“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Casa grande

O último dia, na “nossa casinha”, foi assim:

mudanças 1

Os gatinhos andaram sempre connosco, as caixas e as malas prepararam-se para a grande viagem e eu percebi que é impossível transportar um lar.

Assim, optei por levar apenas o essencial.

mudanças 2

O lar é feito do que vai dentro de nós.

mudanças 3

No segundo dia, na casa “tão grande” de Estremoz.

janela

Enchemos tudo de cor e decidimos ter sempre as malas por perto.

Interiorizámos o espírito de eternos viajantes.

quarto

Pendurámos os corações que os amigos nos ofereceram como presente de viagem.

corações

E adormecemos a oferecer as flores destes tectos de chantilly aos corações que deixámos tão longe.

tecto


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Vizinhos no coração

Viver na aldeia trouxe muitas vantagens à nossa vida.

Aprendemos a respirar mais devagar, quando seguimos o crescimento lento das flores e das plantas.

A Natureza nunca tem pressa e cresce de tal forma primorosa que nos coloca no nosso devido lugar.

Outra das vantagens: os vizinhos.

Não sei se é assim em todas as aldeias, mas nós fomos tão bem recebidos que ficámos, constantemente, sem saber como retribuir.

Aqui raramente sou Ana. Sou a neta da Sra. Rosa.

Ninguém imagina como é bom ser pequenina outra vez.

A D. Adélia é a vizinha da frente: preocupa-se se não nos vê e partilha connosco tudo o que a horta produz.

cebolas

abóboras D.Adélia

A Menina Lurdes é a vizinha do lado: tinha um café onde comprávamos rebuçados coloridos quando éramos pequeninos.

A minha Avó dava 20 escudos ao meu irmão para comermos rebuçados com os filhos das suas clientes da sala de costura.

A sala da costura funcionou, nestes três últimos anos, como escritório.

A máquina de costura não saiu do lugar e fez-nos companhia.

E há a D.Olinda, que vive mais longe, mas nos presenteia regularmente.

Com poejo, com espigas, com abóboras, chuchus, com sorrisos e boa disposição.

chuchu

abóbora D.Olinda

E a minha Tia Alice, que é vizinha da minha Mãe, e faz um passeio semanal com a Beatriz.

E que, para além do que não pode ser fotografado, me ofereceu esta pequena maravilha.

abóbora tia

Esta semana, mais uma vez, despeço-me do local onde comecei a criar raízes.

Levo todas estas ofertas no peito e rumo à nossa segunda cidade, Estremoz.

Não falo da minha família-berço e dos amigos que deixo, mais uma vez, porque não quero uma despedida demasiado triste.

Penso na família e nos amigos que nos vão receber.

Até breve!