“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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O futuro da humanidade

Quando a Beatriz tinha 4 meses, visitei uma creche.

Gostei do local e das pessoas, mas vim para casa dilacerada com a ideia de deixar o meu bebé com estranhos.

A partir desse momento percebi que nada faz sentido na nossa sociedade.

Deixar o nosso bebé é contranatura.

Para mim ainda é.

A minha Mãe salvou-nos.

Quando a Beatriz tinha um ano e meio, fiz nova experiência, num local de elevada reputação nacional.

O mundo moderno ocidental não está preparado para receber os seus filhos.

Ou eu não faço parte do mundo moderno ocidental.

Não encontrei sorrisos nem abraços, a não ser aqueles que eu dava a todas as crianças nos 20 minutos diários que passava na sala do bibe azul.

A minha Mãe salvou-nos.

E o meu Pai e a minha Tia Alice.

Mudança de cidade.

Não fui à creche.

Salvam-nos a Tia Alda, a Prima Cristina, a Avó Silvana e todos os primos que aparecem e trazem sorrisos e brincadeiras.

Sinto que está certo assim.

No meu íntimo, todas as mães que viveram antes de mim dizem-me que sim e eu confio.

Comprovam-no a alegria , o sorriso constante e as aprendizagens diárias da Beatriz.

Não é uma decisão fácil.

Nem entre a família.

Parece que rejeitar a creche é ir contra uma ordem estabelecida muito maior do que uma simples creche.

Talvez seja questionar-nos enquanto sociedade (frenética, materialista e implacável) e isso é sempre incómodo.

Felizmente, sei que não estou só.