“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Universar

Mia Couto cria universos mágicos, com personagens maravilhosas, em que tudo pode acontecer, com a acutilância e sensibilidade expectável duma mente lúcida e poética.

Acabei O último Voo do Flamingo:

“O céu está em obras, só tem caído ferrugem lá das nuvens.”

“Quem voa depois da morte? É a folha da árvore.”

“As ruínas de uma nação começam no lar do pequeno cidadão.” (Provérbio africano)

“A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda.” [A mãe] andava com uma bilha a recolher as lágrimas de todas as mães do mundo. Queria fazer um mar só delas. O que faz a lágrima? A lágrima nos universa, nela regressamos ao primeiro início. Aquela gotinha é, em nós, o umbigo do mundo. A lágrima plagia o oceano.”

Um discurso poético mas cru, com um enredo policial que nos cativa, mas que nos leva à reflexão acerca da vida.