“Le souvenir est le parfum de l´âme” – (George Sand).


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Sozinha

O sonho da maior parte das jovens que conheço não inclui viver sozinha.

Essa ideia recebe um nariz torcido e uns olhos abertos de espanto.

E eu espanto-me com esse espanto.

Não fui uma jovem muito irreverente, mas assim que comecei a ficar independente quis a minha casa.

Demorou, porque é muito mais económico partilhar.

Vivi 4 anos sozinha, em casas tão pequenas que não conseguia simular o homem de Vitrúvio, mas as mudanças foram sempre muito entusiasmantes e as noites muito, muito tranquilas.

Não me lembro de ter medo ou de sentir-me infeliz.

Lembro-me de acalmar facilmente na minha toca.

Ainda é assim muitas vezes.

Durante esse tempo, aprendi muito sobre mim, sobre as minhas qualidades, sobre como ultrapassar as minhas fraquezas e sobre as minhas limitações.

Houve dias difíceis, sobretudo devido a esses confrontos comigo, mas recordo esses anos como uma experiência de paz e luz.

Ficou-me, destes tempos, uma grande necessidade de estar em silêncio, com tempo e a sós.

Características que não são as mais esperadas numa mãe.

Valores muito difíceis de manter numa casa cheia e, felizmente, movimentada.

Hoje, numa outra fase da vida, de partilha constante e intensa, saboreio com calma e liberdade os minutos em que fujo para tomar um café…

só comigo!

Yaoyao Ma Van viveu 7 anos sozinha e recomenda, como testemunham as ilustrações.

É verdade, estou a ser pouco rigorosa: vivi sempre com dois gatinhos super-companheiros!