“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Um dia

Vai ficar assim, como este da Iris, do blog Snapshots of Home:

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Mas ainda está assim…

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A imagem assustadora é do móvel da minha bisavó Celeste.

Provavelmente vou manter esta cor.

Provavelmente vou admitir que não tenho tempo de uma vez por todas.

Provavelmente vou ter de contratar o Sr. Eugénio, carpinteiro.


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Embalar

Todo o percurso dos Frascos de Memórias me delicia.

Apanhar a fruta, prepará-la, cozinhar os doces, perfumar a casa, provar, enfrascar, pasteurizar, rotular e embalar.

Nesta última etapa, penso sempre na pessoa que vai receber o meu doce e entrego-lhe o mesmo desvelo de quem se enleva a preparar uma prenda.

Mas há embalagens muito especiais.

A prenda dos pais do Gonçalo foi uma delas.

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A encomenda da minha amiga Fernanda, a responsável por todo este sonho Frasco de Memórias se delinear na minha cabeça.

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E a minha primeira encomenda, quando os frascos de doce ainda não eram Frascos de Memórias.

Directamente para Paris, para os amigos franceses da D.Olinda.

Achei que tal facto só podia augurar momentos bons.

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E, de facto, dois meses depois, nasceu a nossa loja.

E houve as encomendas da D.Manuela, da Graça, da Margarida, da Lena, da Amélia, da D.Aline, da Lúcia, da Paula, da Isabel, da Neide, da D.Adélia, da D.Rosa, da Antónia, do meu Pai,  da Tia Alice, … e tantas outras que me encheram de alegria!


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Pesquisa

Quando comecei a fazer compotas sozinha, fui-me deixando guiar pela intuição e pelas receitas da minha mãe e da minha avó.

E fui fazendo experiências mais ou menos felizes.

Desiludida com o que estava já descoberto nos livros e nos blogs, optei por perguntar directamente a todas as pessoas que faziam excelentes doces qual era o segredo.

Até que, em Estremoz, encontrei este clássico.

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Li o título, franzi a testa, mas venci o meu preconceito e, felizmente, abri-o.

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E encontrei receitas, como esta, que seguem o método da minha avó, da minha mãe, das tias e primas que fazem doces deliciosos.

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Já experimentei.

Como sou incapaz de seguir uma receita sem inventar, acrescentei limão, baunilha e nozes.

Aprovado!

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E fotografado pelo Sérgio Azenha.


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Bjo – Em nome de que urgência se abrevia um beijo?

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Mãe Preocupada foi um dos primeiros que partilhámos.

O título deste post é deste blog e, a partir do momento em que o li, nunca mais abreviei um beijo.

A autora (revelou o nome há pouco tempo) escreve de forma tão simples, autêntica e profunda que tudo o que eu possa acrescentar soa a básico.

Também eu tenho um nariz sentimental – Raízes:

[…] como é bom haver um cheiro das nossas vidas, o cheiro da génese e da raiz, um cheiro que ao subir-nos pelas narinas nos abalroa o coração e desperta todos os outros sentidos. Certos fragmentos da vida passam-nos diante dos olhos com uma exatidão inquietante, a pele arrepia-se e umas mãos invisíveis arrancam-nos aos fundos da memória doses generosas de ternura, afeto e prazer. 

Depois, bem-vinda coincidência, foi um e-mail que me chegou com uma tranquilizante sentença: “voltamos sempre ao lugar onde nascemos.” E com tudo isto me lembrei da breve e tão íntima história que aqui contei e que talvez só importe a quem, como eu, tem um nariz sentimental.

Também eu sou estrábica – Oftalmologia sentimental:

Diz o povo que o amor é cego. 
Cega é a paixão e cego é o desejo. 
O amor é estrábico. Deixa-nos com um olho sempre posto naqueles que amamos e o outro voltado para um horizonte cada vez mais imenso.

Também é esta a minha relação com os livros – Ler como amar:
Ler, ler bons livros não é o que me entretém. É o que me põe a salvo do transitório, da vulgaridade, da tragicomédia que se revela quando atento no chão que pisamos e no corpo que nos veste. Não é uma forma de me ocupar tempo livre. É antes um confronto com o universo e a eternidade que ora me leva ao céu, ora me esmaga até à estaca zero da humanidade.

Também procuro expressar-me assim (nem sempre consigo, sobretudo nos momentos de ira) – Expressão:

De facto, vale a pena controlar o que dizemos quando estamos tomados pela ira, mas jamais devemos fazê-lo quando estamos tomados pelo amor. A honestidade e a frontalidade são cancerígenas se aplicadas no conflito e contidas no afeto. Quem se contém na expressão do seu amor, das duas, uma: ou não o sente ou tem metástases nos órgãos vitais.

E há a Lurdinhas, a Júlia, conversas ouvidas e reflexões que nos confrontam, porque nos libertam da superficialidade, do histerismo e da inutilidade tão celebrados nos nossos tempos.

A maternidade, o amor e a morte são as únicas coisas que me justificam. O resto ocupa-me.

N.B. Todas as citações a negrito são da autoria da Mãe Preocupada.


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Morangos

Desde que se iniciou a época dos morangos tem sido assim:

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Muitas caixas do produtor da Geria, em Coimbra.

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Lavar e arranjar os morangos.

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Quinhentos gramas de açúcar por cada quilo de fruta.

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Muitas experiências até chegar às combinações perfeitas.

Colocar nos frascos e pasteurizar.

E provar com torradas, com bolachas, com pão fresco,… porque tem-se uma óptima desculpa!


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Mudança

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A Mudança é um dos grandes temas poéticos.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

É o mundo que muda, são os outros e somos nós. Muitas vezes, e ao contrário da desesperança (poética?) de Camões, nas outras estrofes do soneto, as mudanças são para melhor. Mas obrigam-nos a sair da nossa área de conforto.

E, sem mais existencialismos, o que tem esta reflexão que ver com as flores? É que as mudanças não têm de ser todas destruturantes ou restruturantes.

Há três anos, era impensável ter muitos dos prazeres que hoje cultivo. Agora, não perco a oportunidade de trazer uma nota da beleza dos jardins, dos mercados e dos campos para dentro de casa. E há momentos em que surpreendo personagens a escrever à sombra das minhas sardinheiras.

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