“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Velas

De regresso à leitura solitária, depois de meses de encantamento e partilha de livros com a Beatriz.

Consegui, finalmente, equilibrar os dois momentos.

Livros

Comecei com A Boneca de Kokoschka e tive de seguir com Afonso Cruz: Para onde vão os guarda-chuvas.

Ainda na página 145 e já com várias pontas de páginas dobradas.

-Os telescópios não servem para aumentar as estrelas, mas para diminuir o ser humano. São máquinas de nos fazer pequenos.

-As estrelas somos nós. Quando Alá nos observa, é como quando nós olhamos para o céu: o que Ele vê são luzes. Cada homem é uma vela a brilhar no escuro […] é assim que Ele consegue ler à noite.

Para além do prazer de ler frases destas, em continuum, adormeço tranquila com a ideia de que sou um vela de Alá e que é (também) por minha causa que Ele lê os seus livros à noite.

Boa leitura!

 


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Coup de foudre

Desde que me conheço que tenho tendência para o deslumbramento.

Com pessoas, músicas, livros, filmes, lugares, perfumes, sabores, …

Geralmente são amores que ficam para a vida e que eu vou revisitando.

Os dois últimos:

capa-kokoschka[1]

Com este livro tem sido a tal ponto que já sonhei com ele.

Disse mais ou menos estas frases no meu sonho:

Afonso Cruz tem uma imaginação tão prodigiosa que só consigo pensar na selva amazónica: luxuriante, livre e avassaladora. Páro a cada parágrafo para apreciar/reflectir acerca das imagens, ideias, personagens, situações incríveis que cria. Essa imaginação à solta faz-me lembrar alguns livros de Mário de Carvalho.

Mas em Afonso Cruz esse poder parece inesgotável. Cada situação narrada numa página já é suficientemente rica para criar um livro.

Não me lembro bem do que disse a seguir, mas não podia estar mais de acordo com o meu eu adormecido.

A imagem é do blog de Afonso Cruz.

Outro cup de foudre, agora musical: Youn Sun Nah

N.B. Os meus sonhos nem sempre são literários – geralmente saio de casa descalça ou tento, desesperadamente, usar o telemóvel sem me entender com o teclado; ou gritar sem me entender com o aparelho fonador…

Adormecer a Beatriz me com este livro teve ainda este resultado: elevou o nível dos locais por onde me passeio enquanto durmo.

Próxima missão: levar a Youn Sun Nah para as minhas deambulações  nocturnas!


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2014 sem nozes

Há muitos anos, quando era pós-adolescente, li o Auto da Alma de Gil Vicente.

Fiquei impressionada: uma Alma, no seu percurso pela Terra, sem conseguir acompanhar o Anjo que a guia.

Pesam-lhe os vestidos, os sapatos, as jóias e os espelhos.

Diz-lhe o Anjo:

“pompas, honras, herdades e vaidades,

são embates e combates para vós.”

Impedem a Alma de tornar-se “gloriosa”, apesar de lhe ter sido concedido “o livre entendimento, a vontade libertada e a memória”.

Lembro-me muitas vezes desta Alma, sobretudo quando ocupo a mente com futilidades ou quezílias.

Ultimamente, tenho regressado, muito devagar, a um dos meus grandes prazeres: ler.

E reencontrei o tema.

Com Afonso Cruz.

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– A boca do paraíso é a boca de um frasco. […] Sabe porquê? Por causa do macaco. Imagine um frasco de nozes. O macaco não tem dificuldade em meter lá a mão, mas quando pega nas nozes não consegue tirá-la. Terá de largar as nozes para ser livre. E o paraíso é assim, temos de deitar fora as nozes e mostrar as nossas mãos vazias.

-Há que evitar as nozes. […]

-Isso. As nozes é que não nos deixam ser livres. São as nossas gaiolas.

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E eu desejo um 2014 sem nozes!

Com muitos livros.

Livros para adultos, com ilustrações.

E belos trinados de pássaros!

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O livro e as ilustrações são de Afonso Cruz.

As fotografias da loja Wook e do blog Prosimetron.