“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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A casa da actriz

Mudança rima com insegurança.

No meu caso, mesmo quando o entusiasmo e a alegria tomam conta de mim, a apreensão permanece latente.

Quando a mudança é imposta, a apreensão deixa de ser dissimulada e mistura-se com angústia e ansiedade.

A minha adaptação aos locais, às pessoas, aos projectos, é lenta e gradual.

Geralmente, também é profunda.

Com estas características, como é que sobrevivi a 17 mudanças compulsivas de casa?

Com angústia, na adaptação; e com angústia, no momento da despedida.

Houve casas, com um espírito tão forte e tão apaixonante, que saltei a primeira “angústia”.

A casa da minha Avó Rosa é o caso perfeito desse sentimento.

Mas nem incluo esta casa no rol das mudanças, foi um regresso. A casa onde fui sou pequenina.

Uma casa nova implica uma mudança de cenário, uma nova personagem, uma representação de uma peça desconhecida, cheia de imprevistos e peripécias.

Ao longo de 17 casas, representei muitos papéis, contracenei com muitos actores, vivi muitas vidas, brilhei e sucumbi a vários desfechos.

Agora, acertei no meu cenário e protagonizo o meu melhor papel.

Este foi o cenário onde comecei a ensaiar.

Foi na torre, em Avis, que vivi os primeiros meses de gravidez.

Durante alguns meses, estive, de facto, mais perto do Olimpo.

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O nome da minha filha.

Só para tranquilizar-vos: quando referi as mudanças excessivas de casa e usei a palavra “compulsivas” não significa que sofra de uma perturbação que me leve a andar sempre a fazer e a desfazer malas  e caixotes; foi mesmo por obrigação profissional e, poucas vezes, pelas circunstâncias da vida.