“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Mercados

A vida no Alentejo trouxe muitas mudanças e readaptações.

Quase todas boas!

Mas, para quem ia semanalmente a este mercado da Figueira, é difícil viver de peixe de aquicultura.

mercado da figueira

A verdade é que o peixe do mar raramente chega ao interior com este brilho vivaz a que estou habituada.

Temos seguido a receita da Mafalda e acrescentamos aromas alentejanos ao nosso robalo do Pingo Doce.

robalo grande

robalos

Não é a mesma coisa, mas faz-nos lembrar o mar longínquo.

Aproveitamos o forno e assamos abóbora-manteiga do mercado de Estremoz.

Com alho, sumo de limão, coentros, louro, sal e azeite.

Ou, numa versão mais quente, com erva-doce, amêndoas, sumo de laranja e uma colher de chá de mel.

abóbora

Esta abóbora seguiu com casca, mas prefiro descascá-la.

Costumo ainda acompanhar com arroz amarelo, o preferido da Beatriz.

Arroz basmati tingido com açafrão, enriquecido com frutos secos e seco no forno.

Bom-apetite!


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Flagrante Delícia

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

A T não gosta especialmente de doces, mas encantou-se com o blog da Leonor de Sousa Bastos.

Imaginem o que me aconteceu quando conheci o blog Flagrante Delícia.

Eu adoro sobremesas, fotografia, poesia e textos sensíveis e autênticos.

Pelo que li numa entrevista, a Leonor apagou e voltou a traçar o seu rumo com determinação: desistiu de um curso de Direito e dedicou-se ao que, de facto, a iluminava.

Fiquei fã. Eu e muitos seguidores, aqui e no jornal The New York Times.

Os textos, as fotografias de Miguel Coelho e as receitas são irresistíveis.

Roubei, para vos mostrar, as Bolachas de castanha.

bolachas de castanha

O Pudim flan de abóbora.

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O Bolo de alfarroba.

bolo de alfarroba

E o Cheesecake frio de manteiga de amendoim com banana.

tarte_manteiga_amendoim_1[1]

Por onde começamos?


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Sem açúcar, com afecto

Já falei da relação da minha Mãe com Jamie Olivier.

Mas não falei da minha…

O Jamie é comunicativo, despretensioso e bem intencionado.

Ganhou a minha admiração quando vi esta intervenção no TED: o minuto 12 fez-me tomar decisões importantes.

Vi ainda dois ou três programas em que ele tentava, desesperadamente, transformar a perigosa alimentação escolar americana.

Resolvi, então, que o açúcar não fazia parte da dieta alimentar da Beatriz.

Agora, com dois anos e oito meses, a Beatriz continua a consumir iogurtes naturais, bolachas Marinheiras e cereais sem açúcar.

Não gosta de bolo, nem de chocolate, nem de gelado ou de outras sobremesas.

Foi uma decisão pouco pacífica e que continua a gerar alguma polémica na família.

Na nossa cultura, tal como na música de Chico Buarque, o açúcar e o afecto rimam no mesmo refrão.

Este post podia terminar aqui.

-Que mãe paranóica!

-Que mãe tão zelosa!

Mas e quanto aos alimentos fritos? E salgadinhos? Qual é a reacção da Beatriz?

Em casa, raramente temos esses alimentos, mas quando lhe aparece uma empada, um peixinho da horta, uma nata de bacalhau, umas batatas fritas ao alcance da mão é muito difícil de controlar.

Felizmente, diverte-se mais a roubar o frito do que a comê-lo.


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Lilás

A D.Olinda vê muito bem.

Surpreende-me, sempre, com ofertas que me enchem de satisfação:

-Trouxe-te um poejo das valas!

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E eu passei o Verão encantada com as flores do poejo.

E da hortelã.

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Como é que uma flor tão delicada, para além de conter propriedades calmantes e digestivas, ainda é um regalo para o palato e para os olhos…


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Coulis

Já tinha aqui falado do encanto que a quinta do Jamie Olivier exerce sobre a minha Mãe.

É uma fonte de inspiração.

O Jamie Olivier gosta muito de incluir frutos vermelhos nas suas receitas… e cultiva-os na quinta, claro.

Por aqui, neste Verão, assistimos a uma explosão de novas cores, texturas e perfumes.

E eu fiquei impressionada com a delicadeza da groselha.

E até já a elegi: esteticamente, é o meu fruto vermelho favorito.

Um dia, hei-de fazer xarope. Por enquanto não temos em grande quantidade.

Lá chegaremos…

Agora, em pleno Outubro, revisitamos o sol de Agosto, com coulis de groselhas, mirtilos, amoras e framboesas.

(A minha mãe pensou no Inverno e congelou!).

Já eu, convencida de que o Verão durava para sempre, não tirei muitas fotografias a estes frutos ricos em propriedades e delicadeza.

Ficam apenas estes brilhos estivais (sem a minha groselha predileta).

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Entusiasmo

A minha Mãe nunca gostou de cozinhar, mas sempre gostou de ver nascer os ingredientes que depois vão para a cozinha.

A minha Mãe não gosta de ver televisão, mas gosta muito do Jamie Olivier.

Uma desconfiança minha: do que a minha Mãe gosta mesmo é da quinta do Jamie Olivier…

Aprendeu, com ele, que existe uma paleta de cores (e sabores), nos alimentos, até aqui desconhecida.

Qual não foi o meu espanto quando apareceram no nosso prato estas gotas amarelas.

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Combinam, na perfeição, com os vulgares (mas sempre bonitos) tomates cereja vermelhos.

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O desejo de aprender, de experimentar, de ser surpreendido, rejuvenesce-nos.

É o que acontece com a minha Mãe.