Frasco de Memórias

“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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KO

Quem já veio a minha casa sabe que eu não tenho televisão; e que encerrei a televisão da minha Avó Rosa num canto escuro do sótão.

No entanto, às vezes, tenho o azar de ser atingida por uma televisão alheia.

Por momentos, fico hipnotizada por quem julga ser dono da verdade e fala de forma tão convincente que (quase) todos julgam que ele, por poder divino, transmite mesmo a verdade.

Rentes de Carvalho, no blog Tempo Contado, fala deste triste fenómeno:

Adivinhos

microfoon[1]

Em bruxas só os simples acreditam, e as pitonisas vivem escondidas na Mitologia, mas muito se lhes assemelham os comentadores políticos.

Inchados e fátuos, como se tudo soubessem e adivinhassem o resto lendo nos astros, explicam-nos eles o que o presidente tem na ideia, o que os ministros preparavam mas esqueceram, o que presidente Obama devia ter dito à chanceler da Alemanha, o que a Rússia anda a conversar com a China. Entoaram loas ao engrandecimento e enriquecimento do Brasil, dizem agora que há muito sabiam as razões porque nele seriam abaladas a “Ordem e Progresso”.
Aborrecida, cansativa gente, a papaguear horas, convencida de estar no segredo dos deuses. E então as vozes. Umas de tom paternalista, outras em modo de homilia, algumas severas, a avisar que a posse da verdade não admite discordâncias nem oposições.
Por hábito antigo acordo às seis e ligo o rádio. Esta manhã, às seis e meia estava KO e desliguei, enfartado para o resto do dia, moído de crises, revoluções e adivinhos.
O post está aqui.
Os adivinhos calam-se se premirmos o off.