“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Árvores

“When we have learned how to listen to trees, then the brevity and the quickness and the childlike hastiness of our thoughts achieve an incomparable joy.”

Esta frase do Hermann Hesse recorda-me de que já não abraço uma árvore há muito tempo. Seis anos, precisamente. Quando a Beatriz era bebé levava-a no marsúpio e abraçávamos as árvores e acariciávamos as flores.

Agora defino destinos diários, sigo viagens vertiginosas e as árvores da cidade são apenas decorativas.

Quando vi a imagem deste quarto, pensei que seria feliz aqui.

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“A árvore sussurra à noite, quando estamos inquietos diante dos nossos próprios pensamentos infantis: as árvores têm pensamentos longos, uma respiração longa e tranquila, tal como têm uma vida mais longa do que a nossa.

Elas são mais sábias do que nós, enquanto nós não as  ouvirmos.

Mas quando aprendermos a ouvir as árvores, a brevidade e a rapidez e a pressa infantil dos nossos pensamentos alcançarão uma alegria incomparável. Quem aprendeu a escutar as árvores, já não quer ser uma árvore. Já não quer ser nada, excepto o que é.

Isso é estar em Casa.

Isso é a Felicidade.”

Trees: Reflections and Poems, 1984

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Conhecia o texto de Hermann Hesse, mas infelizmente não tenho o livro, nem encontro uma tradução à venda.

Encontrei o excerto no blog Brain Pickings.

So the tree rustles in the evening, when we stand uneasy before our own childish thoughts: Trees have long thoughts, long-breathing and restful, just as they have longer lives than ours. They are wiser than we are, as long as we do not listen to them. But when we have learned how to listen to trees, then the brevity and the quickness and the childlike hastiness of our thoughts achieve an incomparable joy. Whoever has learned how to listen to trees no longer wants to be a tree. He wants to be nothing except what he is. That is home. That is happiness.”

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As imagens da casa a fingir que é floresta são do blog French by Design.

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Anjos da Casa

“Há sempre um deus fantástico nas Casas
Em que eu vivo, e em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.”

in Dia do Mar, 1947
Já há muitos anos que me conheço como “fazedora de lares”.
Com Sophia, descobri o mistério das casas em que vivo.
Neste momento, não sei se os anjos conseguem abrir as asas ou respirar com tanto pó.
A nossa casa está com aparelhos dos dentes por todo o lado.
Aparelho nos dentes é um eufemismo para descrever a desolação em que vivemos.
Estas duas, com má qualidade, mas já com alguma lógica, dão-me alguma esperança.
Ufa!
Se bem me conheço, esta agitação vai durar meses…

Uma música cheia de casa e ânimo, para serenar e resistir (resistiremos?), porque na maior parte dos dias só apetece fugir.
Um site-casa para quem gosta de Sophia ler tuuudo: organizado por Maria Andersen de Sousa Tavares.


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Extracto de um diálogo

“-Tenho saudades de minha casa, lá na Itália.

-Também eu gostava de ter um lugarzinho meu, onde pudesse chegar e me aconchegar.

-Não tem, Ana?

-Não tenho? Não temos, todas nós, as mulheres.

-Como não?

-Vocês, homens, vêm para casa. Nós somos a casa.”

O último voo do flamingo, Mia Couto

O facto de eu e a personagem feminina termos o mesmo nome não é pura coincidência.

“Aquela casa era a sua nação. As dimensões dessa nação não cabiam em mapa métrico. Todos sabem: a casa só é nossa quando é maior do que o mundo.”

Venenos de Deus Remédios do Diabo, Mia Couto

 


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Portas e Janelas

A Lunna desafiou-me a publicar 6 fotografias, subordinadas a um tema, no sexto dia de cada mês.

O tema de Abril é “Portas e Janelas”.

Ora, eu tenho uma adoração por portas e janelas, portanto este desafio era mesmo para mim!

Portas e janelas de Estremoz:

 

Da minha casa:

Janelas para os mundos mais incríveis que me rodeiam:

 

Obrigada, Lunna!

Bacio!


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Cafofo

Uma colega de trabalho referiu-se ao meu gabinete como “o vosso cafofo”.

Cafofo (de origem banta) – [Brasil, Informal] – Local de habitação, geralmente modesto, mas aconchegante.

Como gosto de palavras expressivas fiquei rendida: que outra palavra sintetiza desta forma um ambiente acolhedor, contendo a ideia de fofo?

O “cozy” inglês é simpático, assim como o “acogedor” espanhol, mas o cafofo é outra coisa.

Foi no que pensei quando vi esta casa.

Com uma cozinha que recupera o meu desejo de ter tudo exposto e “à mão“.

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E esta ideia para pendurar as chávenas e pratos?

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Com materiais neutros e naturais, apesar de eu ter uma costela mais latina e colorida; quer dizer, várias costelas…

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Agora, branco nos quartos é perfeito.

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E já viram esta forma excelente, prática e original para pendurar os colares?

Nestes dias de Inverno, depois de um temporal, é a altura ideal para apanhar galhos para decorar a casa.

Estou a lembrar-me de que já não vou caçar estes tesouros há muito tempo.

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Ideias super inspiradoras para o meu cafofo pessoal.

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Do blog maravilha Delikatissen.

 


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Desarrumar

Tenho fama de ser desarrumada o que, obviamente, considero tremendamente injusto.

Apenas não tenho tempo para arrumar tudo como gostaria e, admito, tenho outras prioridades.

Tantas outras prioridades!

Aqui em casa, há quem ache que esta desarrumação é um reflexo do desassossego em que anda sempre na minha cabeça.

É capaz de ter razão…

Desde há uns meses que tenho tentado estar mais presente em casa e manter assim tudo mais organizado, até os cabelos da Beatriz!

Com as encomendas de Natal, tudo se desorganizou: conjugar a profissão com o Frasco de Memórias e os presentes que gosto de oferecer transformaram a minha secretária num sítio muito mais caótico do que este.

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Aliás o meu quarto, com a cama por fazer, nunca teve este allure.

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E a cozinha?

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Tenho muito a aprender com a decoração escandinava… até na minha desarrumação!

As imagens desarrumadinhas são do blog da Katerina, uma grega apaixonada por decoração nórdica.


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Nostalgia

Enquanto procurava inspiração para o meu quarto novo, encontrei o meu roupeiro portátil do tempo em que tudo na minha vida era tão provisório.

Fiquei numa onda nostálgica, com vontade de trazer a memória desses anos, para o quarto novo.

Foram anos de muita instabilidade, mas também de muita descoberta e aprendizagem:

aprendi a gerir espaços impessoais e a transformá-los em lares, aprendi a partilhar casa e, sobretudo, aprendi a viver comigo.

Uma das experiências mais enriquecedoras consistiu mesmo em viver sozinha… em espaços minúsculos, é certo.

Numa altura em que quase tudo tinha de ser portátil, uma peça que andava sempre comigo era o charriot.

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varão para vestidos 2

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Para além de dar uma graça extra ao quarto, também gosto dele na entrada da casa, para colocar os casacos.

varão para roupa 3

Como sabemos, “arrumação nunca é demais”!

Imagens My Domaine