“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Epílogo

Na nossa primeira viagem para Estremoz, deixámos os nossos companheiros na Figueira da Foz.

Foi muito difícil, apesar de todos os cuidados, mas não houve alternativa.

Quem já mudou de casa, de vizinhos, de cidade, de local de trabalho, de ritmo de vida,…  em poucos dias, sabe como é difícil gerir tudo.

Pela minha experiência, todos os objectos andam meses a girar pela casa até encontrarem o seu lugar… e nós também.

No Natal, regressámos à nossa casinha pequena e encontrámos a Branca doente.

Ficou internada, perdeu a cauda e juntou-se a nós na casa grande, depois de uma viagem de 300km.

A Beatriz reencontrou a sua companheira e correm as duas pela casa enquanto jogam às escondidas.

E eu sou atravessada por uma flecha de alegria.

Biti e branca

Claro que há hábitos que não mudam.

Branca

E o cesto da Branca é só usado para as fotografias.

Pela  Beatriz…

Biti no cesto


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Casa grande

O último dia, na “nossa casinha”, foi assim:

mudanças 1

Os gatinhos andaram sempre connosco, as caixas e as malas prepararam-se para a grande viagem e eu percebi que é impossível transportar um lar.

Assim, optei por levar apenas o essencial.

mudanças 2

O lar é feito do que vai dentro de nós.

mudanças 3

No segundo dia, na casa “tão grande” de Estremoz.

janela

Enchemos tudo de cor e decidimos ter sempre as malas por perto.

Interiorizámos o espírito de eternos viajantes.

quarto

Pendurámos os corações que os amigos nos ofereceram como presente de viagem.

corações

E adormecemos a oferecer as flores destes tectos de chantilly aos corações que deixámos tão longe.

tecto


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Vizinhos no coração

Viver na aldeia trouxe muitas vantagens à nossa vida.

Aprendemos a respirar mais devagar, quando seguimos o crescimento lento das flores e das plantas.

A Natureza nunca tem pressa e cresce de tal forma primorosa que nos coloca no nosso devido lugar.

Outra das vantagens: os vizinhos.

Não sei se é assim em todas as aldeias, mas nós fomos tão bem recebidos que ficámos, constantemente, sem saber como retribuir.

Aqui raramente sou Ana. Sou a neta da Sra. Rosa.

Ninguém imagina como é bom ser pequenina outra vez.

A D. Adélia é a vizinha da frente: preocupa-se se não nos vê e partilha connosco tudo o que a horta produz.

cebolas

abóboras D.Adélia

A Menina Lurdes é a vizinha do lado: tinha um café onde comprávamos rebuçados coloridos quando éramos pequeninos.

A minha Avó dava 20 escudos ao meu irmão para comermos rebuçados com os filhos das suas clientes da sala de costura.

A sala da costura funcionou, nestes três últimos anos, como escritório.

A máquina de costura não saiu do lugar e fez-nos companhia.

E há a D.Olinda, que vive mais longe, mas nos presenteia regularmente.

Com poejo, com espigas, com abóboras, chuchus, com sorrisos e boa disposição.

chuchu

abóbora D.Olinda

E a minha Tia Alice, que é vizinha da minha Mãe, e faz um passeio semanal com a Beatriz.

E que, para além do que não pode ser fotografado, me ofereceu esta pequena maravilha.

abóbora tia

Esta semana, mais uma vez, despeço-me do local onde comecei a criar raízes.

Levo todas estas ofertas no peito e rumo à nossa segunda cidade, Estremoz.

Não falo da minha família-berço e dos amigos que deixo, mais uma vez, porque não quero uma despedida demasiado triste.

Penso na família e nos amigos que nos vão receber.

Até breve!


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Bolachas de Alfazema

Cheiram a alfazema, aos campos quentes do Alentejo e a férias em Estremoz.

Compradas na Mercearia Gadanha.

DSC02226

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Nos tempos em que vivemos, parece que a única motivação (nossa e dos outros) só pode ser o dinheiro.

Essa desconfiança também prevalece nos blogs.

Se se refere uma marca ou um produto, é porque se recebe ou se pretende receber algum benefício.

Muitas vezes, é verdade. Outras não.

E agora sinto um estranho pudor em partilhar as pequenas descobertas que todos nós fazemos e que gostamos de contar aos nossos amigos.

Mas como acho que os colegas da Mara não devem condicionar-me os actos, avanço.


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De outro tempo

Gosto muito de feiras de velharias.

Frequento-as como quem vai em busca de tesouros enterrados.

DSC01794

A primeira vez que encontrei alguém que também partilha este prazer da descoberta foi a Constança do blog Saídos da Concha.

Este blog há-de ter um post especial.

A Constança enumerou algumas das razões que a levam a frequentar locais que vendem velharias e objectos em segunda mão.

Identifiquei-me com as razões apresentadas, fixei-as (de memória) e misturo-as com as minhas.

– Sou nostálgica e guardo, como preciosidades, as minhas recordações, o que inclui os objectos que fazem parte delas. Não significa que seja revivalista ou que considere que tudo o que pertence ao passado seja perfeito. Ainda bem que as mentalidades evoluíram em muitos aspectos.

-Não obstante, considero que perdemos alguma coisa com esta evolução; por exemplo, deixámos de prezar e cuidar o que temos. E o consumo deixou de ser parcimonioso.

-No tempo em que o fabrico não era em série, cada objecto era único e tinha a marca das mãos que o criavam. Para além disso, era feito para durar várias gerações.

-Os objectos desse tempo têm uma história bem mais interessante do que a viagem obscura que os de hoje fazem desde a China.

-E agrada-me esta estética do passado, mais sóbria ou mais romântica, mas sempre cuidada e com qualidade.

Há duas semanas, quando chegámos a Estremoz, precisámos de garfos pequenos para a Beatriz.

E a Beatriz escolheu estes dois na feira de velharias que acontece todos os Sábados no Rossio!