que quase nos esquecemos de que são fins-de-semana.

No meio de 1001 tarefas e afazeres, esquecemo-nos de que temos dois dias por semana para parar, contemplar (-nos) e inspirar calmamente.

Ultimamente temos procurado esses momentos.

Infelizmente, explorar a fauna alentejana continua a ser a excepção.

Assim como encontrar estes sinais de trânsito em Portugal.

sinal

E as respectivas artiodáctilas em 3D.

vacas alentejanas

(Esta palavra faz-me sempre pensar em vacas a escrever à máquina.)

E artiodáctilas lãzudas.

ovelhas no Montinho

E qual será o grupo dos animais com membranas interdigitais?

patos no Montinho

Os sons da Natureza são as melhores baterias para semanas stressantes.

Melhor do que isso, só mesmo se nos ligarmos à terra.

deitada no Montinho

Transformar este passeio num hábito semanal é o desafio para 2015.

Deixando o Montinho


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Verduras

Phoebe Wahl cesto do quintal

O Inverno não tem sido amigo do meu quintal.

Só a rúcula cresce viçosa.

As couves estão minúsculas há semanas.

As alfaces morrem.

Os espinafres não resistem às brincadeiras dos gatos.

Durante muito tempo não quis intervir…

Até hoje.

Estratégia para as alfaces: anti-frio e anti-loucuras felinas.

Alface no garrafão

alfaces no garrafão

Estratégia para os espinafres.

espinafre prisioneiro

O meu quintal não está propriamente bucólico, mas espero ter um cesto cheio para apresentar em breve.

A ilustração da agricultora feliz é de Phoebe Wahl.


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Alfazema francesa

-Mãe, tenho saudades da Primavera!

-Eu também!

No nosso quintal, continuam as plantinhas arrepiadas.

A única flor que nos alegra os dias é mesmo a alfazema francesa.

É uma espécie de origem selvagem, resistente a doenças, e que cresce vigorosa no Inverno rigoroso e no Verão quente: ideal para um quintal no interior do Alentejo.

Para além disso, cuida do quintal, pois afasta pragas de pulgões, carraças, moscas e escaravelhos.

ramo de alfazema francesa

Este fio descobriu-o na loja Made in Paper!


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O campo

Cada vez gosto mais do campo e de observar a vida das flores!

-Pois… apaixonaste-te por um alentejano.

(Nem todos os alentejanos têm herdades; há alguns mais citadinos do que um nova-iorquino.)

 

Cada vez me sinto mais feliz a mexer na terra e a ver as sementes a germinar!

-Foste viver para o Alentejo.

(O Alentejo não é constituído por montes; existem cidades – vivo no centro de uma delas, apenas com um pátio interior que eu vou fingindo que é uma horta…)

 

Os estereótipos sobre o nosso país são impressionantes… e sobre a vida no campo também.

Muitas vezes são imagens maravilhosas que nós gostamos de guardar na nossa imaginação e que as revistas, blogs e restantes órgãos de comunicação social alimentam.

A nossa casinha pequenina era no campo, no cimo da serra, e vivemos lá durante três anos.

Viver fora do centro da cidade é encantador: na Primavera, no Verão e no Outono.

 

O Inverno é, quase sempre, desconfortável e pouco acolhedor.

Às vezes, parecia que vivíamos num farol!

Nessa estação, o apartamento aquecido do meu Pai sempre me pareceu o ninho perfeito.

 

Entretanto, como já não vivo no campo há um ano, esqueço frequentemente o Inverno real e suspiro por estes Invernos de revista.

viver no campo

no quintal3vida no campo 2no quintal

vida no campo 1vida no campo 4

mimilouise[1]

cepes1[1]

As primeiras imagens são do blog DustJacket Attic.

As duas últimas imagens são do blog da fantástica (no campo ou na cidade) Mimi Thorisson.

 

 

 


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Frio

Numa casa com muitas divisões (e enormes), as intervenções são lentas e obedecem a prioridades.

Depois das divisões elementares, aguarda intervenção o quarto de hóspedes.

Um lar só adquire verdadeiro calor, quando recebemos os amigos com o conforto que queremos oferecer.

Ainda assim, são os amigos que nos aquecem a casa, quando gela lá fora.

E tem sido difícil resistir a tão baixas temperaturas.

No quintal, a couve bebé arrepia-se e encolhe-se.

couve bebé

O alho-francês decidiu esperar pela Primavera.

alho-francês bebé

A rúcula, felizmente, renovou o ciclo e enche-nos os pratos de verde.

rúcula

A alfazema francesa, conhecida por ser muito viçosa e resistente, não desaponta e perfuma a casa.

alfazema francesa

A Natureza reserva-nos surpresas: nos vasos queimados pela geada, cresce um amor-perfeito.

Amor -perfeito

E atrás dos vasos, a única companheira que, por estes dias, não tem frio.

gatinha

Para o nosso amigo peruano e para as almas angolanas da casa, prepara-se uma grande competição: piri-piri do quintal!

piri-piri

O Perú tem mais de cinquenta variedades de malaguetas e um prato sem picante é um prato sem graça… mesmo que seja uma sopa.

Acho que sei quem vai ganhar…

 


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Reis

Vieram da Pérsia, Índia e Arábia.

Trouxeram ouro, incenso e mirra.

Belchior, Gaspar e Baltazar.

Passaram por Monsaraz.

Rei Mago Belchior Monsaraz

E a Beatriz encontrou-os.

Rei Mago Monsaraz

Rei Baltazar Monsaraz

Quanto a mim, continuo encantada com Monsaraz.

Monsaraz paisagem

E os motivos de encantamento, numa altura em que tudo muda, felizmente mantêm-se.

Casa Tial

Todos.

Tapetes Monsaraz

Feliz Dia de Reis!


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Formiga

Quando é preciso reflectir, não há nada melhor do que entreter as mãos e libertar o espírito.

Está na altura de preparar o Inverno.

Os orégãos foram colhidos no monte e oferecidos pela Dona Tomásia.

oregãos em ramo

Depois de secos, retiro-lhes os caules e arrumo-os em frascos para facilitar a utilização.

oregãos no frasco

Este ano, estreei-me na manjerona: vive num vaso junto à porta do quintal: à sombra, mas aparentemente feliz.

Uso-a seca ou fresca, como na fotografia.

manjerona em ramo

Li, no livro Erva uma vez…, que na época medieval, os irmãos enclausurados nos mosteiros consumiam esta planta, que em certas doses teria propriedades anafrosidíacas, o que evitaria pensamentos carnais.

Não fazia ideia… e nem confirmo, nem desminto.

manjerona no frasco

Uso-a para polvilhar lasanha, queijo fresco, courgette e beringela grelhadas,… com muita frequência.

A segurelha também entrou este ano na minha vida.

segurelha em ramo

Andou todo o Verão a perfumar as jarras de casa, porque era a única verdura que eu conseguia encontrar nos canteiros.

Agora está seca e perfuma peixe assado no forno.

A Patrícia Vilela, uma das autoras do livro de referência cá de casa, ensinou-me:

“Outro aspecto a realçar nesta planta é o casamento a roçar o perfeito que estabelece no prato com leguminosas, incluindo o bónus de reduzir ou eliminar as probabilidades de flatulência, em caso de consumo excessivo dos traiçoeiros grãos.”

Para além disso, é extremamente tranquilizador sentir estes aromas nas mãos depois de manusear estas plantas.

 

 


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Aprender

Ter uma horta é uma constante aprendizagem:

dos ciclos da Natureza;

da fragilidade/dificuldade do equilíbrio que queremos atingir na horta (e na vida)…

e de nós próprios.

Cuidar da horta é cuidar de nós, porque zelamos pela qualidade do nosso alimento e porque entretemos as mãos,

mas soltamos o pensamento para grandes conversas com as sementes e com as flores.

Durante o Verão, os meus pensamentos cheiraram a manjericão e cravo-da-Índia.

 

O que  aprendi e vou colocar em prática na próxima Primavera?

-Mais canteiros de flores;

-Mais feijão-verde anão;

feijão verde anão

-Mais beringelas;

beringela

-Mais variedades de tomates;

tomate cereja

-Menos courgettes: são muito exigentes para um quintal pequeno;

courgette

-E, por fim, mais pezinhos na horta: aproveitar e parar nos vários bancos feitos no século em que havia Tempo.

pezinhos na horta


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Passou 1 ano

O blog fez 1 ano e eu nem reparei.

Só hoje, quando vi esta rã, me lembrei da primeira rã que fotografei na vida .

rã 2014 1 ano

Foi há 1 ano e, precisamente 1 ano depois, surge-me este bichinho pela frente.

Coincidências boas da vida que me fizeram quebrar o jejum internético.

E agradecer a quem me visita, a quem gosta de ler-me e a quem constitui assim uma pequena comunidade virtual mas onde existem afectos e partilhas reais.

A nadar com a rã, ficou a Beatriz em modo rãzinha!

Beatriz rã 2014

Continuação de boas férias!

 

 


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Biblioteca para Hortelãs

Este livro estava na Biblioteca de Estremoz a dar-me as boas-vindas na estante dos “imperdíveis”.

capa Faça a sua horta

E eu trouxe-o e não paro de renovar a requisição.

A Gayla Trail vive em Toronto e tem uma horta… no telhado.

O site dela tem o subtítulo que perpassa todo o livro “Gardening for the people”.

O livro é uma partilha das descobertas de Gayla e recheado de dicas para construir uma horta biológica, no quintal, na varanda, em vasos, em espaços comunitários… ou no baldio ao fundo do bairro.

Nós já chegámos, felizmente, às hortas comunitárias: a minha amiga T. Flores (não resisto a este sobrenome) tem uma excelente experiência na Figueira da Foz.

Um dia chegaremos à “horticultura de guerrilha” e colocaremos placas “Isto é uma horta!” em qualquer espaço abandonado, grande ou pequeno.

Agricultura de guerrilha

Gayla dá-nos sugestões para todos os tipos de casa/quintal e agrupa as plantas por grau de exigência e características.

Já comprovei que o espinafre prospera em locais sombrios e frios; que o tomilho e a salva estão a adorar o impiedoso sol alentejano e que a rúcula nasceu forte num solo coberto de restos de entulho de obras.

Exigências das plantas Faça a sua horta

Uma das minhas dificuldades consiste em manter a calma e continuar a apostar nas consociações.

Com as consociações, embelezamos e enriquecemos a horta e evitamos o uso de pesticidas.

Já tenho repelentes de pragas: alho, cebola, alfazema, hortelã e coentros.

E flores que atraem predadores de insectos, como joaninhas, vespas e aranhas: calêndula, manjericão, coentros e a hortelã, alfazema, cravo-da-Índia, milefólio e valeriana-branca.

Faltam-me os dois últimos.

 

Há plantas temperamentais:

Devemos respeitar as amizades: abóboras e manjericão; ou feijão e cebolas ou beringela.

E as inimizades: feijão e cebola ou beringela e funcho, nem pensar!

 

Mas quando uma praga me infesta a horta costumo enfurecer-me e querer eliminar os caracóis ou os pulgões sem misericórdia.

Lição: respirar fundo, apostar nas soluções mais lentas e seguir a abordagem holística da autora.

consociações

São mais de 200 páginas de dicas e conselhos acerca da plantação de inúmeras plantas e flores comestíveis, com muitas ideias bonitas e originais.

perfis das aromáticas Faça a sua horta

alvéolos de papel higiénico

Eu nunca iria lembrar-me de cubos de gelo floridos!

cubos de gelo floridos

Tem sido a minha leitura de cabeceira e o livro que fez mais viagens de ida-e-volta à Biblioteca.

A Beatriz anda convencida de que o livro é meu!