“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Estações

A Lunna tinha avisado: o serviço de correio entre os nossos dois continentes é terrível.

Eu pensei que era uma força de expressão…

Até que ganhei o passatempo do projecto Scenarium cujo prémio era um livro da Lunna!

Fiquei à espera.

Duas semanas, três… um mês.

Nada.

Foram precisas seis semanas!

Até chegarem salvos.

encomenda posta Lunna Guedes

Imaginei a viagem tempestuosa pelo Atlântico… até chegarem a este porto alentejano.

2 livros de Lunna Guedes

Valeu a pena a espera:

“O tempo não é um objeto traiçoeiro como muitos gostam de

dizer por aí. O tempo é um maestro e seus acordes são

perfeitos – mesmo sendo circulares e repetitivos.

Eu me lembro que na infância o som do velho carrilhão na

sala da casa do nono me assustava porque quando ele

ressoava pelos cantos, a casa inteira “cantava” com ele. E

nos dias de chuva, eu ficava em frente a ele, olhando-o

atentamente. Acompanhava seus ponteiros – completamente

hipnotizada. […]

E hoje o único tempo que me agrada é o tempo que encontro

nas poesias desses senhores-homens-mulheres-poetas que

leio. É um tempo fatiado feito pão de forma e eu recheio com

o que melhor me apetece.”

in Reticências, Lunna Guedes

 

Obrigada pelas palavras!

E pelas dedicatórias!

Bacio!

 


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Coqueiro

Gosto de palavras.

De escutar, de escrever, de ler palavras.

De observar, de conhecer, de estudar, de sentir e de pronunciar palavras.

Palavras de poetas, de escritores, de cantores, de pintores e de músicos das palavras.

Palavras de Portugueses e de Brasileiros.

 

Da Helka, da Lunna .

 

E do “coqueiro vegetal” de Sophia.

 

Gosto de ouvir o português do Brasil

Onde as palavras recuperam sua substância total

Concretas como frutos nítidas como pássaros

Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas

Sem sequer perder um quinto de vogal

 

Quando Helena Lanari dizia o «coqueiro»
O coqueiro ficava muito mais vegetal.

 

De palavras dos nortenhos, dos alentejanos, dos beirões e dos ilhéus.

mão da Beatriz bebé

 

Para minha alegria, a Beatriz anda deslumbrada com as letras e com as palavras.

E, tal como me acontece com Mia Couto ou Mário de Carvalho, deixo-me levar por esta mão pequenina e olho pela primeira vez para algumas palavras.

“Pirolito”, “carrapiço”, “finório”, “solipampa”, “perdão” e “parolo” ou os nomes medievais que o Avô sugeriu para a neta: Urraca e Hermengarda.

-Mamã, estas palavras fazem cócegas!