“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Viajante

As crises empobrecem-nos:

a carteira, os sonhos e o espírito.

Digital StillCamera
  Viajar leva-nos a outras geografias: do planeta e da nossa alma.

Observamos os outros e observamo-nos.

Regressamos e reencontramo-nos.

Portofino

Estas fotografias são do tempo em que fazíamos viagens anuais.

Digital StillCamera

São do tempo em que dizíamos:

-We have expensive taste, but no money.

Mas íamos e  descobríamos mercados locais inesperados.

Veneza mercado local

E roupa estendida na corda que nos recordava as nossas origens latinas.

Veneza roupa estendida

Agora, todos percebemos que nunca viveremos fora da “crise” que inventaram para nós e que o melhor é ir vivendo e viajando!

As memórias das viagens talvez sejam mesmo a melhor herança que deixaremos aos nossos filhos!

Assim, retomámos, aos poucos, o bom hábito, apesar da crise (já não nomeada), para que não nos esvaziem os sonhos!


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Será?

Será  Amor?

Ainda que Mal

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
Carlos Drummond de Andrade, in ‘As Impurezas do Branco’
Lapetitesardine


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Super-Homem

Os grandes amores acompanham-nos durante toda a vida.
Pelo menos os amores musicais…
Gilberto Gil escreveu uma definição de homem e cantou-a com Caetano. Dois homens que sabem como é maravilhoso sermos diferentes e complementares! :
“Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver
Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser
Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher”


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Amigos perdidos

São assim os poetas…

Carlos Drummod de Andrade descreveu-me, em 1945:

Alguns amores passaram,

mas a vida não se perdeu,

o coração continua aqui

e mantenho-me nua na praia,

a apanhar o vento frio e o calor do Céu.

É para lá que olho.

Os amigos são a maior dádiva deste meu percurso louco, e são, simultaneamente, a maior causa de dor. São tão excepcionais, mas desaparecem.

As minhas perdas acontecem abrupta e tragicamente. Fico sozinha no mundo.

Mas “o coração continua”

“nu na areia, no vento…”

Consolo na praia

Vamos, não chores.

A infância está perdida.

A mocidade está perdida.

Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.

O segundo amor passou.

O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.

Não tentaste qualquer viagem.

Não possuis casa, navio, terra.

Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,

em voz mansa, te golpearam.

Nunca, nunca cicatrizam.

Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.

À sombra do mundo errado

murmuraste um protesto tímido.

Mas virão outros.

Tudo somado, devias

precipitar-te, de vez, nas águas.

Estás nu na areia, no vento…

Dorme, meu filho.

(Declamado pelo Drummond, aqui.)

Imagens de amigas despidas, como sempre devem estar as amigas, do blog IGNANT.


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Suspirar

É difícil continuar focada com a acumulação do cansaço de um ano de trabalho.

Ando com visão seletiva e só retenho imagens destas.

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Que posso eu fazer?

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Anseio por mergulhar no silêncio.

Mergulhar é encontrar um silêncio profundo, como se fizéssemos uma pausa na vida ou experimentássemos um minuto extra oferecido pelos deuses marinhos.

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Esta mulher fabulosa e estes fatos de banho de sonho foram roubados ao blog HWTF.

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A última imagem é da superbronzeada Jules; eu estou verde de inveja, literalmente!


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Pequeninas coisas

Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina, in Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde

Ilustração: Xuan Loc Xuan.


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Maçãs

Do que mais gosto do Verão é da variedade de fruta que temos ao nosso dispor! Nesta altura, ficam umas tristes maçãs na fruteira que têm de ser aproveitadas.

Bolo de maçã

Massa:

50g de manteiga amolecida + 25g de azeite

100g de farinha com fermento + 75g de farinha de trigo integral

50g de açúcar mascavado

1 ovo

75 ml de água

3 maçãs descascadas e partidas

Cobertura:

40g de açúcar mascavado

1 colher de chá de canela

20g de manteiga

1- Pré-aquecer o forno a 180ºC e untar uma forma de cerca de 20 cm de diâmetro e forrá-la com papel vegetal.

2- Misturar a farinha com a manteiga numa taça e trabalhar com a ponta dos dedos até obter uma massa granulosa.

3- Juntar o açúcar e misturar bem.

4- Incorporar o ovo e a água até que esteja uma massa cremosa.

5-Espalhar a massa no fundo da forma e colocar as maçãs sobre a massa.

6- Pincelar com a cobertura e levar ao forno, durante 35 minutos.

A receita original, com tudo a que temos direito, resulta num bolo mais voluptuoso que está no meu blog de receitas (e não só!) favorito, Flagrante Delícia, de Leonor de Sousa Bastos.