“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Árvores no Caminho

Tenho procurado encaminhar a Beatriz para uma visão fraterna entre os Homens: um olhar sobre Nós e sobre o Outro que procure o essencial e ultrapasse a superfície – a cor, a roupa, o tamanho do nariz, …

Mas há pouco tempo a reacção da Beatriz surpreendeu-me:

-Não gosto de dar beijos a caras escuras. As caras escuras têm coisas más.

-O quê?!

-O G. diz que as caras escuras, chamam-se morenas, têm coisas más.

-O G. está enganado. Como sabes, o G. faz muitos disparates na escola.

Tomei consciência de que, para o bem e para o mal, a Beatriz já não está na redoma familiar.

Há temas que temos de retomar.

Árvores no caminho capa

Encontrámos estas árvores no Parque Eduardo VII, no ano passado.

E temos partilhado as nossas noites com Karim.

Tal como a Beatriz, Karim  gosta muito de ir ao mercado com a Mãe.

Árvores no caminho 1

Árvores no caminho 2

E o que aconteceria à Beatriz se se perdesse da sua Mãe?

Ficaria com “lágrimas a deslizar pelas faces abaixo”.

Árvores no caminho 3

Talvez em Estremoz não encontrasse tantas árvores grandiosas, seculares e generosas.

Árvores no caminho 4

Árvores no caminho 8

Talvez um embondeiro não lhe desse pão-de-macaco com facilidade.

Árvores no caminho 7

Mas teria uma Mãe a partilhar a aflição da Mãe Kahdija.

Árvores no caminho 9

E a sonhar com a sua mão.

Árvores no caminho 10

E com o seu abraço.

Vivemos em contextos muito diferentes, mas o livro salienta a igualdade dos sentimentos primordiais: o amor pais/filhos e o respeito homem/natureza.

Temos de lê-lo mais vezes!

Escrito por Régine Raymond-García, depois de uma viagem a Burquina Faso, e ilustrado por Vanina Starkoff.

A edirora: OQO.