Frasco de Memórias

“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Be

Elvas, 2017

Exercício do dia:

-Cada um vai perspectivar-se no futuro: daqui a 7 anos como é que gostariam que fosse a vossa vida? Os sonhos não têm limites, certo?

Respostas entre o “certinho” e o “louquinho” que me encheram de alegria… excepto num dos grupos de 25 jovens.

Neste grupo, 23 disseram: trabalhar, casar e ter filhos.

Nada contra o plano, a minha filha foi o melhor que me aconteceu e adoro o meu trabalho… mas de corações a bater há 18 anos esperava mais irreverência.

Preocupa-me o facto desta resposta reflectir uma vontade genuína (e se for isso encantada da vida!) ou se reflecte falta de alternativa, falta de ambição e falta de capacidade de sonhar.

Nesse caso, preocupa-me que, de alguma forma, os sonhos estejam a ser roubados aos jovens desta geração.

Numa Europa assustada e militarizada, num mundo inseguro, por onde proliferam a miséria material e a de espírito, nesta ditadura da produtividade e do individualismo, projectos como “dar a volta ao mundo”, “fazer voluntariado em África”,  “trabalhar noutro país”, “viver com todos os meus amigos num prédio”, “criar uma associação para salvar animais”, “fazer parte da equipa que vai descobrir/curar/inventar…”; “adoptar uma criança”  não se ouvem.

Parece que ninguém quer sobressair.

Mas o que será de nós se ninguém perseguir utopias?

O que será de cada jovem que negar a sua vontade reprimida de engolir o mundo?

Talvez seja uma das ideias mais importantes que tento transmitir aos meus alunos.

Uma ideia nem sempre fácil de transmitir e que, ultimamente, tem-me feito sentir estranhamente subversiva.