“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Um dia

Vai ficar assim, como este da Iris, do blog Snapshots of Home:

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Mas ainda está assim…

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A imagem assustadora é do móvel da minha bisavó Celeste.

Provavelmente vou manter esta cor.

Provavelmente vou admitir que não tenho tempo de uma vez por todas.

Provavelmente vou ter de contratar o Sr. Eugénio, carpinteiro.


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Presentes

Quando a nossa loja do Facebook fez um mês, lançámos uma iniciativa que nos permitiu conhecer melhor a nossa pequena comunidade (620 682 Likes): oferecemos um Frasco de Memórias a quem partilhou connosco a mais doce memória de infância.

Erro meu: não divulguei a iniciativa no blog.

Houve quem, com razão, tivesse manifestado o seu desagrado.

Ora eu não gosto que ninguém fique aborrecido comigo!

Solução: lançar uma partilha idêntica no blog.

Que bom!

Só precisava mesmo desta desculpa…

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O que é preciso fazer para receber um Frasco de Memórias à escolha?

1- Partilhar, nos comentários, uma memória de infância muito doce.

2- Tornar-se seguidor do blog (quem ainda não é, claro!)

Gostava muito de receber um apontamento da infância de quem me lê: um presente para mim!

A selecção da memória será feita por sorteio, com papelinhos, à moda antiga, se confiarem em mim 😉


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Embalar

Todo o percurso dos Frascos de Memórias me delicia.

Apanhar a fruta, prepará-la, cozinhar os doces, perfumar a casa, provar, enfrascar, pasteurizar, rotular e embalar.

Nesta última etapa, penso sempre na pessoa que vai receber o meu doce e entrego-lhe o mesmo desvelo de quem se enleva a preparar uma prenda.

Mas há embalagens muito especiais.

A prenda dos pais do Gonçalo foi uma delas.

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A encomenda da minha amiga Fernanda, a responsável por todo este sonho Frasco de Memórias se delinear na minha cabeça.

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E a minha primeira encomenda, quando os frascos de doce ainda não eram Frascos de Memórias.

Directamente para Paris, para os amigos franceses da D.Olinda.

Achei que tal facto só podia augurar momentos bons.

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E, de facto, dois meses depois, nasceu a nossa loja.

E houve as encomendas da D.Manuela, da Graça, da Margarida, da Lena, da Amélia, da D.Aline, da Lúcia, da Paula, da Isabel, da Neide, da D.Adélia, da D.Rosa, da Antónia, do meu Pai,  da Tia Alice, … e tantas outras que me encheram de alegria!


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Batixa

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Batixa foi um dos que segui com mais fervor, sobretudo na altura em que me mudei para a casa da minha avó.

Apresenta imagens muito originais e reais de blogs de todo o mundo, incluindo portugueses.

Sem texto.

tumblr_mqul28bmPs1r4gct3o1_500[1]O meu pátio podia ser assim.

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A corda, as molas, as fotografias e os desenhos já cá andam há algum tempo.

Os bancos hão-de aparecer.

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A minha cozinha não é assim (preciso de dizer “infelizmente”?).

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A cozinha do forno da minha avó já está mais colorida.

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E móveis antigos recuperados também já cá estão.

N.B. Todas as imagens do blog Batixa.


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Azul relâmpago

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Ontem, uma amiga, num telefonema muito apressado, disse-me que o dia devia ter 50 horas.

Eu passei o último ano da minha vida a correr e a desejar que os dias tivessem mais 8 horas.

Chegava a casa exausta e quase adormecia ao ler os livros com a Beatriz.

Tenho saudades desse último ano, mesmo muitas, mas não dessa velocidade.

Alguma coisa Muitas coisas estão mal numa sociedade em que as mães andam a este ritmo.

Este azul é para minha amiga.

E é para todas as mães que eu conheço porque, pensando bem, todas elas passam o dia a tratar de grandes urgências e a um ritmo muito superior ao razoável.

E é para todas as que não são mães e que aceleram.

E é para todas as pessoas que, sensatamente, não aceleram e que mergulham, com frequência, neste azul…

N.B. Todos estes tons de azul no blog Batixa.


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Pesquisa

Quando comecei a fazer compotas sozinha, fui-me deixando guiar pela intuição e pelas receitas da minha mãe e da minha avó.

E fui fazendo experiências mais ou menos felizes.

Desiludida com o que estava já descoberto nos livros e nos blogs, optei por perguntar directamente a todas as pessoas que faziam excelentes doces qual era o segredo.

Até que, em Estremoz, encontrei este clássico.

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Li o título, franzi a testa, mas venci o meu preconceito e, felizmente, abri-o.

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E encontrei receitas, como esta, que seguem o método da minha avó, da minha mãe, das tias e primas que fazem doces deliciosos.

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Já experimentei.

Como sou incapaz de seguir uma receita sem inventar, acrescentei limão, baunilha e nozes.

Aprovado!

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E fotografado pelo Sérgio Azenha.


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Bjo – Em nome de que urgência se abrevia um beijo?

A T é minha amiga, é minha prima e é uma blog hunter.

Tem um talento invulgar para descobrir blogs imperdíveis que eu não conheço e que nunca viria a conhecer na vida.

Mãe Preocupada foi um dos primeiros que partilhámos.

O título deste post é deste blog e, a partir do momento em que o li, nunca mais abreviei um beijo.

A autora (revelou o nome há pouco tempo) escreve de forma tão simples, autêntica e profunda que tudo o que eu possa acrescentar soa a básico.

Também eu tenho um nariz sentimental – Raízes:

[…] como é bom haver um cheiro das nossas vidas, o cheiro da génese e da raiz, um cheiro que ao subir-nos pelas narinas nos abalroa o coração e desperta todos os outros sentidos. Certos fragmentos da vida passam-nos diante dos olhos com uma exatidão inquietante, a pele arrepia-se e umas mãos invisíveis arrancam-nos aos fundos da memória doses generosas de ternura, afeto e prazer. 

Depois, bem-vinda coincidência, foi um e-mail que me chegou com uma tranquilizante sentença: “voltamos sempre ao lugar onde nascemos.” E com tudo isto me lembrei da breve e tão íntima história que aqui contei e que talvez só importe a quem, como eu, tem um nariz sentimental.

Também eu sou estrábica – Oftalmologia sentimental:

Diz o povo que o amor é cego. 
Cega é a paixão e cego é o desejo. 
O amor é estrábico. Deixa-nos com um olho sempre posto naqueles que amamos e o outro voltado para um horizonte cada vez mais imenso.

Também é esta a minha relação com os livros – Ler como amar:
Ler, ler bons livros não é o que me entretém. É o que me põe a salvo do transitório, da vulgaridade, da tragicomédia que se revela quando atento no chão que pisamos e no corpo que nos veste. Não é uma forma de me ocupar tempo livre. É antes um confronto com o universo e a eternidade que ora me leva ao céu, ora me esmaga até à estaca zero da humanidade.

Também procuro expressar-me assim (nem sempre consigo, sobretudo nos momentos de ira) – Expressão:

De facto, vale a pena controlar o que dizemos quando estamos tomados pela ira, mas jamais devemos fazê-lo quando estamos tomados pelo amor. A honestidade e a frontalidade são cancerígenas se aplicadas no conflito e contidas no afeto. Quem se contém na expressão do seu amor, das duas, uma: ou não o sente ou tem metástases nos órgãos vitais.

E há a Lurdinhas, a Júlia, conversas ouvidas e reflexões que nos confrontam, porque nos libertam da superficialidade, do histerismo e da inutilidade tão celebrados nos nossos tempos.

A maternidade, o amor e a morte são as únicas coisas que me justificam. O resto ocupa-me.

N.B. Todas as citações a negrito são da autoria da Mãe Preocupada.