“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Pássaro azul

Nos dias malditos,

um poeta maldito:

O Pássaro Azul

Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as p… e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?

[…]
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?

Charles Bukowski, The Last Night of the Earth Poems, 1992.

Mouni Feddag

Porque há dias em que também não sei bem o que fazer ao meu pássaro azul…

Porque há dias em que até tenho medo que ele morra sufocado no meu peito…

Porque há dias em que receio que o matem se o ponho à solta…

Meu pobre pássaro azul!

(Hoje é o “blue monday” : o dia mais triste do ano – ciência ou superstição que não auguram nada de bom para a terceira segunda-feira do mês de Janeiro de cada ano)…

Imagem de Mouni Feddag.