“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


9 comentários

Ciganos

Em Estremoz há muitos ciganos.

Não convivemos, mas vamo-nos cruzando e, por acaso, até já rimos juntos.

Na sala da escola da Beatriz, há um menino cigano: só percebi quando alguém me disse.

Pierre Gonnard menino cigano

No meu contexto profissional, conheci três mulheres ciganas que abandonaram as suas comunidades.

Em momentos diferentes, em contextos diferentes, em locais diferentes.

Só a história era parecida.

Com essas falei muito e percebi que a separação foi voluntária, desesperada, dolorosa e resultou da intransigência familiar ou da comunidade.

A tradição cigana é para cumprir sem questionar, mesmo que não se concorde com ela ou que envolva violência, fome, ignorância, humilhação ou falta de possibilidade de escolha.

Pierre Gonnord viúva cigana

 

Nestas conversas, muito íntimas, reconheci-me na relação que têm com os filhos:

atrevo-me a dizer que o amor delas é mais avassalador ou feroz, talvez porque não tenha filtros nem quaisquer condicionantes sociais.

Pierre Gonnord Mãe cigana e filhos a mamar

No meu percurso até Elvas, encontro, por vezes, ciganos nómadas; os últimos de Portugal.

Pierre Gonnard jovem cigano

Pierre Gonnard Homem cigano

Quase me esqueço dos relatos destas três mulheres que conheci.

Pierre Gonnard jovem e filho

Invade-me um sentimento de Liberdade e Poesia, ao ver as carruagens puxadas por cavalos, as fogueiras a faiscar nos acampamentos, as crianças a correr pelos campos, a roupa a secar ao vento, …

E este olhar duro mas cheio de dignidade.

Mas, sinto-o, também muito sofrido.

Pierre Gonnard Mulher cigana

 

O fotógrafo Pierre Gonord aproximou-se e fotografou-os.

A exposição esteve em Évora e está agora em Nova Iorque.