“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Amanhecer

O psicólogo Daniel Rijo disse que a melhor prenda que podemos oferecer a um filho é deixá-lo passar um fim-de-semana em casa de um amigo.

Proporcionamos-lhe uma aprendizagem sobre a dinâmica de outra família e oferecemos-lhe um cenário de comparação que o faz reflectir sobre a sua própria dinâmica familiar.

Depois dessa experiência, um filho pode regressar mais exigente ou grato.

E a sua capacidade de auto-análise dispara.

Mesmo que, num primeiro momento, possa não ter muita noção disso.

Achei que fazia todo o sentido.

Sempre gostei muito do meu núcleo familiar; acho que fomos todos Família enquanto estivemos juntos.

E essa união solidificou-se, porque os meus pais nunca tiveram televisão na cozinha.

A hora da refeição era bem mais do que uma hora… e sempre muito conversada.

Achei estranhíssimo quando, na adolescência, passei o fim-de-semana com uns amigos e vi que todos engoliam o almoço em silêncio e, em meia-hora, cada um voltava aos seus afazeres como se aquele momento em conjunto fosse desconfortável.

Marisa  e Beatriz de manhã

Nós iniciámo-nos na partilha das manhãs.

Também entre as crianças pequenas há fenómenos inexplicáveis: a amizade é um coup-de-foudre que vive de cumplicidades, por vezes, pouco óbvias.

Apesar da diferença de 5 anos, estas duas meninas brincam como se se conhecessem desde sempre.

Para já, é a Marisa que vem até cá.

Eu sou completamente incapaz de passar a noite sem estes pés aqui por casa.

Pés de 3 anos

Vou tendo desculpa, porque aos três anos ainda não há muita capacidade de auto-análise…